A morte de Bárbara Vitória Soares Dias, de 24 anos, presa por tráfico de drogas no Estabelecimento Penal Feminino Irmã Irma Zorzi, em Campo Grande, levanta sérias questões. O atestado de óbito aponta tuberculose pulmonar como causa da morte, mas a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) contesta o diagnóstico, suspeitando de intoxicação exógena. O advogado da detenta solicitou investigações ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), à Corregedoria da Agepen e à Delegacia Especializada de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Morte na prisão e pedido de investigação
Bárbara Vitória Soares Dias, que estava presa desde fevereiro por tráfico de drogas, morreu na última quarta-feira (13) no presídio feminino em Campo Grande. Segundo o atestado de óbito, a causa da morte foi tuberculose pulmonar. O advogado que a defendia, Ségio dos Santos Franco, contratado cerca de uma semana antes do falecimento, relatou que chegou a solicitar atendimento médico para a detenta na véspera de sua morte, após ela começar a tossir e, segundo informações que obteve, a tossir sangue.
“Ela estava na cela 8 com mais de 30 internas. Eu tinha acabado de ser contratado. Ela começou a tossir à noite e, segundo informações que tive, começou a tossir sangue e foi encaminhada para a unidade de saúde, onde faleceu”, declarou o advogado em entrevista ao Campo Grande News. Bárbara deixa uma filha de 6 anos e um pai de consideração. Sua primeira audiência de instrução e julgamento estava marcada para 9 de junho.
A defesa descreveu o cenário de confinamento como “absolutamente incompatível com a dignidade humana” na petição encaminhada à Justiça. Agora, o advogado pede o arquivamento do processo referente ao tráfico e que a morte seja rigorosamente investigada pelos órgãos competentes, buscando esclarecer as circunstâncias que levaram ao falecimento da jovem dentro do sistema prisional.
Agepen contesta diagnóstico e aponta outra suspeita
Em resposta aos questionamentos da reportagem, a Agepen informou que Bárbara recebeu atendimento imediato após passar mal na manhã da quarta-feira (13). A agência declarou que policiais penais acionaram socorro e a interna foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Coronel Antonino, localizada nas proximidades da unidade prisional. A instituição reforça que todos os protocolos de atendimento foram seguidos.
A Agepen também afirmou que não havia registro de diagnóstico de tuberculose na unidade, e que um exame anterior realizado na detenta teria apresentado resultado negativo para a doença. De acordo com o órgão, a custodiada vivia em situação de rua antes de ingressar no sistema prisional e apresentava um aspecto físico debilitado.
“Antes do ingresso no sistema prisional, a interna já vivia em situação de rua e apresentava aspecto físico debilitado. Não havia registro de diagnóstico de tuberculose na unidade, sendo informado, inclusive, que exame anteriormente realizado havia apresentado resultado negativo para a doença. A causa da morte ainda depende da conclusão do laudo oficial. Entretanto, a suspeita médica preliminar é de possível intoxicação exógena”, diz a nota oficial da Agepen, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.
Detalhes da prisão e pedido de investigação
Bárbara Vitória Soares Dias foi presa em 21 de fevereiro, flagrada com 21 porções de cocaína. Em março, o MPMS a denunciou formalmente por tráfico de drogas. O pedido de investigação feito pelo advogado abrange o Ministério Público Estadual, a Corregedoria da Agepen e a Delegacia Especializada de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O objetivo é apurar se houve negligência ou falhas no atendimento prestado à detenta.
A defesa enfatiza a superlotação da cela onde Bárbara estava, com mais de 30 detentas, como um fator que agrava as condições de saúde e dignidade humana. O caso levanta preocupações sobre as condições de saúde dentro das unidades prisionais e a necessidade de investigações transparentes para garantir a justiça e evitar que situações semelhantes se repitam, como destacado em reportagem do Campo Grande NEWS.
A Agepen aguarda a conclusão dos laudos periciais para o completo esclarecimento dos fatos e reforça seu compromisso em seguir os procedimentos estabelecidos para o atendimento de saúde dos detentos, buscando a verdade dos acontecimentos que levaram ao trágico desfecho da jovem Bárbara Vitória Soares Dias.

