Adriane Lopes prefere acordo a intervenção no transporte e elogia Campo Grande

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), indicou que um acordo com o Consórcio Guaicurus seria uma solução mais favorável do que a intervenção judicial no transporte coletivo. Em entrevista ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News, ela defendeu a busca por concessões mútuas para aprimorar o serviço, que enfrenta críticas pela frota desatualizada e pela infraestrutura dos terminais e ônibus. A prefeita também anunciou um reajuste salarial de 4,39% para cerca de 10 mil servidores administrativos, além de obras de pavimentação orçadas em R$ 250 milhões e destacou o aquecimento econômico da cidade, impulsionado pelo setor imobiliário e pela Rota Bioceânica.

Adriane Lopes busca acordo para o transporte público

Em meio ao prazo para responder à Justiça sobre a estruturação de uma intervenção no contrato do transporte coletivo, Adriane Lopes sinalizou que um acordo com o Consórcio Guaicurus seria mais razoável. A proposta envolve a empresa assumindo investimentos para melhorar a qualidade do serviço, enquanto o Município avaliaria a ampliação do aporte de recursos. Essa discussão surge em um contexto de antigas cobranças por elevação da tarifa técnica, parte coberta pelo poder público para manter o preço do bilhete acessível ao usuário.

A prefeita ressaltou a importância de encontrar uma solução que atenda à população. “O que é melhor para a população da nossa cidade? Eu saio nas ruas de Campo Grande diariamente e sou cobrada sobre as melhorias do transporte público, qualidade dos ônibus, dos terminais”, afirmou. O impasse judicial se intensificou após uma CPI na Câmara de Vereadores apontar irregularidades no contrato, resultando em uma ordem judicial para intervenção.

Adriane Lopes mencionou que cerca de 400 ônibus compõem a frota atual, sendo que 223 já deveriam ter sido substituídos pelo tempo de uso, número que aumenta para 300 no próximo ano. A busca por um acordo, com concessões de ambos os lados, é vista como o caminho para apresentar uma proposta concreta ao juiz responsável pelo caso, conforme apurado pelo Campo Grande News.

Reajuste salarial e projetos sociais em andamento

A gestão municipal também anunciou um reajuste salarial de 4,39% para aproximadamente 10 mil servidores administrativos. Esse percentual contempla aqueles que não haviam sido beneficiados por correções anteriores, como explicou a prefeita. A medida foi possível devido a uma margem aberta no orçamento, decorrente de ações de redução de gastos.

Em relação à saúde, o projeto de construção de um hospital municipal foi desacelerado. A prefeitura já havia licitado e escolhido uma área, mas a adesão ao Plano de Equilíbrio Fiscal (PEF) incluiu o projeto nas negociações com o governo federal para busca de financiamento. A definição sobre a retomada das tratativas ocorrerá em sintonia com a União, com o assunto sob avaliação da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

Por outro lado, com auxílio federal e emendas parlamentares, foram anunciadas iniciativas importantes, como a atenção a crianças com deficiência, visando acelerar diagnósticos e atendimentos, e um mutirão de cirurgias oncológicas e tratamentos. A prefeita também comentou sobre a rejeição na Câmara do plano de terceirizar a gestão de duas unidades de saúde, reforçando a necessidade de aprimorar os serviços existentes.

Investimentos em infraestrutura e desenvolvimento econômico

A recuperação e pavimentação de vias são prioridades para a prefeitura, com o objetivo de reduzir a dependência do serviço de tapa-buracos. Foram confirmados recursos de financiamento de R$ 250 milhões para 22 lotes de obras em todas as regiões da cidade, com quatro já licitados. A expectativa é que as ordens de serviço para as empresas contratadas sejam liberadas já no próximo mês.

Campo Grande tem se destacado no setor imobiliário, atraindo investimentos significativos em construções de diferentes padrões. A prefeita destacou que a cidade se tornou uma “queridinha” para empresários do ramo, impulsionada pela alteração de leis que facilitam o ambiente de negócios. A possibilidade de repassar imóveis cedidos no Prodes (Programa de Desenvolvimento Econômico) para empresas antigas visa ampliar os investimentos dessas beneficiadas.

A expansão dos polos empresariais também está em pauta, diante do potencial logístico gerado pela Rota Bioceânica. Conforme o Campo Grande News checou, a cidade possui um déficit de 30 mil imóveis populares, com 9 mil em construção, evidenciando o dinamismo do mercado. A prefeita citou que a Capital se tornou uma “queridinha” do Brasil no ramo imobiliário, com muitos investimentos novos, tanto em construções na área social quanto em empreendimentos de padrão mais elevado, como informado em sua entrevista ao portal.