Imposto de Petro esmaga lucros de bancos na Colômbia em 2026

Os bancos colombianos apresentaram resultados mistos no primeiro trimestre de 2026. Enquanto nomes como Bancolombia e Davivienda ainda figuram no topo do ranking de lucros, o setor como um todo sentiu o impacto de uma nova taxa sobre a riqueza, implementada pelo governo do presidente Gustavo Petro. Essa medida, embora tenha gerado críticas, evidencia a influência direta das decisões políticas nos balanços corporativos. O Campo Grande NEWS apurou que, apesar das quedas em alguns dos maiores bancos do país, instituições financeiras estrangeiras registraram avanços significativos.

Petro Wealth Tax: O golpe que abalou os lucros bancários na Colômbia

O primeiro trimestre de 2026 trouxe um cenário complexo para o setor bancário colombiano. Conforme dados divulgados pelo regulador financeiro, o Bancolombia liderou os lucros com 1,3 trilhão de pesos colombianos (aproximadamente US$ 350 milhões). No entanto, este valor representa uma queda acentuada de 25,9% em relação ao ano anterior, marcando o pior desempenho trimestral do banco em cinco anos. O Davivienda seguiu na segunda posição, com um lucro de 545 bilhões de pesos (US$ 147 milhões), mas viu seu lucro líquido cair cerca de 45% em comparação com o final de 2025.

A principal causa para essa retração nos lucros, segundo apurou o Campo Grande NEWS, foi a introdução de uma taxa sobre a riqueza, parte de um decreto de emergência econômica emitido pelo presidente Gustavo Petro. A medida visava, inicialmente, arrecadar fundos para auxiliar as vítimas de uma crise de inundações na região de Córdoba. Embora a proposta original tenha sido suavizada após negociações com a associação bancária, transformando-se em compromissos de financiamento e alívio para os afetados, o impacto nos resultados financeiros das instituições foi inegável.

Este cenário contrasta com o desempenho de bancos estrangeiros operando no país. O BBVA Colômbia, por exemplo, viu seu lucro saltar 507,9% para 202 bilhões de pesos (US$ 55 milhões), e o Santander Colômbia registrou um aumento de 222% em seu lucro líquido, alcançando 25 bilhões de pesos (US$ 7 milhões). De um total de 30 bancos atuando na Colômbia, apenas três apresentaram prejuízo: Pichincha, Itau e Lulo Bank, demonstrando a resiliência do setor mesmo sob novas pressões fiscais.

O impacto da nova taxa sobre a riqueza

A taxa sobre a riqueza, embora tenha sido um golpe para os maiores bancos domésticos, não necessariamente reflete uma fragilidade operacional subjacente. Em termos de números operacionais, o setor demonstra solidez. O próprio Bancolombia, apesar da queda no lucro líquido, reportou um crescimento de 6,9% em seus ativos totais, que atingiram 389 trilhões de pesos (US$ 105 bilhões). Sua carteira de crédito expandiu-se 6,5%, e os depósitos de clientes aumentaram 10,4%.

O Grupo Aval, outro gigante financeiro colombiano, também destacou a força de suas operações principais. A presidente da instituição, Maria Lorena Gutierrez, mencionou que, apesar da pressão nas margens devido ao ciclo de aperto monetário e custos de financiamento mais altos, a qualidade dos empréstimos e a eficiência operacional apresentaram melhorias. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o impacto da taxa no Grupo Aval foi significativo, adicionando 312 bilhões de pesos (US$ 84 milhões) em custos operacionais e eliminando 210 bilhões de pesos (US$ 57 milhões) de seus lucros. Sem essa taxação, o lucro teria sido de 546 bilhões de pesos, em vez dos 336 bilhões reportados.

Bancos estrangeiros se destacam em meio à turbulência

O desempenho notavelmente positivo de bancos com capital estrangeiro, como BBVA Colômbia e Santander Colômbia, sugere uma dinâmica competitiva em mudança no mercado. O salto de mais de 500% no lucro do BBVA Colômbia é o maior entre os grandes bancos, enquanto o Santander Colômbia, além do aumento expressivo no lucro líquido, viu sua margem operacional bruta crescer 43%. Esses resultados indicam que a estrutura de custos e a estratégia de expansão dessas instituições podem ter sido menos afetadas pela nova política fiscal.

O Santander Colômbia também anunciou uma mudança em sua liderança. Martha Woodcock deixou a presidência após 28 anos de serviço, sendo sucedida por Marcel Patino Sedan, com a aprovação do regulador. Essa transição ocorre em um momento de forte crescimento para a filial colombiana do banco.

O que esperar para o futuro do setor bancário colombiano

Para investidores e analistas, diversos fatores serão cruciais para observar. A potencial recorrência da taxa sobre a riqueza é uma preocupação central; se for um evento isolado, os lucros dos bancos podem se normalizar. No entanto, uma repetição da medida continuaria a pressionar os maiores bancos domésticos. A qualidade do crédito e os custos de risco também são indicadores importantes da saúde operacional do setor, especialmente em um cenário de taxas de juros elevadas.

As eleições de 31 de maio representam outro ponto de atenção, pois uma mudança de governo poderia alterar a postura fiscal e regulatória em relação aos bancos. Além disso, o acompanhamento do momentum dos bancos estrangeiros, como BBVA e Santander Colômbia, ajudará a entender se seus ganhos expressivos são sustentáveis e se indicam uma real mudança no equilíbrio competitivo. A estratégia de expansão regional do Bancolombia, incluindo suas apostas digitais como Nequi e Wenia, também moldará seu crescimento futuro, indo além das fronteiras colombianas.