Apesar das filas quilométricas vistas em mutirões para a emissão da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) em Campo Grande, o sistema de agendamento em Mato Grosso do Sul enfrenta um desafio inesperado: cerca de 30% dos agendados não comparecem aos postos. Essa alta taxa de absenteísmo contribui para a percepção de falta de vagas, enquanto milhares de horários permanecem ociosos diariamente.
Vagas sobrando para nova identidade: o paradoxo em MS
O Instituto de Identificação de Mato Grosso do Sul divulgou números que revelam um cenário surpreendente: há disponibilidade de vagas para a emissão da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) em praticamente todos os dias úteis. Em Campo Grande, são cerca de mil atendimentos diários, e no interior do estado, até 1,3 mil vagas são oferecidas diariamente. O principal obstáculo, segundo o órgão, não é a falta de estrutura, mas sim a expressiva **taxa de 30% de faltas** entre os cidadãos que agendaram seus atendimentos.
Daniel Ferreira Freitas, diretor do Instituto de Identificação da Polícia Científica, explicou que o alto número de ausências acaba gerando uma percepção equivocada de escassez de vagas. Essa situação se torna mais evidente após eventos como o mutirão realizado no último sábado (16), que reuniu centenas de pessoas em busca do documento, como noticiou o Campo Grande NEWS.
“Acho que o grande problema mesmo é o não comparecimento. As vagas são preenchidas, mas hoje cerca de 30% da população que agenda não comparece para fazer a confecção da identidade”, afirmou Daniel Ferreira Freitas. Ele ressalta que os mutirões são pensados para públicos específicos, como aqueles com dificuldade de comparecer durante o horário comercial ou de acessar o sistema online.
Desmistificando a falta de vagas para a CIN
Contrariando a impressão de dificuldade, o diretor do Instituto de Identificação enfatiza que a população não precisa aguardar por ações extraordinárias para obter a nova CIN. Atualmente, o sistema de agendamento oferece oportunidades com frequência, permitindo que muitos cidadãos consigam marcar seus atendimentos para o mesmo dia ou para poucos dias adiante. Essa disponibilidade é um reflexo do esforço do governo em expandir a capacidade de emissão.
Desde janeiro de 2024, Mato Grosso do Sul já emitiu aproximadamente 780 mil novas identidades, um volume que praticamente triplicou a média mensal anterior. O mês de janeiro de 2024, inclusive, registrou um recorde histórico com mais de 36 mil carteiras emitidas em um único mês, o maior número desde a criação administrativa do estado em 1979. Essa demanda crescente impulsionou a ampliação de postos, contratação de pessoal e extensão de horários de atendimento, como detalhado pelo Campo Grande NEWS.
Avanços tecnológicos e segurança na nova identidade
A nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), instituída pelo Governo Federal, representa um marco na identificação civil brasileira. Sua principal inovação é a **unificação do CPF como número único de identificação**, eliminando a necessidade de múltiplos documentos em diferentes estados. Além disso, a CIN incorpora recursos de segurança aprimorados, como o QR Code para validação via aplicativo do Ministério da Justiça e o MRZ (código de leitura mecânica), similar ao utilizado em passaportes.
O documento também conta com uma versão digital integrada à plataforma Gov.br e pode incluir informações opcionais, como a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), carteira de trabalho, tipo sanguíneo, PIS/Pasep e nome social. Essa modernização visa conferir maior praticidade e segurança aos cidadãos, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Atendimento prioritário e domiciliar: inclusão garantida
Mesmo com o sistema de agendamento, o Instituto de Identificação de Mato Grosso do Sul assegura que cidadãos com urgências comprovadas podem buscar atendimento direto nos postos. Casos relacionados a concursos públicos, tratamentos de saúde, perícias médicas e aposentadoria são considerados prioritários. Adicionalmente, o órgão oferece atendimento domiciliar e hospitalar para pessoas acamadas ou com dificuldades de locomoção, mediante solicitação familiar.
Caravanas e mutirões específicos continuam sendo realizados para atender populações vulneráveis, como indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pessoas em situação de rua e moradores de assentamentos. Ações em instituições sociais e casas de acolhimento também são realizadas para garantir o acesso ao documento, que é considerado a porta de entrada para a cidadania. Um novo atendimento especial em Campo Grande está previsto para o final de junho.

