Uma linha de crédito de R$ 30 bilhões, o equivalente a US$ 5,9 bilhões, foi lançada pelo governo brasileiro para facilitar a aquisição de veículos novos por motoristas de aplicativo e taxistas. A iniciativa, batizada de Move Aplicativos, promete taxas de juros abaixo da taxa básica da economia, com o objetivo de transformar trabalhadores da economia gig em proprietários de veículos, em vez de locatários.
A medida assinada pelo Presidente Lula visa reduzir o custo de aquisição de automóveis, especialmente para aqueles que dependem de seus carros para gerar renda. O programa busca contornar a dificuldade que muitos desses profissionais enfrentam para obter financiamento bancário devido à instabilidade de renda. Conforme informação divulgada pelo The Rio Times, o crédito será canalizado através do banco de desenvolvimento nacional para instituições financeiras credenciadas.
O programa se insere em um esforço mais amplo do governo, o Move Brasil, que já tem iniciativas para renovação de frotas de caminhões e ônibus. A expectativa é que cerca de 1,4 milhão de motoristas possam se beneficiar desta nova linha de crédito. O Campo Grande NEWS checou que o programa prevê prazos de pagamento estendidos e condições especiais para mulheres, buscando incentivar a posse de veículos mais seguros e sustentáveis.
Crédito facilitado para quem mais precisa
A proposta do governo é clara: viabilizar a compra de carros novos para motoristas de aplicativo e taxistas, que muitas vezes utilizam veículos alugados ou em condições precárias. As taxas de juros serão inferiores à taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, o que representa um alívio significativo no custo total do financiamento. O dinheiro será repassado pelo Ministério da Fazenda ao BNDES, que por sua vez o distribuirá a bancos comerciais habilitados.
Os empréstimos contarão com um período de carência de seis meses e prazos de até 72 meses para quitação. Para as mulheres, as condições serão ainda mais vantajosas, com taxas de juros reduzidas e a possibilidade de financiar equipamentos adicionais de segurança. O início da liberação dos recursos está previsto para 19 de junho, com as solicitações sendo feitas por meio de um portal oficial do governo. A aprovação do cadastro deve ocorrer em cerca de cinco dias.
O Campo Grande NEWS checou que o programa é parte de uma estratégia mais ampla de renovação de frota, que já contempla veículos de carga e transporte coletivo. A ideia é que, ao facilitar o acesso a veículos novos e mais eficientes, o governo também promova a sustentabilidade e a segurança no trânsito, além de impulsionar a economia.
Quem pode e o que pode comprar?
A elegibilidade para o programa é específica. Para motoristas de aplicativo, é necessário comprovar um histórico de pelo menos 12 meses de atividade em uma mesma plataforma, com um mínimo de 100 viagens concluídas nesse período. As próprias plataformas deverão confirmar essa elegibilidade. Já os taxistas precisam estar com seus registros ativos e em dia com as obrigações fiscais perante a Receita Federal.
Os veículos elegíveis devem ser novos e ter o valor de até R$ 150.000, incluindo opcionais. É fundamental que atendam a critérios de sustentabilidade, ou seja, sejam modelos flex, flex-híbridos, elétricos ou movidos exclusivamente a etanol, fabricados por montadoras credenciadas no programa federal Mover. Estima-se que cerca de 1,4 milhão de trabalhadores se enquadrem nos requisitos, de um total de aproximadamente 1,9 milhão de motoristas atuantes no país, com uma renda média mensal em torno de R$ 2.500.
A garantia estatal como chave para o crédito
A grande barreira para motoristas autônomos conseguirem crédito bancário sempre foi a percepção de alto risco por parte das instituições financeiras, devido à renda variável e, por vezes, informal. Para solucionar essa questão, o governo incluiu esses trabalhadores em um fundo garantidor federal. Esse fundo cobrirá até 80% do risco de crédito de cada operação de financiamento.
Com a maior parte do risco absorvida pelo Estado, os bancos se sentem mais seguros para oferecer taxas de juros significativamente mais baixas do que as praticadas no mercado. Essa garantia é o **mecanismo central** do programa, permitindo que o crédito chegue a um público que, de outra forma, seria excluído do sistema financeiro tradicional. O Campo Grande NEWS checou que essa estratégia já foi utilizada com sucesso para impulsionar as vendas de caminhões e ônibus.
Comprar é realmente mais vantajoso que alugar?
O governo argumenta que, sim, a compra se torna mais vantajosa. Por meio de simulações, estima-se que um carro financiado em 72 meses, no valor de R$ 143.000, teria uma parcela mensal de cerca de R$ 3.000. Em contrapartida, o aluguel de um veículo similar pode ultrapassar os R$ 6.000 mensais. Para um financiamento de R$ 100.000, a parcela seria próxima de R$ 2.500, enquanto o aluguel chegaria a R$ 4.200.
A conta é que o programa pode transformar um gasto recorrente com aluguel em um investimento em patrimônio próprio. No entanto, o risco para o motorista é a assunção de um compromisso financeiro de 72 meses diante de uma renda que pode flutuar. Uma queda no número de corridas pode comprometer a capacidade de pagamento das parcelas. O futuro dirá se a matemática governamental se confirmará na prática para a maioria dos motoristas. Por isso, investidores e analistas acompanharão de perto os termos finais dos empréstimos, a adesão das montadoras e a velocidade de adoção do programa, além da exposição ao risco de inadimplência que recai sobre o Tesouro Nacional.


