Prata dispara 1.9%, Ouro está parado e Juros dos EUA batem recorde

Em um dia de movimentos contrastantes nos mercados de metais preciosos, a prata registrou uma valorização expressiva de 1,90%, alcançando os US$ 75,03. Em contrapartida, o ouro manteve-se praticamente estável, fechando em US$ 4.482,79. A disparada dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos, que atingiram o maior patamar em 16 meses, próximo a 4,7%, atuou como um freio para o ouro, um ativo que não oferece rendimento. Por outro lado, a prata, com sua forte ligação com a indústria e impulsionada por notícias relacionadas ao acordo com o Irã, demonstrou resiliência.

Conforme as informações divulgadas, a divergência entre os metais preciosos foi o principal destaque do pregão. A prata, com sua maior sensibilidade às oscilações do mercado (beta maior), conseguiu impulsionar seus ganhos, enquanto o ouro permaneceu contido pela pressão dos juros. Essa dinâmica resultou na compressão da relação ouro/prata.

O principal fator macroeconômico que influenciou os mercados foi a trajetória das taxas de juros. O rendimento do título de 10 anos atingiu um pico de 16 meses, aproximando-se de 4,7%, e o de 30 anos alcançou um recorde em 18 meses, perto de 5,2%. Essa escalada foi alimentada por um cenário inflacionário robusto, com a elevação dos preços do petróleo, o índice de preços ao consumidor (CPI) de abril em 3,8% e um índice de preços ao produtor (PPI) aquecido. Taxas de juros restritivas aumentam o custo de oportunidade de se deter ouro, que não gera rendimento, limitando assim sua valorização.

Prata mostra força com múltiplos fatores

A prata, que possui uma demanda tanto industrial quanto monetária, apresentou um beta de 1,5 a 2 vezes em relação ao ouro. Após uma queda acentuada de aproximadamente 10 vezes mais que o ouro durante o choque de 15 de maio, o metal branco encontrou maior espaço para recuperação. A suspensão do ataque ao Irã aliviou o pânico inflacionário, e a prata, com seu beta mais elevado, se beneficiou desse alívio. O indicador MACD da prata apresentou um histograma positivo, cruzando acima da linha de sinal, indicando momentum de alta pela primeira vez desde o evento de 15 de maio. O RSI da prata estava em 45,59, recuperando-se em direção a níveis neutros.

Ouro limitado pela alta dos juros e cenário inflacionário

Em contraste, o ouro viu seu indicador MACD permanecer negativo, embora em estreitamento, em -15,05. Seu RSI estava em 36,89, próximo a níveis de sobrevenda. O ouro fechou em US$ 4.482,79, abaixo de sua nuvem de referência, com a resistência da linha Kijun em US$ 4.620 e o suporte do fundo da nuvem em US$ 4.359. A alta dos juros dos títulos do Tesouro americano, com o de 10 anos em um pico de 16 meses, elevou o custo de oportunidade de manter o ouro, limitando seu potencial de valorização. As expectativas do mercado agora precificam cerca de 40% de chance de um aumento nas taxas em 2026, em vez de um corte. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o cenário de ouro estagnado em US$ 4.483 representa um padrão de espera, não uma base sólida, aguardando por uma mudança na inflação ou nos rendimentos.

O que esperar para os próximos movimentos?

A divergência entre ouro e prata é vista como um sinal claro da semana. O ouro está atrelado ao caminho das taxas de juros. Com o rendimento de 10 anos em um máximo de 16 meses e cortes em 2026 praticamente descartados, o ouro não-rendimento carece de um catalisador. A próxima grande referência será o ponto de dados do FOMC de junho, potencialmente o primeiro sob a liderança de Warsh, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS. A prata, por sua vez, apresenta uma perspectiva mais construtiva no curto prazo, com o MACD virando para o positivo e o RSI recuperando-se. No entanto, ainda permanece abaixo de sua nuvem e da linha Kijun de US$ 77,36, indicando um rali dentro de uma tendência de baixa até que esses níveis sejam superados. O suporte estrutural de ambos os metais, como a compra de ouro por bancos centrais e o déficit de oferta de prata, permanece intacto sob a pressão impulsionada pelas taxas.

Próximos catalisadores e o futuro dos metais

Os próximos eventos a serem observados incluem a divulgação da ata do FOMC de abril, que pode estender a alta dos juros caso apresente detalhes hawkish, ou oferecer alívio se houver dissidências dovish. O risco geopolítico relacionado ao Irã também será crucial: um acordo confirmado pode aliviar a pressão sobre o petróleo e os juros, beneficiando ambos os metais. Por outro lado, um colapso nas negociações pode reaquecer o petróleo e prejudicar o ouro. A trajetória do rendimento de 10 anos será um termômetro importante, com uma queda abaixo de 4,5% oferecendo alívio para o ouro, enquanto a manutenção acima de 4,7% continuará a pressionar o metal. O ponto de dados do FOMC em junho será o próximo pivot macroeconômico, com um cenário hawkish potencialmente precificando os metais para baixo, enquanto um sinal de manutenção com cortes pode destravar uma recuperação. Conforme analisado pelo Campo Grande NEWS, a superação da resistência de US$ 77,36 na prata confirmaria a reversão, enquanto a queda do ouro abaixo de US$ 4.359 abriria caminho para novas baixas.