A Margem Equatorial, nova fronteira de exploração de petróleo no litoral norte do Brasil, pode se revelar um tesouro comparável ao pré-sal. Segundo Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), estudos geológicos e mapeamentos da plataforma continental indicam um potencial na região que é “muito semelhante ao pré-sal”. Essa declaração, feita em entrevista ao Canal Livre da Band, representa o mais alto endosso governamental brasileiro sobre a importância estratégica dessa área. As descobertas, se confirmadas, podem transformar novamente o Brasil em um gigante global da produção de petróleo.
Margem Equatorial: aposta bilionária com potencial para mudar o jogo do petróleo
A Margem Equatorial é uma vasta área que se estende por aproximadamente 560.000 km² ao longo da costa brasileira, abrangendo os estados do Amapá ao Rio Grande do Norte. Ela é composta por cinco bacias sedimentares offshore: Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Ceará, Barreirinhas e Potiguar. A expectativa é que essa região possa conter entre 7,5 a 10 bilhões de barris de petróleo recuperável, segundo projeções do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Isso significaria um aumento expressivo nas reservas brasileiras, que hoje giram em torno de 15 bilhões de barris. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que apenas a bacia de Foz do Amazonas possa deter cerca de 5,7 bilhões de barris, o que aumentaria as reservas provadas brasileiras em 34% e as da Petrobras em 58%.
O presidente do BNDES ressaltou que a confirmação de uma reserva depende da perfuração e da constatação do petróleo. “Só é possível confirmar uma reserva quando a broca atinge o petróleo”, disse Mercadante, enfatizando que o potencial geológico precisa ser validado. Ele considera que faz todo o sentido prospectar e descobrir o que existe na região, para depois definir os melhores mecanismos de produção. A Petrobras planeja perfurar 15 poços na Margem Equatorial até 2029, com um investimento previsto de cerca de R$ 15,2 bilhões. A empresa é a operadora única após a saída de Total e BP, que deixaram o consórcio em meio a dificuldades de licenciamento ambiental.
O Paralelo com a Geologia da Guiana
A semelhança geológica com a Guiana é um dos fatores que mais animam os especialistas. A região da Margem Equatorial brasileira compartilha a mesma província geológica que tem rendido descobertas monumentais na Guiana, onde a ExxonMobil, desde 2015, encontrou mais de 11 bilhões de barris de petróleo. A Guiana se transformou rapidamente em um dos maiores produtores mundiais, com uma produção que já ultrapassa 650.000 barris por dia. A expectativa é que o Brasil possa replicar esse sucesso.
O primeiro poço a ser perfurado na área, batizado de “Morpho”, na bacia de Foz do Amazonas, deve ter seus resultados iniciais divulgados em cerca de cinco meses após o início das operações, previsto para outubro de 2025. Se as projeções se confirmarem, a Margem Equatorial poderia produzir cerca de 1 milhão de barris por dia até 2029-2030, um acréscimo significativo aos atuais 3,5 milhões de barris diários produzidos pelo Brasil. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa nova fronteira de exploração, juntamente com a expansão do pré-sal dea, representa os maiores compromissos de exploração no Plano Estratégico da Petrobras para o período de 2026 a 2030.
Licenciamento Ambiental e Críticas
A aprovação da perfuração pela Petrobras na bacia de Foz do Amazonas, em outubro de 2025, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), encerrou uma disputa de licenciamento que durou cinco anos. Mercadante defendeu a exploração, rebatendo críticas sobre riscos ambientais. Ele afirmou que “é preciso combater o negacionismo em todas as áreas, e é com argumento científico que você pode rebatê-lo”. O presidente do BNDES destacou que nunca houve um acidente da Petrobras em atividades de prospecção e que as tecnologias modernas de exploração possuem múltiplos mecanismos de prevenção e contenção.
O BNDES, inclusive, está cofinanciando, ao lado da Marinha do Brasil, um programa de mapeamento da plataforma continental que tem gerado os dados geológicos que embasam as avaliações otimistas. A questão ambiental, no entanto, permanece como um ponto de atenção, especialmente com o Brasil sediando a COP30 em Belém, em novembro de 2025. A expansão da exploração de petróleo e a diplomacia climática simultâneas têm gerado escrutínio internacional. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o ano de 2026 será crucial para a tese da Margem Equatorial, com os primeiros resultados dos poços previstos para serem divulgados.
Potencial e Riscos da Margem Equatorial
A Margem Equatorial detém um potencial estimado entre 5,7 e 10 bilhões de barris, com a bacia de Foz do Amazonas sozinha representando um aumento de 34% nas reservas brasileiras. A similaridade geológica com a Guiana, onde a ExxonMobil já descobriu 11 bilhões de barris, reforça a confiança na região. A Petrobras, como operadora única, teria a captura de todo o valor em caso de descobertas bem-sucedidas. No entanto, o aviso de Mercadante sobre a necessidade de a “broca atingir o petróleo” é um lembrete de que as reservas ainda não são confirmadas.
A saída de Total e BP do consórcio levanta questões sobre o risco de licenciamento percebido pelas grandes empresas estrangeiras. Além disso, a incerteza sobre a demanda estrutural por petróleo em 2030 e além, em um contexto de transição energética, adiciona uma camada de risco ao investimento de longo prazo. A Margem Equatorial representa, portanto, uma aposta de alto risco e alta recompensa para o Brasil, com potencial para redefinir o cenário energético global.


