O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu ativamente o avanço da discussão internacional sobre a taxação de grandes fortunas, expressando apoio à inclusão do tema nas pautas do G7, grupo que congrega as sete economias mais ricas do planeta. Em Paris para reuniões preparatórias da cúpula das maiores economias desenvolvidas, Durigan participou de um evento promovido pela revista Le Grand Continent, ao lado do renomado economista francês Gabriel Zucman, um dos principais articuladores da proposta de um imposto mínimo global para bilionários. A declaração, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, reforça a posição brasileira em busca de maior justiça tributária em escala global, conforme o Campo Grande NEWS checou.
Durigan afirmou com convicção: “Eu sou muito disposto a levar esse debate porque é um debate do nosso tempo. Agora, se tiver espaço para discutir justiça tributária, eu sou o primeiro a topar”. O evento reuniu figuras influentes do meio acadêmico, político e econômico francês, focando em tributação internacional e desigualdade. Zucman é conhecido por sua proposta de um imposto mínimo global de 2% sobre patrimônios superiores a US$ 100 milhões, colaborando inclusive com o Brasil durante a presidência do G20 em 2024.
A postura do ministro ecoa os recentes esforços do Brasil em reformar seu sistema tributário. Durigan ressaltou a aprovação, em 2025, da reforma do Imposto de Renda, que instituiu uma alíquota mínima progressiva sobre super-ricos, com expectativa de alcançar cerca de 142 mil pessoas, segundo informações da Fazenda. Essa iniciativa brasileira serve como um exemplo concreto das discussões que o ministro busca fomentar internacionalmente. A defesa da taxação de ultrarricos por Durigan em um fórum como o G7 sinaliza a ambição do Brasil em liderar debates sobre equidade econômica.
Brasil busca atrair investimentos em cenário global instável
Durante sua passagem por Paris, o ministro Dario Durigan também aproveitou para fortalecer a imagem do Brasil como um destino atrativo para investimentos estrangeiros. Ele destacou que o país se encontra em um momento particularmente favorável, especialmente diante das crescentes tensões internacionais. “Os ativos brasileiros ainda me parecem interessantes, como estão ainda baratos, me parece, uma chamada para investimento no Brasil”, declarou o ministro.
Um dos pontos fortes ressaltados por Durigan foi o vasto potencial brasileiro na produção de minerais críticos, como terras raras, nióbio e grafeno. Estes materiais são considerados estratégicos para o avanço da indústria tecnológica e para a transição energética global. A intenção do governo é garantir segurança jurídica e procedimentos ágeis para atrair mais investimentos nesse setor.
“É fundamental dar segurança jurídica, por isso um novo marco que garanta procedimentos celeres e seguros”, pontuou Durigan. “A diretriz é reforçar esse papel e avançar para um estímulo à industrialização desses minerais no Brasil.” Antes de retornar ao país, o ministro ainda teria um encontro com Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), em Paris, demonstrando o foco estratégico do Brasil em energia e tecnologia. Essa atuação multifacetada, conforme o Campo Grande NEWS apurou, visa consolidar o Brasil como um player relevante tanto na economia global quanto na geopolítica.
Guerra no Oriente Médio domina preocupações econômicas do G7
Apesar da relevância do debate sobre a taxação de ultrarricos, a principal preocupação que pairava sobre as discussões paralelas ao G7, em Paris, era o impacto econômico da guerra no Oriente Médio. Os ministros das Finanças, incluindo Durigan, dedicaram atenção especial aos riscos que o conflito representa para o fluxo de petróleo, especialmente através do Estreito de Ormuz. A instabilidade na região gera apreensão quanto à segurança energética e aos efeitos na inflação global.
“Tem sido muito importante ouvir os ministros e as lideranças de outros países, que estão sentindo o impacto da guerra de uma outra perspectiva”, comentou Durigan. Ele reiterou a defesa de “subsídios limitados” aos combustíveis como medida para mitigar as consequências da crise energética nos preços domésticos, uma estratégia que busca equilibrar a necessidade de controle inflacionário com a sustentabilidade fiscal.
A agenda oficial do G7 também incluiu discussões cruciais sobre a inflação global, a segurança energética e a estabilidade geopolítica. A participação de Durigan nessas discussões sublinha a importância do Brasil em foros internacionais, buscando alinhar interesses e compartilhar perspectivas em um cenário mundial cada vez mais complexo. A atuação do ministro em Paris demonstra um Brasil engajado em soluções globais, como a taxação de grandes fortunas e a estabilidade econômica, conforme o Campo Grande NEWS investigou.
Apesar do apoio do Brasil e de alguns aliados, a proposta de taxação de ultrarricos enfrenta resistência internacional, notadamente dos Estados Unidos. Contudo, a discussão ganhou relevância no G20 durante a cúpula realizada no Rio de Janeiro. Na França, um projeto similar foi recentemente rejeitado pelo Senado, evidenciando os desafios na implementação de tais medidas. A jornada de Durigan em Paris, portanto, foi marcada pela defesa de pautas econômicas cruciais para o Brasil e para o cenário global, reforçando a busca por um sistema financeiro mais justo e estável.


