Argentina lança Plano ARMA e Peru enfrenta crise no contrato de F-16

A cena de defesa na América Latina entrou em uma nova fase de endurecimento entre 2 e 15 de maio. Três governos redefiniram suas estratégias de aquisição militar, enquanto um grupo de porta-aviões dos Estados Unidos reposicionou-se no Caribe, quatro meses após a captura de Nicolás Maduro. A Argentina, sob a liderança de Javier Milei, implementou o Plano ARMA, uma reforma financeira significativa para o setor de defesa. Paralelamente, o Peru mergulhou em uma crise constitucional devido a um contrato de caças F-16.

Esses eventos, conforme detalhado pelo Latin America Defense Monitor, indicam uma reconfiguração das prioridades e capacidades militares na região. A chegada do grupo de batalha do USS Nimitz ao Caribe também sinaliza um reforço da presença militar americana na área, com implicações estratégicas importantes.

A análise da situação é complexa, envolvendo desde a reestruturação financeira até disputas políticas internas e a cooperação militar internacional. As decisões tomadas neste período moldarão o cenário de defesa latino-americano nos próximos meses.

Argentina revoluciona financiamento da defesa com Plano ARMA

Em 4 de maio, o presidente argentino Javier Milei sancionou o Decreto 314/2026, que estabelece o Plano ARMA (Plano Argentino de Adaptação e Reequipamento Militar). Esta iniciativa destina até 70% das receitas provenientes da venda de ativos militares e 10% das vendas de ativos estatais não militares para o orçamento da defesa. A medida representa a reforma mais substancial no financiamento de aquisições militares desde o retorno da democracia em 1983.

O plano complementa o Fundo Nacional de Defesa (FONDEF) existente, criando um novo fluxo de recursos atrelado à agenda de privatizações. O objetivo é modernizar as capacidades operacionais das Forças Armadas argentinas. A eficácia do plano dependerá da agilidade nas operações de venda de ativos e da priorização dos projetos de defesa.

Peru em crise: contrato de F-16 vira disputa constitucional

O contrato de US$ 3,5 bilhões para a aquisição de 24 caças F-16 Block 70 pela Força Aérea Peruana, assinado em 20 de abril, tornou-se um centro de controvérsia. Em 3 de maio, o presidente José María Balcázar declarou que o contrato foi concedido sem licitação pública e que ele não foi informado sobre os detalhes. A decisão de declarar o contrato como segredo de Estado em março gerou indignação e levou à renúncia dos ministros da Defesa e das Relações Exteriores.

A Lockheed Martin já recebeu um adiantamento de US$ 462 milhões. A declaração do presidente abre a possibilidade de revisão ou até mesmo cancelamento do acordo, gerando incerteza sobre o futuro da modernização da força aérea peruana. A situação é acompanhada de perto por observadores internacionais, conforme reportado pelo Campo Grande NEWS.

Presença dos EUA no Caribe se intensifica com chegada de porta-aviões

O Grupo de Batalha do Porta-Aviões USS Nimitz (CSG-11) chegou ao Caribe, reforçando a presença militar dos Estados Unidos na região. A República Dominicana estendeu o acesso do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) até 31 de outubro, permitindo operações aéreas em bases estratégicas. Este acordo foi anunciado junto com a designação do Hezbollah e da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) como organizações terroristas.

A extensão do acesso do SOUTHCOM, sob a iniciativa “Escudo das Américas”, autoriza aeronaves americanas a realizar reabastecimento, transporte de equipamentos e rotação de pessoal. A movimentação do USS Nimitz, que realizou exercícios com a Marinha brasileira, sugere uma nova fase na Operação Southern Spear, alinhada com as designações de ameaças dos EUA e Israel.

Embraer avança em negociações para o C-390 na América Latina

A Embraer confirmou, em 11 de maio, que está em negociações ativas com as Forças Aéreas da Colômbia e do Chile para a venda do seu cargueiro militar C-390 Millennium. Na Colômbia, um pedido presidencial para duas unidades já havia sido emitido em março, após um trágico acidente aéreo. No Chile, a empresa busca consolidar um acordo após demonstrações na feira FIDAE.

A capacidade de produção da Embraer é um fator chave, com planos de escalar a fabricação para dez unidades anuais até 2030. Uma aquisição por parte da Colômbia e Chile consolidaria o C-390 como o principal substituto regional para as frotas de C-130H envelhecidas, um mercado onde o Brasil é atualmente o único operador. A notícia foi destacada pelo Campo Grande NEWS, que acompanha de perto o desenvolvimento do setor aeronáutico na região.