Argentina: Mercado Abala 1,42% Antes de Dados Cruciais de Inflação de Abril

O mercado de ações argentino, representado pelo S&P Merval, registrou uma queda de 1,42% nesta terça-feira (12 de maio de 2026), revertendo parte dos ganhos obtidos na sessão anterior. O índice fechou em 2.792.993 pontos, operando próximo ao nível de suporte de 2.749.913, conhecido como “piso de capitulação”, em antecipação à divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de abril pelo INDEC, agendada para as 16h de Buenos Aires. Um resultado abaixo de 3% seria o primeiro em onze meses e poderia impulsionar o índice, enquanto uma leitura acima desse patamar retestaria a zona de incerteza. Conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS, essa volatilidade reflete a cautela dos investidores diante de dados econômicos cruciais.

Mercado em Suspenso Aguarda Inflação

A sessão de terça-feira foi marcada por um movimento de aversão ao risco, com o S&P Merval perdendo 40.127 pontos. A queda de 1,42% apagou aproximadamente metade do rali de reversão de 2,31% registrado na segunda-feira. O índice abriu em 2.833.120 pontos, testou brevemente a resistência próxima ao topo da nuvem de preços, mas logo cedeu, fechando abaixo da média móvel de 50 dias, que agora atua como resistência. Essa dinâmica técnica sugere um cenário neutro, pendente de um catalisador binário.

A estrutura técnica do mercado mudou de uma reversão otimista para um estado de espera. O MACD histograma mostrou uma leve melhora, mas a linha MACD permanece em cruzamento negativo com a linha de sinal. O Índice de Força Relativa (RSI) se mantém abaixo da linha neutra de 50, indicando um mercado aguardando um evento decisivo.

O “piso de capitulação” do índice, testado em duas ocasiões anteriores nos níveis de 2.749.913 a 2.754.976, encontra-se apenas 1,4% abaixo do fechamento de terça-feira. A linha de tendência ascendente desde janeiro, em 2.603.419, representa o suporte macro mais robusto para o índice. A expectativa agora se volta para a divulgação do IPC de abril, que determinará a próxima direção do mercado. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a volatilidade é esperada.

O Impacto da Inflação nos Índices Argentinos

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de abril, a ser divulgado pelo INDEC nesta quarta-feira às 16h, é o principal fator que influenciará os próximos movimentos do mercado. A trajetória recente da inflação tem sido um ponto de atenção: janeiro registrou +2,9%, fevereiro +2,9% e março +3,4%. Pesquisas do Banco Central da República Argentina (BCRA) e da Moody’s Analytics projetam a inflação anual para 2026 em torno de 28% a 29,1%.

Um resultado mensal inferior a 3% seria o primeiro em onze meses e confirmaria o pico de março como um evento sazonal. Esse cenário otimista poderia impulsionar o S&P Merval do seu piso de capitulação em direção ao topo da nuvem de preços, em 2.895.000, e eventualmente para o nível psicológico de 3.000.000. Por outro lado, uma leitura igual ou superior a 3% indicaria um platô na desinflação, estendendo o cenário de inflação alta pelo décimo primeiro mês consecutivo e levando a um terceiro teste da zona de capitulação.

Desempenho do Mercado e Setores em Destaque

O setor de energia foi o único ponto positivo em uma sessão marcada pela desvalorização pré-divulgação do IPC. As ações da YPF registraram alta impulsionadas pela valorização do Brent, enquanto Pampa Energía e Vista Energy mantiveram a narrativa de produção em Vaca Muerta. Nomes defensivos como Mercado Libre e Cresud também fecharam em leve alta, com alocações institucionais migrando para ativos de menor beta.

Em contrapartida, os nomes associados à tese de desinflação do governo Milei lideraram a queda. Banco Macro, Grupo Galicia e BBVA Argentina, considerados proxies de alto beta para a tese de desinflação, reverteram a maior parte dos ganhos do dia anterior. Telecom Argentina e Transportadora de Gas del Sur também seguiram a tendência de aversão ao risco. A relação de avanço/declínio inverteu-se completamente, com cerca de 80% dos componentes do Merval em queda, indicando uma sessão de desrisco, e não uma rejeição fundamental da tese de desinflação.

Análise Técnica e Perspectivas Futuras

A análise técnica do S&P Merval revela uma barra de baixa significativa na terça-feira, com o fechamento abaixo da média móvel de 50 dias, que agora representa resistência. O momento ainda não se reverteu positivamente, com indicadores como MACD e RSI apontando para um mercado em espera por um catalisador.

O nível de suporte mais crítico é o piso de capitulação entre 2.749.913 e 2.754.976. Uma terceira ruptura desse nível, combinada com um IPC elevado, seria a maior quebra técnica do ano e abriria caminho para a linha de tendência ascendente em 2.603.419. Caso o IPC venha abaixo de 3%, o mercado pode impulsionar em direção a 2.895.293 e, posteriormente, a 3.000.000. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, o cenário é de alta volatilidade.

Para o futuro, além do IPC de abril, os investidores estarão atentos aos dados de PPI dos EUA, ao programa de compra de reservas do BCRA e às próximas parcelas do acordo com o FMI. A tese estrutural de crescimento da Argentina, projetado em 3,6% para 2026 pelo Banco Mundial, permanece intacta, mas a volatilidade do IPC torna o Merval uma posição de alta variância em qualquer alocação na América Latina.