Mato Grosso do Sul encerrou a colheita da safra 2025/2026 de soja com um expressivo aumento de 26,3% na produção, atingindo a marca de 17,759 milhões de toneladas. O resultado é ainda mais notável considerando que mais de 640 mil hectares no sul do estado foram afetados pela estiagem. A produtividade média revisada alcançou 61,73 sacas por hectare, superando as expectativas iniciais.
Esses dados foram divulgados pela Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) em seu boletim mais recente. A publicação também traz projeções para o milho segunda safra, que ocupa 2,206 milhões de hectares, com uma estimativa de 11,139 milhões de toneladas, representando uma queda de 20,1% em relação ao ciclo anterior, considerado excepcional. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a entidade reforça a resiliência do setor agrícola do estado, mesmo diante de adversidades climáticas.
A área total cultivada com soja nesta safra foi de 4,794 milhões de hectares. O levantamento da Aprosoja/MS, que envolveu o monitoramento de 937 mil hectares em 713 levantamentos de campo, revisou a média estadual de produtividade para 61,73 sacas por hectare. Essa consolidação de dados, conforme o Campo Grande NEWS apurou, demonstra a precisão nas informações agrícolas divulgadas pela associação.
Impacto da seca e recuperação regional
Flávio Aguena, assessor técnico da Aprosoja, explicou que o ciclo de produção apresentou desempenhos distintos entre as regiões. “Tivemos um cenário bastante positivo no início da safra, mas os veranicos registrados entre janeiro e fevereiro afetaram principalmente a região sul do Estado”, afirmou. Ele destacou que, apesar dos desafios, áreas do norte e nordeste do estado conseguiram manter produtividades elevadas, o que foi crucial para o resultado geral.
Em dezembro de 2025, mais de 75% das lavouras de soja apresentavam boas condições. No entanto, o início de 2026 trouxe períodos prolongados de estiagem e altas temperaturas, reduzindo o potencial produtivo em municípios do sul, como Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai, que enfrentaram mais de 20 dias consecutivos sem chuvas significativas.
Apesar das perdas localizadas, o norte e o nordeste do estado foram os grandes responsáveis por elevar a média estadual. Alcinópolis liderou o ranking de produtividade, com uma média impressionante de 85,06 sacas por hectare, seguida por Costa Rica (78,73 sacas) e Chapadão do Sul (76,75 sacas). Outros municípios como Brasilândia, Aral Moreira, Três Lagoas, Nova Alvorada do Sul, São Gabriel do Oeste e Ponta Porã também registraram produtividades acima da média estadual.
Milho segunda safra: projeções e desafios
O plantio do milho segunda safra foi concluído na última semana de abril, após 16 semanas de operação, em uma área estimada de 2,206 milhões de hectares. A expectativa atual aponta para uma produtividade média de 84,2 sacas por hectare, totalizando 11,139 milhões de toneladas. Embora o cenário seja considerado positivo, essa projeção representa uma queda de 22,4% na produtividade e de 20,1% na produção em comparação ao ciclo anterior, que foi excepcional.
Atualmente, 72,2% das áreas de milho apresentam boas condições de desenvolvimento, 17,3% estão em situação regular e 10,5% em condição ruim. As melhores condições concentram-se nas regiões norte, nordeste e oeste, com índices positivos que variam entre 82,9% e 92,1%. Municípios como Coxim, Pedro Gomes, Rio Negro e Rio Verde de Mato Grosso, no norte, e Costa Rica e Chapadão do Sul, no nordeste, apresentam lavouras em excelente estado.
A região centro do estado concentra os maiores desafios para o milho segunda safra, com Rio Brilhante apresentando apenas 50% das áreas classificadas como boas e Sidrolândia e Nova Alvorada do Sul registrando 25% das lavouras em condição ruim. Na região sul, municípios como Glória de Dourados apresentam predominância de áreas regulares, enquanto Angélica, Deodápolis e Juti têm metade das plantações em boas condições.
Clima e diversificação agrícola
O comportamento climático nas próximas semanas será decisivo para o desempenho final do milho. “O milho ainda atravessa fases importantes de desenvolvimento e segue dependente das condições climáticas. Existe atenção principalmente para riscos de estiagem e ocorrência de geadas em algumas regiões produtoras”, alertou Aguena. O Campo Grande NEWS destaca a importância do monitoramento climático para a tomada de decisões no campo.
Observa-se também uma mudança no perfil agrícola do estado, com o milho ocupando cerca de 46% da área que antes era destinada à soja, uma redução significativa em comparação com anos anteriores, quando essa proporção chegava a 75%. Parte dessas áreas tem sido utilizada para culturas alternativas, como sorgo, milheto e pastagem, indicando uma maior diversificação na produção sul-mato-grossense.
As chuvas em abril trouxeram alívio, com Campo Grande registrando 283,4 milímetros, 217% acima da média histórica para o mês. Essa melhora na precipitação favoreceu a umidade do solo e as atividades agropecuárias, especialmente nas regiões centro-norte e oeste do estado, conforme o Campo Grande NEWS acompanhou as atualizações meteorológicas.

