Ibovespa cai com bancos pesando mais que Petrobras e Vale

O Ibovespa fechou em queda de 1,19%, aos 181.909 pontos, o menor patamar desde 27 de março. A desvalorização ocorreu mesmo com a alta das ações da Petrobras (PETR4 +1,66%) e da Vale (VALE3 +2,41%). O setor bancário, que representa 24% do índice, foi o principal responsável pela queda, com papéis como Bradesco PN (-2,69%), BTG Unit (-2,88%), Santander Unit (-2,52%) e Itaú PN (-2,25%) em baixa.

Essa movimentação reflete a preocupação do mercado com o atraso nos cortes da taxa Selic, influenciado pela alta do petróleo Brent. O volume negociado na B3 foi de R$ 29,2 bilhões, com o índice oscilando entre 184.530 e 181.614 pontos. A alta do petróleo impulsionou as ações de commodities, mas penalizou o complexo de renda variável sensível a juros.

Em relatório divulgado pelo Campo Grande NEWS, foi detalhado o desempenho da Petrobras no primeiro trimestre. A empresa registrou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões, uma queda de 7,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas um aumento expressivo de 110% em relação ao trimestre anterior. O Ebitda ajustado foi de R$ 59,6 bilhões, com fluxo de caixa operacional de R$ 44 bilhões e investimentos (capex) de R$ 26,8 bilhões, um avanço de 25,6% na comparação anual. Foram aprovados R$ 9 bilhões em dividendos.

Produção recorde e resultados da Petrobras

A produção da Petrobras atingiu um recorde de 3,23 milhões de barris de óleo equivalente por dia (MMboe/d), um aumento de 16,1% em relação ao ano anterior, impulsionada pelas operações em Búzios, Mero e o ramp-up da plataforma P-78. A utilização das refinarias ficou em 95%, com destaque para março, quando atingiu 97,4%, o maior nível desde 2014. A dívida bruta foi mantida em US$ 71,2 bilhões, abaixo do teto de US$ 75 bilhões estabelecido pela companhia.

O Campo Grande NEWS checou que, apesar dos resultados operacionais robustos, o mercado reage com cautela. A divulgação do balanço da Petrobras ocorreu após o fechamento do pregão, e o foco agora se volta para o webcast bilíngue agendado para esta terça-feira, onde serão discutidos detalhes sobre a precificação no segundo trimestre e a política de dividendos em um cenário de preços elevados do petróleo.

Câmbio e perspectiva econômica

O dólar comercial manteve-se abaixo de R$ 4,90 pela terceira sessão consecutiva, fechando a R$ 4,8914, uma desvalorização de 0,05%. O patamar atual é o menor em vários anos, estabelecido na última sexta-feira. A pesquisa Focus divulgada na segunda-feira revisou a projeção para o dólar no final de 2026 de R$ 5,25 para R$ 5,20, um sinal de enfraquecimento da moeda americana.

A força do real é vista como estrutural, beneficiada pela posição do Brasil como exportador líquido de petróleo em um cenário de alta do Brent e pela atratividade da taxa Selic de 14,50% para fluxos estrangeiros. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, essa força cambial é um fator positivo para setores com alta dependência de importações e para o controle inflacionário, especialmente na véspera da divulgação do IPCA de abril.

Análise técnica e movimentos do mercado

No pregão de segunda-feira, a Minerva (BEEF3) liderou os ganhos com alta de 4,88%, impulsionada pelo ciclo de exportação de carne. Vale (VALE3) subiu 2,41% com a força do minério de ferro, e Braskem (BRKM5) avançou 2,34% em sintonia com o setor petroquímico. As ações de petróleo, como Petrobras PN (+1,66%) e PETR3 (+1,40%), foram impulsionadas pela recuperação do Brent.

No lado das perdas, C&A (CEAB3) recuou 7,69% após resultados decepcionantes no primeiro trimestre. Cogna (COGN3) e Rede D’Or (RDOR3) também apresentaram quedas expressivas, penalizadas pela sensibilidade à taxa de juros. O setor financeiro, como um todo, foi o principal ponto de atenção, com BTG Unit (-2,88%), Bradesco PN (-2,69%), Santander Unit (-2,52%) e Itaú PN (-2,25%) liderando as baixas. O Campo Grande NEWS destaca que, quando a curva de juros se acentua por temores de inflação, os bancos tendem a ser os primeiros a cair.

Perspectivas e próximos catalisadores

O Ibovespa iniciou a terça-feira próximo ao piso da nuvem de Ichimoku, em 179.910 pontos. A resistência imediata se encontra em 185.551 pontos (Tenkan) e 186.758 pontos (SMA), com a resistência máxima em 198.658 pontos (ATH). A perda do suporte de 179.910 pontos pode abrir caminho para uma queda até 175.000 pontos.

Os próximos dias serão cruciais com a divulgação de dados importantes. O IPCA de abril no Brasil, com consenso de +0,43% na comparação mensal e 5,30% na anual, pode influenciar a decisão sobre o corte da Selic em junho. Nos EUA, o CPI de abril, com expectativas de +0,4% e 3,1% (headline), e 3,4% (core), pode reativar riscos de alta de juros pelo Federal Reserve ou abrir caminho para ativos de risco globais.

O webcast da Petrobras e a divulgação do IPCA e CPI americano são os principais catalisadores que definirão a direção do mercado. Um cenário de inflação controlada e resultados positivos da Petrobras pode impulsionar o Ibovespa em direção às resistências. Por outro lado, dados de inflação elevados combinados com a continuidade da pressão sobre os bancos podem levar o índice a testar suportes importantes.