Uma mulher de 46 anos se tornou a 11ª vítima fatal da chikungunya em Dourados, Mato Grosso do Sul. Ela estava internada há 15 dias no Hospital Universitário de Dourados (HU-UFGD) e apresentava doença respiratória crônica. O caso acende o alerta na cidade, que é o epicentro da doença no estado e registra um alto número de notificações.
Chikungunya faz mais uma vítima em Dourados
A chikungunya continua a ceifar vidas em Dourados, Mato Grosso do Sul. Uma mulher de 46 anos, que estava internada há 15 dias no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), faleceu neste domingo (10), tornando-se a 11ª vítima da epidemia na cidade. A paciente sofria de doença respiratória crônica e apresentou os primeiros sintomas da chikungunya no dia 24 de abril, sendo hospitalizada dois dias depois.
Este é o segundo óbito registrado em moradores da área urbana de Dourados, segundo o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública. As outras nove mortes ocorreram em territórios indígenas, evidenciando a gravidade da situação em diferentes comunidades do município. O secretário de Saúde de Dourados e coordenador-geral do centro de operações, Márcio Figueiredo, lamentou a perda e reforçou o apelo à população.
“Lamentamos mais uma vida perdida para a chikungunya em nossa cidade e reforçamos o apelo para que as pessoas acabem com pontos de água parada, mantenham o quintal limpo e acondicionem o lixo em sacos apropriados para coleta”, declarou Figueiredo. Ele acrescentou que o óbito ocorre em um momento em que a epidemia começa a dar sinais de enfraquecimento, com queda na curva epidêmica observada na 19ª semana de monitoramento, conforme levantamento da Vigilância Epidemiológica.
Epidemia em Dourados: números alarmantes e vacinação com baixa adesão
Dourados acumula um total de 8.275 notificações de chikungunya desde janeiro. Deste total, 5.410 são casos prováveis, 3.374 confirmados e 2.865 descartados, com 2.036 casos ainda em investigação. A taxa de positividade da doença na cidade é de 54,1%, um índice considerado muito elevado e que indica intensa circulação viral. Organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), consideram taxas acima de 5% como indicativo de transmissão não controlada.
Apesar da gravidade da situação, a campanha de vacinação contra a chikungunya, iniciada em 27 de abril, apresenta baixa adesão. A meta é vacinar 43 mil pessoas, o que representa 27% da população na faixa etária de 18 a 59 anos. No entanto, até o momento, apenas 2.076 doses foram aplicadas, sendo 597 entre a população indígena. O imunizante, desenvolvido pela farmacêutica Valneva em parceria com o Instituto Butantan, tem eficácia comprovada, com estudos mostrando que 99% dos voluntários apresentaram resposta imunológica com produção de anticorpos.
Quem pode e quem não pode se vacinar contra a chikungunya
A vacina contra a chikungunya está disponível nas unidades de saúde do município. No entanto, existem restrições para o recebimento do imunizante. Não podem se vacinar gestantes, lactantes, pessoas com o sistema imunológico comprometido ou em tratamento oncológico, transplantados recentes, indivíduos com doenças autoimunes ou condições crônicas específicas, além de pessoas com febre ou que tenham recebido recentemente outras vacinas.
Os horários de vacinação variam entre as unidades. Nas unidades de saúde dos bairros e distritos, bem como na Sala de Imunização do PAM (Posto de Atendimento Médico), a vacinação ocorre em horários específicos. É fundamental que a população procure as unidades de saúde para se informar sobre os locais e horários disponíveis, e aproveite a oportunidade para se proteger contra a doença. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a informação sobre os horários e locais de vacinação é crucial para aumentar a cobertura vacinal.
Investigação de outras mortes e pacientes internados
Além da vítima confirmada, outras três mortes suspeitas de chikungunya estão sob investigação. As vítimas em investigação incluem uma criança indígena de 12 anos, um idoso não indígena de 84 anos com doença arterial coronariana e um homem não indígena de 50 anos, sem histórico de doenças crônicas relatadas. Esses casos ressaltam a necessidade de vigilância contínua e de medidas eficazes de controle do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.
Atualmente, Dourados conta com 28 pacientes internados com chikungunya em diversas unidades de saúde da cidade, incluindo o Hospital Porta da Esperança, HU-UFGD, Hospital Unimed, Hospital Regional, Hospital da Vida e Hospital Evangélico Mackenzie. A alta taxa de internações demonstra a severidade da doença e a sobrecarga no sistema de saúde local. O Campo Grande NEWS tem acompanhado de perto a evolução da epidemia, fornecendo informações atualizadas sobre a situação em Mato Grosso do Sul.
A persistência da alta circulação viral em Dourados, mesmo com o início da vacinação, é um alerta para a importância de medidas de prevenção. A eliminação de focos de água parada, a limpeza de quintais e o acondicionamento adequado do lixo continuam sendo ações fundamentais para combater a proliferação do mosquito. O Campo Grande NEWS reforça a importância da colaboração da população para controlar a epidemia e evitar novas perdas.

