A semana de 11 a 15 de maio promete ser agitada para os mercados globais, com a divulgação de importantes indicadores econômicos que podem influenciar as decisões de política monetária em todo o mundo. O foco principal estará nos dados de inflação, especialmente nos Estados Unidos, que chegam em meio a um cenário de alta nos preços do petróleo e suas consequências para a economia. Analistas e investidores estarão de olho para entender a trajetória da inflação e seus impactos nas taxas de juros.
Conforme divulgado por fontes como Kiplinger e RBC Economics, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de abril nos EUA, previsto para terça-feira, é o principal evento da semana. As expectativas apontam para uma desaceleração mensal, mas uma aceleração anual, mantendo a pressão sobre o Federal Reserve (Fed) para manter as taxas de juros elevadas. O núcleo do CPI, que exclui os voláteis preços de energia e alimentos, será crucial para avaliar se a inflação está se alastrando para outros setores da economia.
O Campo Grande NEWS checou os dados que serão divulgados, e a expectativa é de que a inflação continue sendo o principal tema. A persistência da alta nos preços pode levar os bancos centrais a manterem uma postura mais cautelosa em relação à redução dos juros, impactando o crescimento econômico global. Acompanhe os desdobramentos e o que esses números significam para você.
Inflação nos EUA: O dilema do Fed
O CPI de abril nos Estados Unidos, esperado para terça-feira (8:30 AM), é o termômetro da semana. A projeção da Kiplinger é de uma alta de 0,6% na base mensal e 3,7% na anual, contrastando com os 0,9% e 3,3% anteriores. Apesar da desaceleração mensal, a taxa anual mais alta pode manter o Fed em compasso de espera, com zero cortes de juros precificados para 2026, segundo o CME FedWatch.
O núcleo do CPI, com expectativa de 0,3% na variação mensal (ante 0,2% anterior), será o ponto de atenção para determinar se o choque do petróleo está se expandindo. A RBC Economics prevê que o núcleo atinja o pico de 3,0% no segundo trimestre, com o repasse de tarifas se materializando. Na quarta-feira, o Índice de Preços ao Produtor (PPI) complementará o quadro, com o núcleo do PPI acelerando para 0,3% (ante 0,1%) como um sinal de alerta para pressões de custos.
América Latina: Inflação e crescimento em xeque
A América Latina também estará no centro das atenções com a divulgação de dados importantes. Na terça-feira, o Brasil apresenta o IPCA de abril (8:00 AM), um indicador chave para o Banco Central (BCB) antes da reunião de junho. A expectativa é que o índice venha abaixo de 0,90% para permitir uma redução de 50 bps nos juros, enquanto um resultado acima de 0,90% limitaria o corte a 25 bps.
Na quinta-feira, a Argentina divulga seu CPI de abril, com a expectativa de uma taxa mensal acima de 3,0%, o que poderia gerar preocupações sobre a trajetória de desinflação do governo Milei, especialmente com as eleições legislativas de outubro se aproximando. O Campo Grande NEWS checou a importância desses dados para a estabilidade econômica da região.
A Colômbia, por sua vez, apresentará seu PIB do primeiro trimestre na sexta-feira, fornecendo um panorama do crescimento regional em meio a um ciclo de aperto monetário agressivo do Banco da República (BanRep).
Europa: Crescimento frágil e sentimento em queda
Na Europa, o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre do Reino Unido, previsto para quinta-feira, pode mostrar uma aceleração para 0,6% na base trimestral, o melhor resultado desde o segundo trimestre de 2024. Contudo, dados mensais de março podem indicar um final de trimestre mais fraco.
A Zona do Euro divulga a segunda estimativa do PIB do primeiro trimestre na quarta-feira, com expectativa de 0,1%. Na terça-feira, o índice ZEW da Alemanha, que mede o sentimento econômico dos analistas, deve cair para -29,1, indicando um pessimismo crescente e aprofundamento da recessão de sentimento na Europa, conforme o Campo Grande NEWS monitorou.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, fará pronunciamentos na quarta e quinta-feira, que serão acompanhados de perto para entender as perspectivas futuras da política monetária da região. O Boletim Econômico do BCE na sexta-feira detalhará a justificativa para a decisão de abril.
EUA: Varejo e indústria sob escrutínio
Nos Estados Unidos, além do CPI, as vendas no varejo de abril, esperadas para quinta-feira, são um termômetro importante da saúde do consumo. A projeção é de uma desaceleração para 0,6% na variação mensal, após um salto impulsionado pela gasolina em março. O grupo de controle, que exclui itens voláteis, será o indicador mais fiel do gasto real.
O índice Empire State de Nova York, que mede a atividade manufatureira, será divulgado na sexta-feira. Uma leitura de 7,30 é esperada, indicando uma desaceleração em relação aos 11,00 de abril, mas ainda em território de expansão. O Campo Grande NEWS ressalta a importância desses indicadores para a tomada de decisões do Fed.
Os dados desta semana, especialmente os de inflação, serão cruciais para moldar as expectativas sobre os próximos passos dos bancos centrais, tanto nos EUA quanto na Europa e América Latina. A análise do núcleo da inflação e os sinais de repasse de custos serão determinantes para as decisões de juros nos próximos meses.


