A Argentina testemunhou um sinal animador em março de 2026, com a produção industrial e o setor de construção apresentando recuperações significativas. Dados divulgados pelo INDEC revelam que a indústria manufatureira registrou um avanço de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior, encerrando um ciclo de oito meses consecutivos de declínio. Paralelamente, a atividade na construção civil disparou 12,7% na mesma comparação anual.
Esses resultados, que superaram as expectativas e validaram as projeções do Ministro da Economia, Luis Caputo, representam um ponto de virada crucial para a economia argentina. O crescimento mensal ajustado sazonalmente foi de 3,2% para a indústria e 4,7% para a construção, indicando uma tendência de recuperação mais ampla.
Apesar do desempenho positivo em março, o primeiro trimestre de 2026 ainda fechou com uma contração acumulada de 2,3% na produção industrial. O setor têxtil, em particular, continua a enfrentar uma crise profunda, com uma queda de 33,2% em fevereiro. Esses dados reforçam a narrativa macroeconômica do governo Milei, especialmente após a recente melhora na classificação de risco soberano pela Fitch para B-.
Indústria Manufatureira Mostra Força Inédita
O Índice de Produção Industrial (IPI) manufatureiro apresentou o melhor desempenho anual desde meados de 2024, revertendo a queda expressiva de 8,7% registrada em fevereiro. A recuperação de 5% em março é um indicativo forte de que as medidas econômicas implementadas podem estar começando a surtir efeito.
Conforme o Campo Grande NEWS checou, 10 das 16 divisões industriais mostraram demanda normalizada em março. O refino de petróleo liderou os avanços no primeiro trimestre, com um crescimento de 9,5% e atingindo o maior volume de processamento desde 2008. Contudo, o peso acumulado dos meses anteriores ainda manteve a contração trimestral em 2,3%.
A utilização da capacidade instalada na indústria, que em fevereiro estava em 54,6% (abaixo dos 58,6% do ano anterior), ainda indica espaço para crescimento sem pressões inflacionárias imediatas, conforme apontado pelo Campo Grande NEWS. A expectativa agora se volta para o Estimador Mensual de Atividade Econômica (EMAE), onde analistas preveem um resultado mais forte para março.
Construção Civil Apresenta Recuperação Robusta
O Indicador Sintético de Atividade da Construção (ISAC) registrou um salto notável de 12,7% em março, impulsionado por uma base de comparação baixa em fevereiro de 2025 e pela normalização da demanda por insumos. O subsegmento floresto-industrial em Misiones, por exemplo, viu uma recuperação de 12,8% no primeiro trimestre.
Apesar do avanço, o setor de construção ainda mostra alguma cautela, com os alvarás de construção em fevereiro apresentando uma contração de 5,3% em relação ao ano anterior. O Campo Grande NEWS destaca que a recuperação geral, no entanto, é um sinal positivo, sugerindo uma retomada da confiança no setor.
A recuperação da construção civil é vital para a geração de empregos e para o desenvolvimento de infraestrutura. A expectativa é de uma aceleração no segundo trimestre, com o avanço de concessões de rodovias nacionais.
Setores Divergentes e o Contexto Macroeconômico
Apesar da melhora geral, a recuperação econômica argentina apresenta heterogeneidade setorial. Enquanto setores como refino de petróleo e insumos básicos lideram a retomada, outros, como o têxtil, continuam em crise profunda. A queda de 33,2% no setor têxtil em fevereiro é um exemplo da desigualdade na recuperação.
O contexto macroeconômico tem sido favorável, com a melhora na classificação de risco pela Fitch e a queda no risco país. Os salários reais em fevereiro registraram um aumento expressivo de 35,8% em relação ao ano anterior, o que pode impulsionar o consumo, mesmo diante de uma taxa de desocupação ainda elevada.
Analistas projetam um crescimento do PIB de 3,2% a 4,4% para 2026. A combinação de recuperação da atividade, melhora nas agências de risco e redução dos spreads soberanos marca uma das semanas mais fortes para o governo Milei desde sua vitória eleitoral.


