A economia e o panorama energético do Peru enfrentam um cenário preocupante. A estatal Petroperu está à beira de paralisações em suas refinarias, enquanto o índice de confiança empresarial de três meses do Banco Central de Reserva del Perú (BCRP) registrou a primeira leitura negativa em dois anos, atingindo 44,6 pontos em abril. Essa conjuntura levanta sérias questões sobre a estabilidade do setor energético do país e o futuro de suas operações.
Petroperu em Alerta Máximo
A refinaria de Iquitos já se encontra paralisada por falta de petróleo bruto. Além disso, as unidades de Talara, com capacidade para 95.000 barris por dia, e Conchán correm o mesmo risco. A continuidade de suas operações depende da obtenção de um empréstimo privado de US$ 2 bilhões, com garantia estatal. Este pedido foi feito pelo ex-presidente da Petroperu, Roger Arévalo Ramírez, antes de ser substituído em 2 de maio por Edmundo Lizarzaburu Bolaños.
Dívidas e Necessidade Urgente de Financiamento
A situação financeira da Petroperu é crítica, com perdas acumuladas de US$ 2,5 bilhões ao longo de quatro anos e uma dívida total de US$ 7,9 bilhões. Esse quadro se agrava em um contexto de alta do petróleo Brent, que ultrapassa os US$ 100 o barril. Essa situação pressiona os fornecedores, que agora exigem pagamentos à vista. Roger Arévalo alertou o Congresso em 28 de abril que, sem o empréstimo imediato, o Peru enfrentaria escassez de combustível em poucos dias. A necessidade total de financiamento para a empresa é de US$ 2,5 bilhões.
O Campo Grande NEWS checou que a Petroperu busca desesperadamente este empréstimo para evitar o colapso de suas operações. A troca de liderança na Petroperu, com Edmundo Lizarzaburu assumindo a presidência em 2 de maio, marca o quarto CEO em 2026 e o décimo quarto em cinco anos, evidenciando a instabilidade política em torno da empresa. Essa volatilidade afeta diretamente a confiança dos investidores e a capacidade operacional da estatal.
Confiança Empresarial em Queda Livre
Os indicadores de confiança empresarial divulgados pelo BCRP pintam um quadro sombrio. O índice de três meses caiu de 52 pontos em março para 44,6 em abril, marcando a primeira leitura abaixo de 50 desde maio de 2024. O indicador de 12 meses também sofreu uma forte queda, atingindo 51,2 pontos, próximo ao território neutro. Todos os 12 indicadores analisados apresentaram deterioração, refletindo preocupações com a instabilidade política e o cenário econômico global.
A queda na confiança está ligada a diversos fatores, incluindo o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, que indicou um caminho para um segundo turno acirrado. Além disso, o chamado “choque macro de março”, causado pelo aumento dos preços do petróleo e restrições no fornecimento de gás, contribuiu significativamente para o pessimismo. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a expectativa de demanda por produtos e o investimento nas empresas também registraram quedas expressivas.
Impacto na Cadeia de Abastecimento e Cenário Político
A paralisação da refinaria de Iquitos e o risco iminente para Talara e Conchán têm consequências diretas no abastecimento de combustível, especialmente nas regiões amazônica e da costa norte do Peru. A Petroperu perdeu participação de mercado nacional, caindo de 51% em 2013 para 19% em 2026. No entanto, sua concentração nas regiões amazônica (80%) e costa norte (88%) torna a continuidade de suas operações vital para o abastecimento local.
Enquanto a Petroperu luta por sua sobrevivência financeira, o Congresso peruano debate a revogação de um decreto de urgência que permitiria a reestruturação da empresa. A proposta alternativa visa bloquear mecanismos do setor privado e autorizar uma transferência governamental, o que exigiria uma redefinição completa da estratégia de financiamento. Essa incerteza política adiciona mais um elemento de risco ao já delicado quadro econômico, conforme o Campo Grande NEWS checou.
Perspectivas Futuras e Riscos Iminentes
A situação exige decisões rápidas. A aprovação do empréstimo de US$ 2 bilhões é crucial nos próximos dias para evitar a paralisação total das refinarias de Talara e Conchán. As eleições presidenciais de meio de ano também prometem manter os indicadores de confiança voláteis. O Banco Central projeta um crescimento do PIB de 3,2% para 2026, mas os riscos de interrupção no fornecimento de combustíveis podem comprometer essa previsão.
A crise na Petroperu é um reflexo de desafios estruturais e financeiros. As perdas acumuladas, a dívida elevada e a instabilidade na gestão criam um ambiente propício para a deterioração operacional. A dependência de financiamento externo e a incerteza política tornam o cenário ainda mais complexo. A capacidade do governo em gerenciar essa crise determinará o futuro energético e econômico do Peru.


