O Presidente Donald Trump anunciou nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, a suspensão da operação militar americana “Project Freedom Hormuz”, um dia após seu início. A decisão, segundo Trump, atende a um pedido do Paquistão e ocorre em meio a progressos nas negociações para um acordo com o Irã. Apesar da pausa na escolta de navios comerciais, o bloqueio naval americano contra o Irã continua em vigor. A situação deixa cerca de 23.000 marinheiros de 87 países retidos no Golfo Pérsico, com pelo menos 10 mortes registradas desde fevereiro. Essas informações foram divulgadas pelo Project Freedom Hormuz, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Avanço diplomático freia operação militar em Hormuz
A decisão de interromper o “Project Freedom”, que consistia em escoltar navios mercantes através do Estreito de Hormuz, foi comunicada por Trump através de suas redes sociais. Ele enfatizou que a pausa é temporária, permitindo que as negociações com o Irã cheguem a uma conclusão. A operação, que mobilizou destróieres da Marinha dos EUA e cerca de 15.000 marinheiros, começou em 4 de maio, com o objetivo de garantir a liberdade de navegação em uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.
O Secretário de Estado, Marco Rubio, confirmou que a fase ofensiva da campanha, denominada “Operation Epic Fury”, foi encerrada. Os Estados Unidos agora adotam uma postura defensiva, com o objetivo de reabrir o estreito. Rubio também anunciou um novo rascunho de resolução do Conselho de Segurança da ONU, co-patrocinado por cinco países do Golfo, visando garantir a liberdade de navegação, após uma resolução anterior ter sido vetada por China e Rússia. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação reflete a complexidade do cenário geopolítico na região.
O bloqueio naval imposto ao Irã permanece ativo. A crise no Estreito de Hormuz teve um impacto significativo nos mercados globais de energia. O preço do barril de petróleo Brent, que servia como referência, oscilou entre 110 e 114 dólares durante o período, um aumento considerável em relação à linha de base pré-conflito, próxima a 80 dólares. Essa volatilidade nos preços do petróleo já reflete em economias da América Latina, como o Brasil, conforme o Campo Grande NEWS detalhou em reportagens anteriores.
O drama dos marinheiros retidos e as perdas humanas
A administração Trump estima que aproximadamente 23.000 marinheiros, a bordo de embarcações de 87 países, estejam presos no Golfo Pérsico desde que o Irã fechou o estreito em fevereiro de 2026. O Departamento de Estado dos EUA reportou que pelo menos 10 marinheiros morreram como consequência direta da crise. Rubio descreveu a missão de comboio como um resgate humanitário, classificando os marinheiros retidos como “alvos fáceis” em um corredor estratégico.
Impacto econômico na América Latina e no Brasil
A crise em Hormuz impulsionou o preço do petróleo Brent para a faixa de 110 a 114 dólares por barril, comparado a uma base de 80 dólares utilizada pelo Banco Central do Brasil. Essa elevação forçou a Petrobras a aumentar os preços do gás natural canalizado em 19,2% e do querosene de aviação em 18%, a partir de 1º de maio. A associação de distribuidoras Abegás alertou para a possibilidade de um novo aumento de 35% no preço do gás em agosto.
As perspectivas macroeconômicas para a América Latina já foram afetadas pelo choque do petróleo. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil sinalizou, em sua ata de 5 de maio, que o ciclo de cortes na taxa Selic, atualmente em 14,50%, poderá ser mais curto do que o previsto anteriormente pelo mercado. A Latam Airlines Group, a maior companhia aérea da região, reduziu suas projeções de crescimento de demanda para junho, citando o preço do combustível de aviação próximo a 170 dólares por barril.
O que esperar nos próximos dias
A expectativa é de que uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU seja apresentada nos próximos dias, co-patrocinada por cinco estados do Golfo. Além disso, em 7 de maio de 2026, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunirá com Donald Trump na Casa Branca, com o Irã e os preços do petróleo na agenda. Autoridades americanas indicam que um acordo final com o Irã está próximo, e a retomada do “Project Freedom” dependerá da conclusão das negociações.
Trump afirmou que as forças americanas interceptaram 111 mísseis disparados pelo Irã contra porta-aviões dos EUA durante a operação. As negociações entre EUA e Irã foram retomadas em abril no Paquistão, mas falharam em alcançar um acordo de paz. Um cessar-fogo inicial, anunciado em 28 de fevereiro após ataques americanos a alvos iranianos, foi estendido por Trump, com a continuidade do bloqueio condicionada ao andamento das conversas.


