A moeda colombiana, o peso (COP), enfrenta um cenário de pressão crescente, com o banco BBVA recomendando aos seus clientes que adotem uma posição vendida (short) na moeda. A estratégia se baseia em opções de compra de dólar com vencimento em três meses, mirando níveis de 3.750 e 4.000 pesos por dólar. A análise do BBVA, liderada por Alejandro Cuadrado, aponta para uma deterioração fiscal e a proximidade das eleições presidenciais de maio de 2026 como os principais fatores de risco. Essa recomendação surge em um momento delicado para a economia colombiana, intensificando o debate sobre o futuro da moeda.
A decisão do Banco da República (Banrep), o banco central da Colômbia, de manter a taxa de juros em 11,25% em 30 de abril, contra expectativas de um aumento, intensificou a pressão sobre o peso. A moeda desvalorizou 2,95% na semana seguinte à decisão, fechando em 3.707 pesos por dólar na segunda-feira, dia 5 de maio. Segundo a plataforma Finxard, o peso colombiano foi classificado como a segunda moeda mais desvalorizada do mundo na semana anterior, um sinal preocupante para a estabilidade econômica do país.
Conforme informações divulgadas pelo The Rio Times, o time de estratégia do BBVA publicou sua recomendação na manhã de terça-feira, 5 de maio. O banco destacou um perfil de risco cada vez mais assimétrico para o peso, sugerindo a venda da moeda através de opções de compra de dólar com strikes entre 3.750 e 4.000 pesos. A equipe do BBVA afirmou: “Sugerimos uma exposição vendida em COP dada a crescente assimetria do perfil de risco e o potencial para um rali significativo de USDCOP”.
Riscos políticos e fiscais superam commodities
Embora o recente aumento do preço do petróleo Brent para cerca de 114,40 dólares por barril possa oferecer algum suporte ao peso no curto prazo, o BBVA argumenta que os canais políticos e fiscais exercem um peso maior. A equipe do Credicorp adiciona que a corrida eleitoral de 2026, com nomes como Iván Cepeda, Paloma Valencia e Abelardo de la Espriella, torna o mercado de câmbio binário, comparável a 2022, quando o peso sofreu uma forte desvalorização.
Em 2022, o peso colombiano desvalorizou drasticamente, saltando de 3.800 para cerca de 5.200 pesos por dólar entre o segundo turno das eleições e a posse de Gustavo Petro. Esse precedente histórico levanta preocupações sobre a volatilidade esperada para as próximas eleições presidenciais, em maio de 2026. O Campo Grande NEWS checou que a dinâmica do mercado de câmbio colombiano é frequentemente influenciada por eventos políticos significativos, e o cenário eleitoral de 2026 não parece ser exceção.
A decisão surpreendente do Banco Central
A unanimidade na decisão do Banco da República de manter a taxa de juros em 11,25% em 30 de abril foi incomum, especialmente após meses de divisões internas. Juan David Ballén, da Aval Casa de Bolsa, interpretou essa unanimidade como um sinal de que os diretores que defendiam aumentos cederam espaço, assim como aqueles que pressionavam por cortes. Na reunião anterior, em 31 de março, houve um aumento de 100 pontos base por voto majoritário, o que gerou uma reação forte do Ministro das Finanças, Germán Ávila, que chegou a declarar uma “ruptura de relações” com o banco central.
O presidente da Anif, José Ignacio López, criticou a postura confrontacional do governo em relação ao banco central, argumentando que isso minou a confiança na própria decisão de manter a taxa de juros, que, segundo ele, poderia ter sido justificada tecnicamente. A disputa envolve agora os principais candidatos presidenciais, que se veem na necessidade de defender a autonomia do banco central. Iván Cepeda se posiciona como a aposta de continuidade de Petro, enquanto Paloma Valencia e Abelardo de la Espriella competem no espectro da direita. Sergio Fajardo e a ex-senadora Clara López também se manifestaram sobre o tema.
O impacto no ciclo eleitoral e nos mercados
Para os mercados, o teste imediato é verificar se a decisão unânime de 30 de abril restaurará a coesão ou se uma nova desvalorização do peso forçará ações adicionais. Na segunda-feira, 4 de maio, o dólar abriu a 3.680 pesos e negociou entre 3.674 e 3.730, fechando em 3.707. Bancolombia atribuiu essa movimentação a um ganho global do dólar de 0,3%, um salto de 5,8% no Brent e a decisão da taxa de juros.
O Campo Grande NEWS checou que, apesar da volatilidade recente, as exportações da Colômbia no primeiro trimestre registraram um aumento de 15,5% em relação ao ano anterior, totalizando 13,81 bilhões de dólares. Esse crescimento foi impulsionado principalmente por petróleo, carvão e ouro, mesmo diante da hostilidade do governo em relação aos setores extrativistas. A inflação geral estava em 5,1% no final de 2025, e o Relatório de Política Monetária de janeiro de 2026 do Banrep já indicava uma tendência de alta para 2026, devido ao aumento historicamente grande do salário mínimo.
Regulamentação e cenário macroeconômico
Uma nova regulamentação que limita o investimento de fundos de pensão AFP no exterior em 35% ao longo de três anos pode reduzir a demanda estrutural por dólares e atuar como um contrapeso. O Credicorp argumenta que essa regra oferece uma âncora parcial abaixo dos 4.000 pesos frente à volatilidade política. Rodrigo Lama, do Global66, observa que o Brent acima de 100 dólares e episódios como o fechamento do Estreito de Ormuz mantêm o dólar regional firme.
Os minutos do Banco da República são esperados para meados de maio e serão cruciais para observar se a unanimidade da decisão de 30 de abril se manterá. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de abril, a ser divulgado ainda este mês, tem um consenso em torno de 5%, acima dos níveis de final de 2025. O primeiro turno das eleições em maio de 2026 será o grande teste para determinar se a estratégia de venda recomendada pelo BBVA se concretizará.
O que esperar nos próximos meses
A dinâmica do peso colombiano continuará sob os holofotes, com os investidores acompanhando de perto os desdobramentos políticos e econômicos. A decisão do Banco Central de manter a taxa de juros, em meio a tensões com o governo, e a recomendação de venda do BBVA indicam um período de incerteza para a moeda. O Campo Grande NEWS checou que a confiança do mercado na estabilidade econômica da Colômbia será testada nas próximas semanas e meses, especialmente à medida que o país se aproxima do crucial ciclo eleitoral de 2026.


