Chile aprova mega planta de dessalinização de US$ 5 bilhões para mineração

A região de Antofagasta, no Chile, um dos maiores polos de produção de cobre do mundo, acaba de dar um passo crucial para mitigar sua severa escassez hídrica. Na segunda-feira, 4 de maio de 2026, a Comissão de Avaliação Ambiental (COEVA) da região de Antofagasta aprovou unanimemente o projeto de dessalinização Aguas Marítimas, promovido pela Cramsa Infraestructura SpA. Com um investimento colossal de 5 bilhões de dólares americanos, a iniciativa se consolida como a maior planta de dessalinização do Chile e uma das maiores de toda a América Latina, marcando um divisor de águas no suprimento de água para o setor de mineração, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

Gigante hídrico para o deserto do Atacama

Este monumental projeto de infraestrutura hídrica, o maior aprovado pelo Sistema de Avaliação Ambiental (SEA) desde a expansão de cobre da Quebrada Blanca, da Teck, em 2018, representa um marco significativo. A planta de dessalinização Aguas Marítimas terá a capacidade de produzir 700.000 metros cúbicos de água doce por dia, a partir de uma captação de água do mar em Caleta Bolfín de 1.685.000 metros cúbicos diários. A aprovação unânime pelos 12 representantes dos serviços públicos que compõem a COEVA Antofagasta, acompanhada de um Relatório Consolidado de Avaliação favorável emitido pelo Servicio de Evaluación Ambiental, demonstra o consenso sobre a importância estratégica do projeto.

O investimento de 5 bilhões de dólares posiciona o Aguas Marítimas não apenas como a maior planta de dessalinização chilena, mas também como um player de destaque no cenário latino-americano. A capacidade inicial prevista é de 350.000 metros cúbicos por dia, com um fluxo total de captação de 8.100 litros por segundo. O plano da Cramsa também inclui a construção de um extenso sistema de condução de água com 480 quilômetros, 17 estações de bombeamento e 350 quilômetros de linhas de transmissão elétrica, projetados para abastecer as cidades de Antofagasta, Calama e Sierra Gorda.

A importância desta aprovação se estende para além da capacidade produtiva. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o projeto é o primeiro mega projeto de água para mineração a receber luz verde desde 2018, segundo registros do SEA. Isso sinaliza uma potencial abertura no acúmulo de aprovações de grandes investimentos no setor, que vinha enfrentando gargalos. A escassez de água tem sido um fator limitante para a expansão da produção de cobre na região do Deserto do Atacama, que responde por cerca de metade da produção global deste metal. A Associação Chilena de Dessalinização e Reúso e a Corporación de Bienes de Capital catalogam 51 projetos de dessalinização no país, totalizando 24,5 bilhões de dólares, dos quais apenas 16 possuem aprovação ambiental e 10 estão em construção. O projeto da Cramsa, sozinho, representa aproximadamente um sexto do investimento total catalogado.

Um futuro hídrico para múltiplos setores

A água dessalinizada produzida pela planta Aguas Marítimas não se destinará exclusivamente ao setor de mineração. O projeto visa atender também às necessidades agrícolas, industriais e, eventualmente, ao consumo humano nas comunas de Antofagasta, Calama e Sierra Gorda. A distribuição será feita através de concessionárias de saneamento licenciadas, e a rota do aqueduto permitirá que indústrias e mineradoras ao longo do trajeto solicitem o fornecimento de água dessalinizada industrial. A mineração, no entanto, é o alvo comercial primário, dada a concentração de atividades de extração de cobre na região.

A construção da planta está programada para iniciar na primeira metade de 2027 e ser concluída na primeira metade de 2032, com as operações previstas para começarem na primeira metade de 2029. A vida operacional estimada é de 70 anos, estendendo-se até a primeira metade de 2099. Durante o pico da construção, estima-se a geração de 8.500 empregos. A aprovação do projeto Aguas Marítimas, conforme o Campo Grande NEWS apurou, é vista como um divisor de águas para o nexo mineração-água no Chile, sinalizando um possível alívio para a restrição de água que há mais de uma década limita a expansão produtiva.

Desafios e transparência no processo de aprovação

O processo de licenciamento do projeto Aguas Marítimas não foi isento de desafios. A Cramsa solicitou uma suspensão temporária em dezembro de 2025 para realizar estudos adicionais sobre a chinchila lanígera, uma espécie ameaçada de extinção na área de influência do projeto. O processo foi retomado em fevereiro de 2026. Durante os quatro anos de avaliação, o SEA organizou seis sessões de participação cidadã na Região de Antofagasta, buscando garantir transparência e engajamento comunitário. O gerente geral da Cramsa, Peter Hatton, destacou que a aprovação reforça a importância da informação oportuna, clara e transparente para a construção de confiança com a comunidade.

Vale notar que, na mesma noite da aprovação do projeto da Cramsa, a COEVA aprovou outros três projetos, totalizando um valor combinado de 5,341 bilhões de dólares americanos. Essa agilidade na aprovação de múltiplos projetos de grande vulto pode indicar uma mudança de ritmo no desenvolvimento de infraestruturas hídricas essenciais para o Chile, especialmente em uma região tão dependente dos recursos hídricos para sua economia.