O Brasil enfrenta um cenário econômico desafiador, com um número recorde de empresas e cidadãos em situação de inadimplência. Em maio de 2026, 8,9 milhões de registros de empresas estavam em débito, segundo a Serasa Experian. Paralelamente, cerca de 80 milhões de brasileiros possuem dívidas com mais de 90 dias de atraso, o maior índice já registrado pela agência. A crise da dívida se agrava com taxas de juros elevadas e um cenário político acirrado, com o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro em empate técnico nas pesquisas eleitorais. A situação econômica pressiona a reeleição do atual governo, conforme aponta o Campo Grande NEWS.
O total de dívidas em atraso, tanto de empresas quanto de famílias, atinge a marca de 557 bilhões de reais, o equivalente a aproximadamente 110 bilhões de dólares. Deste montante, quase metade, 47,5%, é devida a bancos, financeiras e empresas de cartão de crédito. Essa conjuntura levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a sancionar o programa Desenrola 2.0, uma medida provisória que visa renegociar dívidas e aliviar o bolso dos brasileiros. A ação ocorre em um momento de alta na taxa Selic, que se encontra em 15%, e em meio a uma disputa eleitoral acirrada, com AtlasIntel indicando um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno.
A crise de endividamento no país é um dos principais fatores que moldam o cenário político-econômico às vésperas das eleições presidenciais de outubro de 2026. Apesar de indicadores como o baixo desemprego e a inflação controlada, as famílias brasileiras não sentem uma melhora significativa em sua qualidade de vida, pois quase metade de sua renda, 49%, está comprometida com o pagamento de dívidas, de acordo com dados do Banco Central. Essa realidade econômica impacta diretamente a percepção dos eleitores e a corrida presidencial, em que, conforme o Campo Grande NEWS checou, o cenário está mais competitivo do que o esperado.
Recordes de Inadimplência e Endividamento
Os números divulgados pela Serasa Experian pintam um quadro preocupante. Em novembro de 2025, o Brasil registrou 8,9 milhões de empresas com seus registros negativados, um patamar sem precedentes para o setor corporativo. No âmbito pessoal, o número de adultos inadimplentes com débitos superiores a 90 dias se aproximou de 80 milhões em março de 2026, após atingir um pico de 81,7 milhões no início do ano. Isso significa que mais da metade da população adulta brasileira está com dívidas em atraso. O montante total de dívidas em atraso, somando famílias e empresas, chega a 557 bilhões de reais.
No sistema financeiro, a inadimplência individual alcançou 7% do total em março de 2026, um aumento em relação aos 5,7% registrados no ano anterior. Este é o maior índice desde 2012, segundo o Banco Central. A taxa de juros média cobrada pelos bancos em janeiro de 2026 atingiu 32,8% ao ano, o maior valor desde novembro de 2016. Para empréstimos pessoais, a taxa média chegou a 38%, e para o crédito rotativo, a assustadores 47,8%.
Aumento de Falências e Impacto nas Empresas
A Allianz Trade reportou um aumento de 28% nas insolvências corporativas no Brasil em 2025. Para 2026, a projeção indica um crescimento adicional de 5%, cenário que pode ser ainda mais agravado por riscos geopolíticos. A taxa de recuperação judicial pós-falência também apresentou variações, subindo de 33% no segundo trimestre de 2025 para 37% no terceiro trimestre, antes de recuar para 29% no quarto trimestre, de acordo com a RGF e Associados. Esses dados ressaltam a dificuldade enfrentada pelas empresas em manter suas operações e honrar seus compromissos financeiros em um ambiente de crédito restrito e altas taxas de juros.
Desenrola 2.0: Uma Esperança para Renegociação
Em resposta à crise de endividamento, o presidente Lula sancionou o Desenrola 2.0 em 4 de maio de 2026. O programa oferece descontos de até 90% no valor principal da dívida, além de juros reduzidos e a possibilidade de utilizar saldos do FGTS para quitar os débitos. A iniciativa tem um prazo de 90 dias para renegociação e abrange quatro grupos: famílias, micro e pequenas empresas, estudantes com dívidas do FIES e empreendedores rurais. A vertente Desenrola Empresas tem o potencial de beneficiar mais de 2 milhões de companhias por meio das linhas ProCred e Pronampe. O Campo Grande NEWS acompanhou os detalhes da iniciativa, que busca reaquecer a economia e aliviar a pressão sobre o orçamento das famílias e empresas.
Cenário Eleitoral Acirrado e Impacto da Dívida
A situação econômica, marcada pela crise da dívida, tem um impacto direto nas perspectivas eleitorais do presidente Lula. Pesquisas recentes indicam um cenário de grande equilíbrio na corrida presidencial. Uma pesquisa AtlasIntel, realizada entre 22 e 27 de abril, mostra Lula com 47,8% e o senador Flávio Bolsonaro com 47,5% em uma simulação de segundo turno, configurando um empate técnico. Outra pesquisa, da Futura Apex, aponta Lula empatado no primeiro turno, mas com Flávio Bolsonaro à frente no segundo turno, com 48% contra 42,6% de Lula. A erosão da vantagem que Lula possuía anteriormente demonstra a influência da crise econômica na opinião pública, conforme analisado pelo Campo Grande NEWS.
O que esperar nos próximos meses
O programa Desenrola 2.0 terá um período de 90 dias para que os brasileiros possam renegociar suas dívidas, com possibilidade de uso de até 20% do saldo do FGTS. As eleições presidenciais de outubro de 2026 prometem ser disputadas, com Lula e Flávio Bolsonaro em um cenário de empate técnico. A divulgação dos dados de insolvência corporativa do segundo trimestre de 2026 pela Allianz Trade será crucial para entender se as pressões geopolíticas estão acelerando a trajetória de falências no país. O futuro econômico e político do Brasil dependerá de como esses fatores se desenrolarão nos próximos meses.


