Kast promete não cortar benefícios sociais, mas planos revelam cortes

O presidente do Chile, Gabriel Boric, está no centro de uma polêmica após o vazamento de um memorando do Ministério da Fazenda que detalha planos de cortes em centenas de programas sociais, incluindo a Pensão Básica Universal (PGU). A revelação contradiz diretamente as promessas de campanha de Boric, que jurou não haver “recortes a benefícios sociais”. A medida, que visa economizar cerca de 2,8 trilhões de pesos chilenos, também prevê uma redução na alíquota de imposto corporativo, gerando um debate acalorado sobre as prioridades fiscais do governo.

Kast sob fogo após cortes em programas sociais

Um memorando do Ministério da Fazenda chileno, divulgado pelo veículo investigativo CIPER, revelou que a Pensão Básica Universal (PGU), um benefício crucial para milhões de idosos chilenos, está na lista de programas que podem sofrer um corte de pelo menos 15%. Este plano orçamentário para 2027, detalhado pelo Ministro da Fazenda, Jorge Quiroz, afeta um total de 402 programas sociais, indo além dos 142 já reconhecidos pelo governo. A notícia caiu como uma bomba política, especialmente considerando a promessa de campanha de Boric de “não cortar nenhum benefício social existente”.

A Pensão Básica Universal em risco

A PGU é considerada a joia da reforma previdenciária da administração Boric. Este suplemento universal beneficia cerca de 2,3 milhões de chilenos, aproximadamente um em cada oito cidadãos, e representa o maior gasto social individual no orçamento do Estado chileno. Um corte de 15% significaria uma redução de cerca de 100.000 pesos por beneficiário anualmente, o que teria um impacto significativo na vida dos aposentados. A inclusão da PGU na lista de cortes, conforme o Campo Grande NEWS checou, é vista como um abalo sísmico na já curta presidência de Boric, que assumiu o cargo há sete semanas.

Pacote de cortes e cortes fiscais para empresas

O pacote de medidas fiscais, que totaliza cerca de 8,2 trilhões de pesos chilenos em gastos sociais até 2031, inclui não apenas cortes em programas sociais, mas também benefícios fiscais para grandes empresas. A alíquota do imposto corporativo cairia de 27% para 23%, e seria eliminada a cobrança de IVA (Imposto sobre Valor Agregado) em novas moradias, além de um crédito de emprego. O custo fiscal dessas medidas é estimado em aproximadamente 4 bilhões de dólares. Essa combinação de cortes em benefícios sociais com reduções de impostos para o setor empresarial explicitou a troca, gerando forte reação.

Reações políticas e o futuro do orçamento

O presidente Boric negou os cortes, afirmando que o memorando representava um “brainstorm” do Ministério da Fazenda e que as informações estavam “fora de contexto”. No entanto, a ex-ministra do Interior, Carolina Tohá, respondeu que a direção fiscal subjacente “é refundaional”, ecoando a própria retórica de Boric, mas direcionada agora ao novo governo. Deputados da oposição criticaram a medida, chamando-a de “desonesta” diante das promessas de campanha. Membros da coalizão governista defenderam os cortes como consolidação fiscal baseada em avaliações negativas de programas de baixo desempenho.

Implicações para os mercados e a capacidade política

Os mercados financeiros já haviam precificado uma consolidação fiscal sob a administração Boric, com o índice de ações IPSA em alta e o peso chileno estável. No entanto, o vazamento do memorando introduz uma nova variável: a capacidade política de implementar tais medidas. Mesmo cortes tecnicamente defensáveis podem se tornar economicamente prejudiciais se não forem aprovados pelo Congresso, onde Boric não possui maioria absoluta e depende de apoio de outros partidos. O debate orçamentário em junho será o verdadeiro teste, e analistas de dívida soberana acompanharão de perto quais dos 402 programas sobreviverão na versão final do projeto de lei, especialmente a PGU. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a preservação simbólica da PGU, com cortes mais amplos em outras áreas, é o cenário mais provável, mas o custo político de admitir a promessa quebrada pode já ter mobilizado a oposição, que agora utiliza a retórica “refundaional” contra o próprio legado do presidente.

A decisão de cortar benefícios sociais, como a Pensão Básica Universal, enquanto se oferece alívio fiscal a grandes corporações, levanta sérias questões sobre as prioridades do governo Boric. A situação se complica ainda mais com a contradição direta com as promessas de campanha, o que pode minar a confiança pública e a estabilidade política. O futuro do orçamento chileno e a capacidade do governo de navegar por essas águas turbulentas dependerão de sua habilidade em negociar com o Congresso e em justificar suas decisões em um cenário de escrutínio público intenso. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando os desdobramentos dessa importante questão para a economia e a sociedade chilena.