Crise no Reino Unido: Starmer sob fogo, Reform UK dispara nas pesquisas e eleições locais se aproximam

O cenário político britânico está em ebulição com o Primeiro-Ministro Keir Starmer enfrentando severas críticas e pedidos de renúncia. A controvérsia em torno da nomeação de Peter Mandelson para embaixador nos EUA, e alegações de que parlamentares teriam sido enganados, colocam o governo em xeque. Enquanto isso, o partido Reform UK desponta nas pesquisas, dez pontos à frente dos conservadores e trabalhistas, a apenas oito dias das eleições locais de 7 de maio, que se configuram como um referendo sobre a permanência de Starmer no cargo. As informações são do ‘Europe Intelligence Brief’.

Reino Unido em Crise Política

Starmer na Corda Bamba Após Escândalo de Nomeação

O Primeiro-Ministro britânico, Keir Starmer, encontra-se sob intensa pressão após alegações de que teria enganado parlamentares sobre o processo de nomeação de Peter Mandelson. Mandelson, que foi demitido em setembro de 2025 devido a ligações com o falecido Jeffrey Epstein, teria tido sua nomeação para embaixador nos EUA aprovada apesar de preocupações levantadas pela segurança britânica (UKSV). Starmer admitiu ter tomado a decisão errada e declarou que a situação é ‘absolutamente imperdoável’, mas suas declarações foram recebidas com risos na Câmara dos Comuns. Sir Adrian Fulford foi nomeado para liderar uma revisão dos procedimentos de segurança, enquanto Kemi Badenoch, líder conservadora, exigiu que Starmer ‘assuma a responsabilidade e vá embora’.

Reform UK Lidera Pesquisas e Ameaça o Governo Trabalhista

O contexto político é ainda mais complexo com o partido Reform UK, liderado por Nigel Farage, alcançando 27% nas intenções de voto em Westminster, uma liderança de dez pontos sobre Conservadores e Trabalhistas. A plataforma anti-imigração e pró-soberania do partido atrai eleitores de ambos os espectros tradicionais, replicando a dinâmica do Brexit e ameaçando fragmentar a maioria parlamentar trabalhista conquistada em 2024. As eleições locais de 7 de maio, a serem realizadas em oito dias, tornaram-se um teste crucial para a permanência de Starmer no cargo. A probabilidade de sobrevivência do Primeiro-Ministro, segundo a Ipsos, está em 43%.

Impacto para Investidores e o Mercado de Câmbio

A fragilidade política de Starmer representa um risco de exposição à libra esterlina para investidores latino-americanos. Conforme o ‘Europe Intelligence Brief’ checou, a liderança do Reform UK nas pesquisas é um sinal claro de realinhamento político no Reino Unido, que planejadores de políticas no Brasil, México e Argentina devem monitorar para identificar riscos de replicação. A volatilidade política britânica deve ser tratada com a mesma seriedade de outros mercados europeus, e não como um risco de mercado emergente. O resultado das eleições locais de 7 de maio poderá reajustar a curva de títulos do governo britânico e a libra esterlina, independentemente do resultado.

Alemanha Sob Pressão: DAX em Queda e Resultados Corporativos Divididos

DAX 40 Registra Nona Sessão de Perdas Consecutivas

O índice DAX 40 de Frankfurt caiu 0,7% para abaixo de 23.800 pontos, marcando a nona sessão consecutiva de perdas e atingindo o menor nível desde meados de abril. A pressão sobre o índice é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo o choque do petróleo impulsionado pelo Irã, a compressão de múltiplos no setor bancário devido a divergências nas taxas de juros e a fraqueza nos setores de consumo cíclico. Empresas como Gea Group, Symrise e Commerzbank lideraram as perdas. Os investidores estão digerindo as tensões no Irã, os resultados corporativos do primeiro trimestre, dados econômicos e a iminente decisão do Banco Central Europeu sobre as taxas de juros.

Resultados Mistos na Temporada de Balanços do 1º Trimestre

Os resultados corporativos do primeiro trimestre na Alemanha apresentaram resultados divergentes. A BASF registrou queda de 0,5% em seus lucros devido à pressão dos custos de energia, enquanto Volkswagen e Porsche AG também apresentaram resultados abaixo do esperado. Em contrapartida, a MTU Aero Engines superou as expectativas de lucro operacional, com a empresa posicionada entre as de melhor desempenho no DAX 40 em 2026. A Deutsche Post também teve um desempenho sólido, impulsionando seus ganhos. A dispersão entre o desempenho da MTU e da BASF reflete a reordenação estrutural da economia exportadora alemã.

Hannover Messe e a Cooperação Brasil-Alemanha

A feira industrial Hannover Messe 2026, que teve o Brasil como país parceiro, foi encerrada com a participação de líderes como o Chanceler alemão Friedrich Merz e o Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. O evento destacou o acordo Mercosul como um impulso para a cooperação bilateral. O Produto Interno Bruto (PIB) alemão surpreendeu positivamente no primeiro trimestre, apesar de permanecer frágil, complicando o caminho do Banco Central Europeu para cortes nas taxas de juros. As declarações sobre a expansão das energias renováveis e o monitoramento da transição energética moldam o debate estrutural na Alemanha.

França em Instabilidade Política e Crise Fiscal

Governo Lecornu Sobrevive a Moções de Desconfiança e Aumenta Impostos

O governo do Primeiro-Ministro francês, Sébastien Lecornu, já sobreviveu a oito moções de desconfiança na Assembleia Nacional. A sobrevivência do governo tem sido marcada por concessões políticas e fiscais, incluindo a suspensão da reforma da previdência e a aprovação de um aumento de 7,3 bilhões de euros nos impostos corporativos. O déficit orçamentário atingiu 131,9 bilhões de euros, o que torna cada vez mais difícil sustentar a narrativa de ‘compromissos encontrados’ em meio à pressão dos custos de energia. O Campo Grande NEWS checou que a Assembleia Nacional francesa permanece dividida em três blocos, sem que nenhum partido detenha maioria absoluta desde as eleições antecipadas em junho de 2024.

Macron em Baixa Popularidade e Futuro Presidencial Incerto

A taxa de aprovação do Presidente Emmanuel Macron caiu para cerca de 28%, o menor índice desde o início de seu mandato. O partido Rassemblement National (RN) aparece com 33% nas pesquisas de intenção de voto, o maior resultado da história da legenda. Marine Le Pen foi impedida de concorrer à presidência até 2030 devido a um caso de desvio de fundos do Parlamento Europeu, mas o Tribunal de Apelação decidirá sobre o caso no verão de 2026. A dispersão da esquerda e a pendência da decisão sobre Le Pen preparam o terreno para uma disputa presidencial aberta em 2027, com o centro e centro-direita se posicionando agressivamente.

Fragilidade Fiscal e Risco para a Zona do Euro

A fragilidade política francesa, com o governo Lecornu sobrevivendo a moções de desconfiança em uma Assembleia sem maioria, cria um prêmio de risco soberano para a zona do euro. O déficit de 131,9 bilhões de euros, a reforma da previdência suspensa e o aumento de impostos corporativos sinalizam que a França está consumindo capital político e capacidade fiscal estrutural simultaneamente. Para investidores latino-americanos, esse cenário representa um risco a ser monitorado, especialmente para aqueles que buscam exposição à periferia da zona do euro.

Itália: Fim da Aliança com Trump e Pivô para o “Quarteto Geopolítico”

Rompimento Público entre Meloni e Trump

A relação entre a Primeira-Ministra italiana Giorgia Meloni e o ex-presidente dos EUA Donald Trump sofreu um rompimento público, confirmado por uma entrevista de Trump ao jornal ‘Corriere della Sera’ onde ele declarou: ‘Pensei que ela era corajosa, mas estava errada’. O colapso da relação foi motivado pela recusa da Itália em fornecer bases aéreas para uso americano contra o Irã e em enviar tropas para o Estreito de Ormuz. Como publicado pelo Campo Grande NEWS, a expectativa de Trump de que aliados ‘seguiriam a linha’ encontrou pouca receptividade na Europa, com Meloni sendo uma das recusas mais públicas.

Itália se Alinha com Macron, Merz e Starmer

A Itália tem pivotado para um ‘quarteto geopolítico’ com Macron, Merz e Starmer, reunidos no Palácio do Eliseu em Paris. Essa reconfiguração estratégica alinha a Itália a um quadro europeu mais estável. A missão naval italiana no Estreito de Ormuz, anunciada esta semana, será apenas defensiva e aguarda aprovação parlamentar, refletindo a oposição interna. Pesquisas indicam que 79% dos eleitores italianos se opõem à guerra no Irã e estão preocupados com o aumento dos preços da energia. A maioria dos eleitores de ‘Fratelli d’Italia’, partido de Meloni, se identifica como católica e reage fortemente às tensões de Trump com o Papa Francisco.

Recusa do “Escape Clause” e Corte nas Previsões de Crescimento

A Itália decidiu não utilizar a Cláusula de Escape Nacional (NEC) da União Europeia, que permitiria cerca de 14 bilhões de euros em gastos adicionais com defesa. Meloni citou o déficit italiano de 3,1% (acima do limite de 3% da UE), a credibilidade fiscal, os preços da energia e a inflação como fatores que tornam a participação insustentável. O Banco da Itália revisou para baixo as previsões de crescimento do PIB para 2026, de 0,7% para 0,6%, e suspendeu a renovação do acordo de cooperação em defesa com Israel. A economia italiana enfrenta sua pior trajetória de crescimento em anos, com previsões de crescimento abaixo de 1% para 2026 e 2027.

Suíça: UBS Supera Expectativas no 1º Trimestre em Meio a Disputa Regulatória

Lucro Líquido da UBS Dispara 80% no 1º Trimestre

O UBS publicou resultados do primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de 3 bilhões de dólares, um aumento de 80% em relação ao ano anterior e superando as expectativas do consenso. As receitas cresceram 13,4%, totalizando 14,24 bilhões de dólares. O banco suíço completou a migração de aproximadamente 1,2 milhão de contas de clientes no trimestre, resultado da integração do Credit Suisse, e espera concluir substancialmente a integração até o final de 2026. Um programa de recompra de ações de 3 bilhões de dólares está previsto para o final do segundo trimestre.

Disputa Regulatória com o Conselho Federal Suíço

O UBS expressou discordância com a nova Ordem de Adequação de Capital (CAO) publicada pelo Conselho Federal Suíço. O banco considera as assertivas do governo ‘enganosas’, pois a nova regulamentação pode exigir maiores deduções de capital para ativos e passivos sujeitos a incertezas de avaliação. Pesquisas independentes estimam que a proposta de dedução integral de participações estrangeiras do capital CET1 poderia gerar perdas cumulativas de até 34 bilhões de francos suíços ao PIB em uma década. A nova regulamentação não deve entrar em vigor antes de 2027.

Fluxos de Investimento e Risco Geopolítico

Os resultados operacionais do UBS foram impulsionados por fluxos de negociação decorrentes da volatilidade no Irã e pela migração de ativos de clientes que buscam segurança em meio à pressão do risco geopolítico. Para investidores latino-americanos, o desempenho do UBS confirma um ambiente operacional favorável para a gestão de patrimônio global, especialmente para clientes de alta renda do Brasil, México e Chile. A disputa regulatória da CAO é um precedente importante a ser acompanhado por arranjos bancários transfronteiriços na América Latina.

Hungria Propõe “Projeto Habsburg 2.0” e Enfrenta Desafios Energéticos

Nova Proposta de Bloco Centro-Europeu por Péter Magyar

O novo Primeiro-Ministro húngaro, Péter Magyar, eleito com uma supermaioria de 138 assentos, propôs o “Projeto Habsburg 2.0”, visando a criação de um novo bloco político com Áustria, Polônia, República Tcheca e Eslováquia. Magyar planeja visitar Varsóvia e Viena em maio para discutir a proposta, que visa aumentar o poder de negociação dos países membros em decisões da União Europeia. A proposta tem sido comparada ao antigo projeto de Orbán, mas com a diferença crucial de que Magyar detém uma supermaioria e credibilidade institucional na UE.

Dependência Energética da Rússia Limita o Pivô

A dependência da Hungria de energia russa limita a capacidade de manobra do novo governo. A reliance em petróleo bruto russo expandiu de 61% em 2021 para 93% em 2025. O contrato do gasoduto TurkStream com a Gazprom vai até 2036, fornecendo 4,5 bilhões de metros cúbicos de gás anualmente. Alternativas como o gasoduto JANAF da Croácia seriam significativamente mais caras. Magyar prometeu encerrar as importações de petróleo russo até 2035, um prazo que é politicamente crível, mas economicamente desafiador. A União Europeia proíbe o gás russo a partir de 30 de setembro de 2027.

Posicionamento em Migração e Soberania

Magyar reafirmou a postura rigorosa da Hungria em relação à migração ilegal, com a manutenção e reforço da cerca na fronteira sul. A partir de 1º de junho de 2026, todos os vistos de trabalho para migrantes não europeus serão encerrados, com o objetivo de zerar novas chegadas. Magyar enfatizou que a história da Hungria ‘é escrita pelo povo húngaro, não em Moscou, nem em Bruxelas, e nem em Washington’. A entrada em vigor do pacto de migração da UE em junho de 2026 cria um confronto constitucional direto com o novo governo húngaro.

Implicações para Investidores Latino-Americanos

Para investidores latino-americanos, a proposta do “Projeto Habsburg 2.0” é um sinal claro de como a governança de centro-direita na Europa Central está reorganizando a arquitetura de poder institucional da UE. A dependência energética da Rússia e os contratos de longo prazo representam um risco estrutural a ser precificado. A decisão húngara de encerrar permissões de trabalho para migrantes em 1º de junho de 2026 serve como um caso de estudo sobre como governos de centro-direita podem lidar com políticas de imigração sob pressão populista.