A gigante Cosan SA está prestes a movimentar o mercado financeiro brasileiro com o planejamento da oferta pública inicial (IPO) de sua subsidiária Compass Gás e Energia. A operação, estimada em R$ 25 bilhões (US$ 5 bilhões), tem potencial para ser o primeiro grande IPO na B3 em mais de cinco anos, marcando um possível reinício para o mercado de capitais no país. Conforme divulgado pelo The Rio Times, a Cosan protocolou o pedido de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 5 de março, simultaneamente solicitando a migração da Compass para o Novo Mercado, segmento de maior governança corporativa da bolsa.
Compass: A estrela do IPO que pode reaquecer a B3
A expectativa é que a oferta da Compass seja secundária, com a própria Cosan vendendo cerca de 20% de suas ações na subsidiária, visando levantar aproximadamente R$ 5 bilhões. Este movimento não só visa captar recursos, mas também é estratégico para a Cosan, que busca desmobilizar ativos em meio a um complexo cenário financeiro, incluindo a reestruturação de dívidas bilionárias da Raízen. O sucesso desta operação é visto como um termômetro crucial para avaliar se a B3 está pronta para absorver um volume maior de novas listagens, com mais de 50 empresas brasileiras aguardando uma janela de oportunidade favorável, segundo a própria bolsa.
Oportunidade de R$ 25 bilhões: O que os investidores estão comprando
A Compass Gás e Energia detém ativos de peso no setor energético brasileiro. Entre eles, destaca-se a Comgás, a maior distribuidora de gás natural do país, com uma extensa rede de 28.000 quilômetros de gasodutos e 3 milhões de clientes conectados. A empresa também opera o terminal de regaseificação TRSP em São Paulo, através da marca Edge, e possui uma joint venture com a Mitsui, a Commit, que controla participações em seis distribuidoras regionais de gás. Essa estrutura diversificada oferece aos investidores exposição tanto ao negócio regulado de distribuição quanto a operações de marketing e serviços de GNL.
O perfil de clientes da Compass é majoritariamente industrial (85%), o que torna a empresa um termômetro direto da recuperação da indústria brasileira. Dados apontam para um EBITDA normalizado em 2025 de R$ 4,9 bilhões, com um crescimento projetado de 11% em relação ao ano anterior. Embora o lucro líquido projetado para 2025 seja de R$ 1,46 bilhão, uma queda de 31% em relação ao ano anterior, o potencial de crescimento e a solidez dos ativos são pontos fortes para a atração de investidores. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a estrutura da oferta e a migração para o Novo Mercado são passos fundamentais para atrair fundos institucionais com mandatos restritos a empresas de alta governança.
O contexto estratégico e a reabertura do mercado
A decisão de prosseguir com o IPO da Compass neste momento não é aleatória. Ela se insere em um contexto de reestruturação financeira da Cosan, que enfrenta a maior reestruturação extrajudicial da história brasileira com a Raízen, no valor de R$ 65 bilhões. Os recursos provenientes do IPO da Compass serão direcionados para o programa de desalavancagem da Cosan, aliviando pressões financeiras significativas. A entrada de Bradesco BBI e BTG Pactual na estrutura de capital da Compass no ano passado, através de R$ 4 bilhões em ações preferenciais, já sinalizava a preparação para esta operação. O Campo Grande NEWS apurou que a B3 reporta mais de 50 empresas em fila para IPO, e a Compass seria o divisor de águas para destravar essa demanda reprimida.
A reabertura do mercado de IPOs no Brasil é um reflexo de uma convergência de fatores: a necessidade de desalavancagem da Cosan, a **reativação do mercado de capitais da B3** e a crescente maturidade do marco regulatório do setor de gás no Brasil. A suspensão do IPO original em 2020 devido a condições de mercado desfavoráveis contrasta com o cenário atual, onde operações como as da PicPay e Agibank já validaram a demanda internacional por emissões brasileiras. O Campo Grande NEWS destaca que a Compass seria o maior IPO de utility brasileira no ciclo pós-2020 e um teste decisivo para a capacidade da B3 em sustentar a atividade de ofertas ao longo de 2026.
Implicações para o mercado e investidores
Para os acionistas da B3, o IPO da Compass funciona como um sinalizador (bellwether). O mercado de IPOs da bolsa brasileira esteve praticamente fechado desde 2021, com uma queda drástica no número de ofertas. Um IPO bem-sucedido da Compass poderia não apenas desbloquear a fila de mais de 50 empresas, mas também reativar o mercado de emissões secundárias, que tem sido vital para o crescimento das taxas da B3 durante o período de seca.
Para os acionistas da Cosan, a operação resolve um problema estratégico. A monetização da Compass via IPO preserva o controle estratégico da Cosan (68% após a oferta) e injeta R$ 5 bilhões para desalavancagem, uma alternativa mais ágil do que vendas em mercado privado que exigiriam aprovações regulatórias complexas. O Campo Grande NEWS salienta que a necessidade de capital para a Raízen adiciona um risco de execução que os investidores da Cosan precificarão separadamente.
Para investidores internacionais, o IPO da Compass molda a percepção sobre a oportunidade mais ampla no mercado de capitais brasileiro. Somado à oferta subsequente da Engie Brasil, que visa captar cerca de US$ 2 bilhões, o setor de utilities brasileiro está atraindo aproximadamente US$ 7 bilhões em nova capacidade de equity nos próximos meses. O sucesso da Compass será determinante para a **liquidação da fila de IPOs** e para a contínua atração de fluxos de capital estrangeiro para o Brasil, mesmo em um cenário global de volatilidade.


