Exportações do México disparam 27,65% em março, impulsionadas por indústria fora do setor automotivo

As exportações totais de bens do México registraram um impressionante salto de 27,65% em março de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Este número, divulgado pelo INEGI, representa uma aceleração significativa em relação aos 8,1% de janeiro e 15,8% de fevereiro. O principal motor dessa expansão foi o setor de manufaturados não ligados ao petróleo, que cresceu 29,59%, contrastando com a queda de 20,41% nas exportações de petróleo, marcando o décimo segundo declínio mensal consecutivo neste segmento.

O desempenho robusto do setor de manufaturados não automotivos foi o grande destaque, com um crescimento anual de 43,65%, o mais alto registrado desde maio de 2021. Essa força compensou a contínua contração de 2,91% nas exportações automotivas ao longo do primeiro trimestre, um movimento que os mercados aguardavam e que indica uma mudança estrutural na economia mexicana. Conforme o Campo Grande NEWS checou, os manufaturados não automotivos alcançaram 67,01% do total das exportações mexicanas no primeiro trimestre de 2026, um aumento em relação aos 60,70% do ano anterior, atingindo a maior participação desde 2009.

A queda nas exportações de petróleo, que recuaram 20,41%, não impediu o resultado geral positivo. O setor de manufaturados, por sua vez, expandiu-se em 29,46%, com um impulso notável de 43,65% vindo de segmentos fora da indústria automobilística. Este padrão sugere uma diversificação da base exportadora do país, afastando-se da dependência histórica do setor automotivo.

Mudança Estrutural na Indústria Mexicana

A composição do crescimento das exportações mexicanas em março de 2026 revela uma transformação profunda na economia do país. Enquanto o setor automotivo apresentou uma retração de 2,91% no primeiro trimestre, outros segmentos de manufaturados, como eletrônicos e bens de capital, demonstraram um crescimento expressivo. Essa dinâmica é um reflexo direto das estratégias de nearshoring e da busca por uma cadeia produtiva mais resiliente e diversificada.

O aumento na participação dos manufaturados não automotivos no total das exportações, atingindo 67,01% no primeiro trimestre de 2026, é o dado mais significativo. Essa porcentagem é a maior desde 2009, quando o cenário era de crise global e colapso da demanda automotiva nos EUA. Atualmente, o cenário é oposto, indicando uma expansão do crescimento não automotivo, e não uma retração do setor automotivo.

As exportações extrativas, impulsionadas pela alta nos preços de metais preciosos devido a conflitos internacionais, também apresentaram um aumento recorde de 98,82% no primeiro trimestre. Contudo, sua participação total nas exportações permaneceu marginal, representando apenas 3,09% do total, o que destaca a importância crescente da manufatura.

Balança Comercial e Impacto das Tarifas

As importações também aceleraram em março, com um crescimento de 24,33% em relação ao ano anterior, o mais rápido desde agosto de 2024. A composição dessas importações sugere um aumento na atividade industrial, com destaque para bens intermediários. No primeiro trimestre, a balança comercial mexicana registrou um déficit de US$ 1,01 bilhão, um aumento em relação aos US$ 269 milhões do mesmo período em 2025.

O déficit no balanço de petróleo aumentou significativamente, atingindo US$ 6,61 bilhões, o maior para um primeiro trimestre desde 2023. Isso reflete a queda nas exportações de petróleo bruto e o aumento nas importações de produtos refinados. Em contrapartida, o balanço não petrolífero apresentou um superávit de US$ 5,60 bilhões, o maior para um primeiro trimestre desde 2020, reforçando a tese de fortalecimento da manufatura.

Recentemente, a administração americana reduziu as tarifas sobre aço e alumínio para materiais utilizados em veículos e autopeças do México e Canadá, de 50% para 25%. Embora a medida seja parcial, ela sinaliza uma flexibilização em setores específicos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, 82% das exportações mexicanas para os EUA já entram sob os termos preferenciais do T-MEC, sem tarifas, demonstrando a resiliência da indústria local frente a turbulências comerciais.

Perspectivas para o Futuro e o T-MEC

Os dados de exportação do México em março de 2026 chegam em um momento crucial, com a revisão do T-MEC prevista para este ano. O desempenho recente fortalece a posição negociadora do México, apresentando um cenário de integração industrial mais diversificado do que a dependência exclusiva do setor automotivo. A força do crescimento, com taxas de 8,1% em janeiro, 15,8% em fevereiro e 27,65% em março, sugere uma tendência sustentada.

Para a economia mexicana, esses números validam a tese de nearshoring como um fenômeno duradouro e não apenas cíclico. O fortalecimento do peso mexicano e o impacto na política monetária são pontos de atenção para o Banco do México. O próximo relatório de abril, a ser divulgado no final de maio, será fundamental para confirmar se o desempenho de março foi um pico isolado ou o início de uma nova fase de crescimento consistente.

A composição das importações e a recente redução de tarifas nos EUA criam um ambiente favorável para a manutenção desse crescimento. O Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos econômicos que moldam o futuro do comércio internacional e o impacto no cenário global.