Santa Casa de Campo Grande em colapso: 90 pacientes no pronto-socorro, 57 em corredores
A Santa Casa de Campo Grande enfrenta uma situação crítica de superlotação em seu pronto-socorro. Nesta segunda-feira (27), cerca de 90 pessoas estavam sendo atendidas, um número alarmante considerando que o hospital dispõe de apenas sete leitos contratados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O quadro, que já vinha se agravando ao longo do fim de semana, atingiu um ponto insustentável, com pacientes graves aguardando por mais de 24 horas em ventilação manual por uma vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A superlotação não se restringe apenas ao pronto-socorro. O hospital informou que, no total, 67 pacientes estão internados, sendo que 57 deles estão acomodados nos corredores do pronto-socorro e outros 10 nos corredores dos andares. Essa sobrecarga impacta diretamente a capacidade de atendimento e a segurança de todos na unidade.
A situação é ainda mais delicada na área vermelha, destinada aos casos de maior gravidade. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, três pacientes permanecem em ventilação manual desde a madrugada de domingo (26), aguardando desesperadamente por uma vaga em UTI. A transferência desses pacientes só começou na manhã desta segunda-feira, após mais de 24 horas de espera, um tempo inaceitável para casos que exigem atenção imediata.
Sobrecarga histórica e crescente na UDC
A Unidade de Decisão Clínica (UDC), responsável pelo atendimento de casos mais urgentes, opera há anos acima de sua capacidade instalada, segundo a assessoria de imprensa do hospital. Essa sobrecarga, que já é considerada histórica e diária, tem se intensificado nos últimos tempos. O hospital estima um crescimento médio de cerca de 5% ao ano no número de atendimentos no pronto-socorro, com aproximadamente 52% desses casos resultando em internações.
A rotina na Santa Casa se tornou uma espera contínua. Pacientes que necessitam de internação acabam aguardando em corredores do pronto-socorro ou próximos às enfermarias, até que um leito se torne disponível. Para tentar mitigar os efeitos dessa crise, o hospital tem adotado medidas internas, como o acionamento de equipes clínicas para agilizar altas médicas e a atuação do serviço social para acelerar liberações de pacientes. A equipe multiprofissional trabalha de forma integrada na tentativa de otimizar o fluxo.
Altas médicas retidas agravam o quadro
Apesar dos esforços internos, a rotatividade dos leitos enfrenta obstáculos significativos. A assessoria da Santa Casa apontou que, em alguns casos, pacientes que já receberam alta médica permanecem na unidade por questões externas, o que contribui para a ocupação prolongada de leitos e, consequentemente, reduz a capacidade de atendimento a novos pacientes. Essa situação, conforme o Campo Grande NEWS checou, agrava o problema da superlotação.
O hospital classificou a situação como crítica e reforça que a sobrecarga não é um problema pontual, mas sim crônica. A instituição alerta para a necessidade urgente de medidas que garantam condições adequadas de atendimento e segurança, tanto para os pacientes quanto para os profissionais de saúde que atuam na linha de frente. A falta de recursos e a infraestrutura insuficiente são desafios constantes.
Prefeitura notificada, mas custos excedentes não são ressarcidos
A administração da Santa Casa informou que já notificou formalmente a Prefeitura de Campo Grande em diversas ocasiões sobre o grave problema da superlotação. No entanto, um ponto crucial destacado pela instituição é que os custos excedentes gerados pela alta demanda e pela necessidade de manter pacientes em condições inadequadas não são ressarcidos pelo poder público. Essa falta de ressarcimento agrava ainda mais o quadro financeiro e operacional do hospital, limitando sua capacidade de investimento e melhoria da infraestrutura.
O cenário na Santa Casa de Campo Grande expõe as fragilidades do sistema de saúde público, onde a demanda por atendimento, especialmente em casos de urgência e emergência, tem superado a capacidade de oferta de leitos e recursos. A situação exige uma ação conjunta e eficaz do poder público para garantir que todos os cidadãos tenham acesso a um atendimento digno e de qualidade, como ressalta o Campo Grande NEWS em suas reportagens sobre a saúde na região.

