Turista do MS vai a morro no RJ e relata o que viu: ‘nada de medo’

Uma experiência oposta ao medo no Vidigal

A trilha do Morro Dois Irmãos, no Rio de Janeiro, é famosa pela vista deslumbrante, mas também pelo receio que muitos turistas sentem ao entrar na comunidade do Vidigal. No entanto, a experiência da jornalista campo-grandense Daniele Valentim, um dia antes de uma operação policial assustar visitantes no local, mostra um lado diferente da história. Ela subiu o morro para ver o nascer do sol e encontrou um ambiente movimentado, acolhedor e muito diferente do que imaginava, provando que o passeio pode ser tranquilo e seguro.

Daniele relata que a principal preocupação era a segurança, mas ao chegar na comunidade, o cenário foi surpreendente. A movimentação intensa de turistas e moradores, mesmo de madrugada, transmitiu uma sensação de normalidade e tranquilidade, quebrando o estereótipo de perigo frequentemente associado a favelas cariocas. A vivência dela destaca a importância do turismo para a economia local e como o contato direto com a comunidade pode desmistificar preconceitos.

A jornada, desde a subida de mototáxi até o topo da trilha, foi marcada pela interação com os moradores, que vivem do fluxo de visitantes. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, essa realidade econômica e social é um dos pontos que mais chamou a atenção da jornalista, que viu de perto como o turismo sustenta muitas famílias na região.

Quebrando o estereótipo do perigo

A decisão de encarar a aventura foi de última hora. “Eu fui simplesmente de última hora porque eu sou maluca”, brincou Daniele. Acompanhada de dois amigos, ela pesquisou o trajeto nas redes sociais e partiu do centro da cidade de Uber até a entrada do Vidigal. O medo inicial era palpável. “A gente tava hospedado no centro, pegamos um Uber com destino a Vidigal e pagamos 54 reais de Uber, só que o nosso pior medo era: ‘é morro, como vai ser?’”, confessou.

Contudo, a realidade encontrada foi o oposto da expectativa. “Quando a gente chegou parecia que era 7 horas da noite, lotado, um monte de gringo, a galera indo fazer os rolês no morro… lotado mesmo. Nada de medo, nada de perigoso, foi tudo muito tranquilo”, afirmou a jornalista. A experiência mostra como a percepção de insegurança pode ser diferente da vivência real no local.

A trilha e a vida na comunidade

Para chegar ao início da trilha, é preciso contar com o serviço dos moradores. O percurso começa na praça do Vidigal, onde mototaxistas levam os turistas morro acima. “Dali você paga um mototáxi de 7 reais que te leva até a quadra que fica no pé da trilha, e depois você paga mais 10 reais que é quando a aventura começa”, explicou Daniele. O custo total, sem guia, foi de apenas R$ 24,00 por pessoa.

Durante o trajeto, ela observou a rotina da comunidade. “Até ali no início da trilha, a gente vê o pessoal vivendo, os moradores normal, não tem nada de absurdo. O Vidigal é muito turístico”, disse. Ela também ressaltou a importância do respeito, como guardar o celular quando solicitado pelos locais. Essa interação, segundo o Campo Grande NEWS checou, é fundamental para uma visita harmoniosa e segura.

O turismo que sustenta e transforma

Para Daniele, o passeio vai além da bela paisagem e rompe com ideias pré-concebidas. “O rolê rompe todo tipo de estereótipo desse turismo. São os mototaxistas, os ambulantes, galera que cuida da trilha, eles sobrevivem desse dinheiro do turismo”, comentou. Ela pondera, contudo, que é preciso ter um olhar crítico. “É claro, não dá pra romantizar, afinal muita gente ali vivendo sem saneamento básico, mas é um turismo”.

A trilha em si, com cerca de 1,8 km, foi classificada por ela como de nível moderado a difícil, especialmente por estar sedentária. O esforço, no entanto, é recompensado pela vista panorâmica do Leblon, Ipanema e da Lagoa Rodrigo de Freitas. A experiência de Daniele, conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS, serve como um relato valioso para quem deseja conhecer um dos cartões-postais mais famosos do Rio de Janeiro, mas ainda tem receio.