A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou o rating global da Ecopetrol, a gigante petrolífera estatal da Colômbia, de Ba1 para Ba2. A decisão, anunciada na quinta-feira, 24 de abril, reflete uma avaliação mais fraca do suporte governamental vindo da Colômbia (Baa3 estável), conforme divulgado pelo The Rio Times. A Moody’s identificou um risco aumentado de interferência do governo, menor previsibilidade dos mecanismos de apoio e atrasos específicos nos pagamentos do Fundo de Estabilização de Preços de Combustíveis (FEPC).
A perspectiva (outlook) da Ecopetrol mudou de negativa para estável, enquanto a avaliação individual de sua capacidade de crédito básica (BCA) foi mantida em b1. Este rebaixamento segue uma ação similar da S&P Global Ratings, que em 8 de abril já havia rebaixado a Ecopetrol de BB para BB-. A Ecopetrol, controlada em 88,49% pelo governo colombiano, é responsável por mais de 60% da produção de hidrocarbonetos do país e emprega mais de 18.000 pessoas. Seus ADRs listados na NYSE negociam sob o ticker EC.
A Moody’s destacou que o corte não se deve a riscos do mercado de petróleo, mas sim a riscos políticos. A agência expressou preocupação com a possibilidade de o Estado colombiano extrair mais recursos da companhia do que esta pode suportar, afetando sua capacidade de investimento e saúde financeira.
O impacto do FEPC na decisão da Moody’s
A questão do FEPC é crucial, pois é o mecanismo pelo qual o Estado colombiano compensa a Ecopetrol pela venda de combustíveis abaixo dos preços internacionais. Quando o governo atrasa esses pagamentos, a Ecopetrol precisa cobrir a diferença com seu capital de giro, gerando pressão financeira. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o governo planejava liquidar os saldos pendentes do primeiro trimestre de 2025 do FEPC, estimados em cerca de 1,6 trilhão de pesos, em março de 2026. No entanto, foi acordada uma estrutura de liquidação alternativa, com um pagamento mínimo em dinheiro correspondente a uma pequena fração do valor devido, e o saldo restante sendo adiado.
Para a Moody’s, esse compromisso é a evidência operacional de uma tese mais ampla: o fluxo de caixa da Ecopetrol está sendo utilizado para financiar prioridades estatais que não o seu próprio plano de investimentos. Os mecanismos que deveriam garantir o equilíbrio financeiro da empresa estão se tornando menos previsíveis, conforme apurou o Campo Grande NEWS.
Preocupações com o perfil de vencimento da dívida soberana
Uma segunda preocupação estrutural apontada pela Moody’s é o perfil de vencimento da dívida soberana da Colômbia, que afeta a Ecopetrol devido à sua exposição a títulos do governo colombiano (TES) e à sua dependência de apoio soberano. Os vencimentos dos TES colombianos atingem 84,9 trilhões de pesos em 2028, 107,3 trilhões em 2029 e 77,6 trilhões em 2030. O Ministério das Finanças tem utilizado uma estratégia de gestão de liquidez que emite títulos de curto prazo (TCO) em vez de TES de longo prazo para aliviar as pressões de caixa em 2027.
Analistas do Banco de Bogotá informaram à mídia local que essa estratégia é eficaz para suavizar fluxos de curto prazo, mas enfraquece a visibilidade dos fluxos de caixa no curto prazo. Essa perda de visibilidade é o que a Moody’s está precificando. A capacidade do soberano de honrar os mecanismos de suporte da Ecopetrol em tempo hábil depende da previsibilidade do fluxo de caixa que Bogotá está cedendo, como constatou o Campo Grande NEWS.
Cenário de liquidez apertada para 2026 e 2027
A Moody’s sinalizou um cenário de fluxo de caixa livre que pode permanecer negativo até 2026. Os fatores que impulsionam essa projeção incluem gastos contínuos de investimento, distribuições de dividendos ao acionista majoritário (o governo) e os já visíveis atrasos nos pagamentos do FEPC. A agência espera uma liquidez mais apertada ao longo de 2026 e 2027. Essa projeção sinaliza aos detentores de títulos e ao mercado de ADRs da NYSE que o balanço da Ecopetrol opera com menos margem de manobra do que há um ano.
Os títulos em dólar da Ecopetrol já vinham sendo negociados em níveis enfraquecidos em abril. Os títulos de 2036 da empresa atingiram seu menor preço em uma semana no dia em que foi anunciada a licença do CEO, Ricardo Roa, e ainda não se recuperaram. A crise de governança corporativa, com o CEO sob investigação criminal, também paira sobre a avaliação da agência, embora não tenha sido o fator diretamente citado no corte do rating.
A Moody’s é a segunda grande agência de rating a cortar a Ecopetrol este mês. Em 8 de abril, a S&P Global Ratings reduziu a classificação da Ecopetrol de BB para BB- com perspectiva estável, espelhando um rebaixamento soberano da Colômbia. A Fitch ainda não se pronunciou, mantendo a Ecopetrol em BB+ com perspectiva negativa.


