Bitcoin: base de US$ 76 mil firme, mas fôlego diminui com petróleo em alta

O Bitcoin manteve a base de sustentação acima dos US$ 76 mil por três dias consecutivos, demonstrando resiliência. No entanto, o ímpeto de alta parece ter diminuído, com indicadores técnicos mostrando desaceleração e o cenário macroeconômico apresentando novas complicações, especialmente com a alta do petróleo.

Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a criptomoeda registrou sua primeira vela vermelha acima dos US$ 76 mil, caindo 0,54% para US$ 77.848. Apesar disso, o nível de suporte foi mantido, sinalizando uma consolidação em vez de uma reversão. A desaceleração é visível no Índice de Força Relativa (RSI) e no histograma MACD, que esfriaram após dias de expansão.

A perspectiva técnica sugere que a fase inicial do rompimento foi concluída. Para impulsionar o preço em direção aos US$ 80 mil, o Bitcoin necessita de novos fluxos de capital. A alta do petróleo, que superou os US$ 96, adiciona uma camada de complexidade, reacendendo narrativas inflacionárias que competem diretamente com o apetite por ativos de risco como o Bitcoin.

Tether em Destaque: Congelamento e Expansão de Negócios

Em um movimento que chamou a atenção do mercado, a Tether congelou US$ 344 milhões em USDT a pedido das autoridades americanas, citando atividades ligadas a condutas ilegais. Este é o maior congelamento de stablecoins já direcionado por forças de segurança na história.

O congelamento ocorreu na mesma semana em que a Tether adquiriu uma participação de 8,2% na plataforma de mineração de Bitcoin Antalpha e anunciou um programa de recuperação para o Drift Protocol no valor de US$ 150 milhões. Essa atuação simultânea como órgão fiscalizador e investidor cria uma dinâmica complexa que o mercado ainda não precificou totalmente.

Paralelamente, mais de 120 entidades do setor de criptomoedas assinaram uma carta instando os senadores dos EUA a avançarem com o projeto de lei de estrutura de mercado, considerando a ação “crítica” para o futuro do ecossistema. A notícia foi divulgada em um contexto onde o Campo Grande NEWS tem acompanhado de perto os desenvolvimentos regulatórios.

Adoção Global em Queda, Mas com Exceções Regionais

Dados recentes da TRM Labs indicam uma queda de 11% na adoção global de criptomoedas no primeiro trimestre de 2026. Esta é a contração de uso mais acentuada desde o início do conflito recente, embora a Turquia e algumas economias emergentes tenham apresentado resistência à tendência.

Esses números corroboram a visão de um “inverno sustentado” no mercado, com volumes de negociação em exchanges centralizadas (CEX) caindo 39% no mesmo período, segundo a CoinGecko. A pesquisa da Galaxy também aponta para um desempenho abaixo do esperado no ciclo de halving do Bitcoin.

Em contraponto, analistas como Marten van de Poppe projetam uma alta de 30% a 60% para as altcoins caso o Bitcoin consiga recuperar a marca de US$ 86 mil, que corresponde à sua média móvel de 200 dias. O Campo Grande NEWS monitora atentamente esses prognósticos, buscando trazer informações precisas aos seus leitores.

Cenário Técnico e Níveis Chave para o Bitcoin

O Bitcoin encerra a semana acima dos US$ 76 mil, com a base de suporte confirmada após três dias de negociação. Contudo, os indicadores técnicos sinalizam uma perda de fôlego. O histograma MACD desacelerou de 440 para 378, e o RSI recuou para 63,80. A distância para a média móvel de 200 dias (SMA) aumentou para 9,7%, marcando a primeira expansão após oito dias de convergência.

Isso sugere que o Bitcoin está em fase de consolidação, necessitando de novos catalisadores para avançar. A resistência imediata se encontra em US$ 78.557, seguida por US$ 79.653 (banda de Bollinger superior) e o nível psicológico de US$ 80 mil. Suportes importantes estão em US$ 77.471 e a zona de US$ 76.405/US$ 76.488.

Um fechamento abaixo de US$ 76.405 poderia invalidar o rompimento recente, enquanto um fechamento acima de US$ 79.653 confirmaria a próxima perna de alta. O cenário macroeconômico, com o petróleo em alta, adiciona um fator de incerteza, testando a tese de descolamento do Bitcoin em relação à inflação.

Movimentações Notáveis e Contexto Global

No mercado de derivativos perpétuos, destacaram-se KATUSDT (+59,71%), MOVRUSDT (+38,41%) e ZECUSDT (+7,90%). Em contrapartida, SPKUSDT (-15,60%) e RAVEUSDT (-14,52%) apresentaram quedas significativas.

Globalmente, o petróleo superou os US$ 96, enquanto ouro e prata registraram quedas. O Ibovespa operou em baixa, e o dólar voltou a ultrapassar os R$ 5,00. A próxima reunião do Copom, em 28 e 29 de abril, será crucial para definir os rumos da política monetária brasileira, em um cenário influenciado pela alta do petróleo e pela cotação do dólar.

O viés para o Bitcoin permanece neutro-altista. A base em US$ 76 mil foi construída, mas a aceleração está contida. A aprovação de uma isenção para títulos tokenizados pela SEC, o avanço do projeto de lei de estrutura de mercado ou uma nova injeção institucional seriam necessários para impulsionar o preço em direção aos US$ 80 mil. O fim de semana será um teste para a consolidação da base, enquanto a semana do Copom trará mais clareza sobre os próximos movimentos do mercado.