A Bolsa de Valores argentina, representada pelo índice S&P Merval, enfrentou uma sessão de forte volatilidade na quinta-feira, 23 de abril de 2026, registrando a maior queda em uma única sessão desde o início da correção. O índice despencou 2,31%, fechando em 2.831.848,54 pontos, um movimento que testou um nível crucial de suporte técnico, conforme informações divulgadas pelo The Rio Times. Essa queda acentuada trouxe o Merval de volta ao interior da nuvem de Ichimoku e o aproximou perigosamente da Média Móvel Simples (SMA) de 50 dias, um ponto considerado decisivo para a continuidade da tendência.
O cenário técnico se agrava com a profundidade atingida pelo MACD (Moving Average Convergence Divergence), que explodiu para -14.504, o valor mais negativo do ciclo de 2026. Essa aceleração do momentum de venda, aliada ao RSI (Relative Strength Index) abaixo de 50, reforça um regime de baixa que não era visto desde a correção de fevereiro-março, período que culminou em um drawdown de 18%. A situação atual exige atenção redobrada dos investidores, pois qualquer fechamento abaixo dos níveis de suporte pode confirmar um cenário de tendência de média prazo para o mercado.
O fechamento do S&P Merval em 2.831.849 pontos o colocou exatamente sobre o fundo da nuvem de Ichimoku e a uma curta distância da SMA de 50 dias, localizada em 2.821.606. Este ponto de confluência é visto como o próximo “make-or-break” (decisivo) para o índice. Uma perda desse patamar na sexta-feira, 24 de abril, confirmaria a saída da nuvem, sinalizando uma tendência de baixa de média duração, algo que não ocorria desde a correção anterior. As projeções técnicas apontam para a SMA de 200 dias em 2.774.124 e a banda de Bollinger inferior em 2.801.575 como os próximos alvos de suporte significativos.
A Teste Crucial no Fundo da Nuvem
A sessão de quinta-feira representou a maior queda em uma única sessão da atual correção, marcando um movimento violento que remete ao sell-off de fevereiro-março. Em apenas 48 horas, o Merval percorreu o caminho do interior da nuvem até o seu fundo, configurando a travessia mais rápida dentro da nuvem no ciclo de 2026. A sequência da semana foi marcada por uma volatilidade crescente: segunda-feira com alta de 1,47%, terça com 0,29%, quarta com queda de 1,41% e, finalmente, a forte retração de 2,31% na quinta.
O recuo total de 108.252 pontos, ou -3,68%, em apenas dois dias, levou o índice de patamares acima da Kijun-sen para o fundo da nuvem. Embora o preço tenha tocado a mínima de 2.830.075, perfurando brevemente o fundo da nuvem e a SMA de 50 dias, um leve recuperação no fechamento sugere a existência de algum interesse comprador, porém insuficiente para gerar um repique expressivo. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a força dessa recuperação será crucial para determinar os próximos movimentos do mercado.
MACD Acelera em Direção à Baixa Profunda
O indicador MACD tem apresentado um comportamento alarmante. O histograma, que mede a força do momentum, saltou de -8.369 na quarta-feira para -14.504 na quinta, dobrando sua magnitude negativa e atingindo o ponto mais baixo do ano. A trajetória do histograma nas últimas seis sessões revela uma aceleração exponencial da tendência de baixa: -3.286, -4.747, -5.280, -8.369 e agora -14.504.
Essa dinâmica é comparada por analistas a fases iniciais da correção de fevereiro-março, quando o MACD continuou sua trajetória negativa até encontrar o suporte da SMA de 200 dias. Atualmente, a SMA de 200 dias está 2,0% abaixo do fechamento de quinta-feira. O RSI, que confirma o regime de baixa, também se encontra abaixo dos 50 pontos, sinalizando uma pressão vendedora generalizada. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa combinação de indicadores técnicos sugere um cenário de risco elevado para os investidores no curto prazo.
O Nível Decisivo e os Fundamentos em Jogo
O fundo da nuvem (2.831.849) e a SMA de 50 dias (2.821.606) formam a zona de suporte mais importante testada pelo Merval desde a recuperação de março. Um fechamento acima do fundo da nuvem na sexta-feira manteria o índice dentro da nuvem, uma zona de indefinição, mas que evitaria a confirmação de uma tendência de baixa. No entanto, um fechamento abaixo da SMA de 50 dias sinalizaria a saída definitiva da nuvem, confirmando a tendência de baixa de média duração e direcionando o índice para os níveis de suporte mais baixos.
Apesar do quadro técnico sombrio, alguns fundamentos continuam a oferecer suporte. A colheita de soja está em seu auge, as reservas do Banco Central da Argentina (BCRA) têm crescido, e a produção de Vaca Muerta atinge recordes. O risco país, em torno de 500 pontos básicos, aproxima-se do limite para acesso ao mercado. Contudo, o múltiplo preço/lucro futuro de 19,8x, o mais alto da América Latina, indica que o Merval possui menos margem de valorização do que seus pares regionais. A pressão por lucros e catalisadores macroeconômicos se torna ainda maior para justificar essa avaliação, com o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de abril, a ser divulgado em 14 de maio, sendo o próximo teste de dados importantes. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a capacidade de entrega de resultados corporativos será fundamental para sustentar o mercado.
Perspectivas e Níveis Chave para Sexta-Feira
A sexta-feira, 24 de abril, é considerada a sessão mais crucial desde a correção de fevereiro-março. A manutenção do Merval acima do fundo da nuvem e da SMA de 50 dias abriria a possibilidade de um alívio técnico em direção à Kijun-sen (2.876.254). Por outro lado, um fechamento abaixo de 2.821.606 confirmaria a saída da nuvem, o sinal mais severo do Ichimoku, e projetaria o índice para a SMA de 200 dias (2.774.124) e a banda de Bollinger inferior (2.801.575). O precedente de fevereiro-março sugere que o MACD pode não se estabilizar até que esses níveis mais baixos sejam testados. A colheita de soja representa o único piso fundamentalista sólido no momento, tornando a sessão de sexta-feira um divisor de águas: ou o Merval segura o fundo da nuvem, ou a tendência de baixa de média prazo será confirmada.


