Romeu Zema recusa ser vice de Flávio Bolsonaro e garante candidatura própria à presidência

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou em 22 de abril que não aceitará o convite para ser vice na chapa presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL). Zema declarou que pretende levar sua pré-candidatura até o fim, e que a direita brasileira terá três nomes fortes na disputa: ele mesmo, Flávio Bolsonaro e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Segundo ele, o objetivo é que os três se unam em torno de um único candidato no segundo turno.

Direita aposta em divisão para eleger candidato em 2026

A decisão de Romeu Zema de manter sua candidatura própria à presidência em 2026, recusando a possibilidade de ser vice de Flávio Bolsonaro, marca um momento crucial na definição do cenário eleitoral. Zema não apenas negou ter recebido um convite formal para a vice-presidência, mas também afirmou que, mesmo se recebesse, a resposta seria negativa. A estratégia, conforme divulgado pelo The Rio Times, baseia-se na ideia de que a fragmentação da direita no primeiro turno pode fortalecer o candidato que chegar à segunda fase da eleição.

Essa configuração, com múltiplos candidatos de direita disputando a preferência do eleitorado, é vista por analistas de mercado como um fator que pode influenciar diretamente a margem de reeleição do atual presidente Lula. A configuração exata do campo da oposição ainda está em definição, a nove meses das eleições gerais de outubro.

O ex-governador citou o exemplo do Chile em 2025, onde o candidato de direita Antonio Kast obteve a vitória após um primeiro turno com diversas candidaturas de centro-direita. Essa dinâmica, segundo Zema, serviu de modelo para sua estratégia. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro teria endossado essa abordagem de múltiplos candidatos quando Zema o visitou em Brasília em agosto de 2025.

Chile como modelo de sucesso para a direita

A lógica estratégica por trás da candidatura de Zema reside na crença de que ter vários nomes de direita na disputa pode diluir o voto na esquerda, que atualmente se concentra em torno do presidente Lula. Existem outros dois pré-candidatos de esquerda com pouca projeção, ambos com cerca de 1% das intenções de voto nas pesquisas. O ex-governador apontou para o Chile como um caso de sucesso dessa tática.

Na eleição chilena de 2025, a fragmentação da direita no primeiro turno funcionou como uma espécie de primária informal, que acabou por consolidar o apoio em torno do candidato que avançou para a segunda fase. Zema relatou que, durante um encontro com Jair Bolsonaro em agosto de 2025, o ex-presidente teria concordado com a ideia de que “quanto mais candidatos de direita houver, melhor”. Jair Bolsonaro, que foi impedido de concorrer por decisões judiciais, endossou seu filho Flávio em dezembro de 2025.

Implicações para o mercado e a corrida eleitoral

As pesquisas de intenção de voto no Brasil consistentemente mostram Flávio Bolsonaro como o nome com maior potencial de consolidação da direita para o segundo turno, enquanto Zema e Caiado aparecem com índices inferiores. Uma pesquisa recente da Paraná Pesquisas indicou Flávio Bolsonaro com 37,8% das intenções de voto contra 41,3% de Lula no primeiro turno, uma diferença dentro da margem de erro. Zema, em cenários simulados, costuma pontuar em dígitos baixos.

Para os investidores, a grande questão é se a manutenção de três candidaturas de direita realmente levará a um segundo turno, ou se a divisão dos votos no primeiro turno pode favorecer uma vitória direta de Lula. Atualmente, as pesquisas indicam que esse último cenário é improvável. O rastreador de pesquisas eleitorais do The Rio Times mostra a liderança de Lula no primeiro turno variando entre 43% e 47%, com cenários de segundo turno mais apertados.

A estratégia de Zema se baseia na suposição de que os eleitores brasileiros replicarão o padrão chileno, com um primeiro turno fragmentado e um segundo turno unificado, em vez de seguirem modelos de consolidação antecipada da oposição, como os vistos na Venezuela ou Argentina. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a confiança na capacidade de união da direita é um fator chave.

Cooperação política e próximos passos

A recusa de Zema em aceitar a vaga de vice ocorreu no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro expressou solidariedade a ele durante a feira agronegócio Show, em Sinop, Mato Grosso. Flávio Bolsonaro descreveu Zema como vítima de investigações do Supremo Tribunal Federal sobre redes de desinformação e criticou o que chamou de “ativismo judicial” por parte da Primeira Câmara da Corte. Essa convergência de discursos sinaliza uma cooperação contínua entre os candidatos de direita, mesmo com campanhas separadas no primeiro turno.

Os próximos passos importantes incluem as convenções partidárias. O PSD definirá a candidatura de Ronaldo Caiado, e o Novo formalizará a de Romeu Zema. O PL de Flávio Bolsonaro já conta com a estrutura partidária após o endosso de Jair Bolsonaro em dezembro. Assim, o cenário de Zema como vice de Bolsonaro parece fechado para este ciclo eleitoral, a menos que ocorram mudanças drásticas nas pesquisas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a dinâmica eleitoral segue atenta a cada movimento.