Uma promessa que nunca chega ao destino
Moradores de diversas ruas em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, vivem um drama que se arrasta por décadas: a espera pelo asfalto. Em meio à poeira que invade as casas nos dias secos e à lama que impede a passagem em dias de chuva, a população se sente abandonada. A falta de pavimentação não é apenas um problema de infraestrutura, mas uma questão de saúde pública e dignidade, afetando a rotina de crianças, idosos e trabalhadores que sonham com o básico para viver bem.
A situação, que se repete em vários pontos do bairro, transforma o simples ato de sair de casa em um desafio diário. Veículos de entrega, ambulâncias e até mesmo o transporte por aplicativo evitam certas áreas, isolando ainda mais as famílias. O sentimento de descaso é agravado por promessas políticas que, ano após ano, não saem do papel, deixando um rastro de frustração e desconfiança.
Relatos e vídeos enviados à reportagem mostram a dimensão do problema e o apelo desesperado dos moradores por uma solução definitiva. As imagens revelam crateras que mais parecem armadilhas e a dificuldade de locomoção, um cenário que, segundo eles, é incompatível com os impostos pagos. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a demanda por pavimentação é uma das queixas mais antigas e recorrentes da região.
Viver entre a poeira e o barro
Para quem reside em ruas como a Projetada A, no bairro Arnaldo Eugênio, a vida é dividida entre duas estações: a da poeira e a da lama. “Quando faz sol, a gente não pode nem abrir a janela. O pó de terra entra em tudo, ataca a rinite das crianças e suja a casa o tempo todo”, desabafa a dona de casa Márcia Regina, de 45 anos, moradora do local há mais de duas décadas.
Ela conta que, quando chove, o cenário se torna ainda pior. “Vira um lamaçal só. As crianças perdem aula porque não têm como sair, o carro atola, e quem depende de ônibus precisa andar muito no barro para chegar ao ponto mais próximo”, relata. A situação cria uma barreira invisível, isolando comunidades inteiras.
O problema afeta diretamente a saúde dos moradores. Problemas respiratórios são comuns, especialmente entre os mais jovens e os idosos, devido à inalação constante de poeira. A água empoçada na lama também se torna um criadouro para mosquitos, incluindo o Aedes aegypti, transmissor de dengue, zika e chikungunya.
Promessas vazias e o sentimento de abandono
A cada período eleitoral, a esperança dos moradores se renova, mas logo dá lugar à frustração. Políticos visitam as comunidades, prometem o tão sonhado asfalto, mas, passado o pleito, as promessas caem no esquecimento. “Já perdi a conta de quantas vezes vieram aqui, mediram a rua, disseram que a obra ia começar e nunca mais apareceram”, lamenta o aposentado Carlos Alberto, de 68 anos.
Esse ciclo de promessas não cumpridas gera um profundo sentimento de abandono e desrespeito. Os moradores afirmam que pagam seus impostos, como o IPTU, em dia, e não entendem por que não recebem os serviços básicos em troca. A equipe do Campo Grande NEWS verificou que muitas dessas ruas constam em planos de obras antigos da prefeitura, mas sem prazo para execução.
A falta de infraestrutura também desvaloriza os imóveis e impede o desenvolvimento comercial da região. Pequenos comerciantes relatam dificuldades para receber mercadorias e a falta de clientes, que evitam transitar pelas ruas esburacadas. É um ciclo de prejuízos que afeta a economia local e a qualidade de vida de todos.
A busca por uma solução
Cansados de esperar, muitos moradores tentam soluções paliativas por conta própria. É comum ver mutirões para jogar entulho e cascalho nos buracos maiores, na tentativa de minimizar os transtornos. “A gente faz o que pode, mas não adianta. Na primeira chuva forte, a água leva tudo e o problema volta ainda pior”, explica um dos moradores.
A comunidade tem se organizado por meio de abaixo-assinados e petições online, buscando pressionar as autoridades. A esperança é que, com a visibilidade do problema, a Prefeitura do Rio de Janeiro finalmente inclua essas ruas em um cronograma de obras efetivo. O que eles pedem não é um luxo, mas um direito básico à cidadania.
O Campo Grande NEWS segue acompanhando o caso e buscará um posicionamento dos órgãos responsáveis sobre a previsão de obras de pavimentação para as áreas afetadas em Campo Grande. A população aguarda uma resposta que vá além das promessas e se transforme, finalmente, em asfalto sob seus pés.


