Carlos Slim, o bilionário mexicano, provou mais uma vez sua maestria no volátil mercado de commodities, especialmente no setor de petróleo. Seu fundo de investimento, Control Empresarial de Capitales, realizou vendas expressivas de ações em empresas de energia americanas, embolsando quase US$ 540 milhões neste ano. As operações, que incluem a venda de US$ 497 milhões em ações da PBF Energy e cerca de US$ 40 milhões em Talos Energy, ocorrem em um momento de alta nos preços do petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio. Essa estratégia, que envolve comprar em momentos de baixa e vender com lucros inflados por crises, tem se mostrado recorrente e extremamente lucrativa para o empresário.
Slim lucra com guerra e foca em ativos mexicanos
O fundo de investimento de Carlos Slim, Control Empresarial de Capitales, vendeu cerca de US$ 540 milhões em ações de energia dos Estados Unidos em 2026, capitalizando sobre o chamado “prêmio de guerra” que elevou as margens de refino a níveis recordes. A venda de mais de um terço de sua posição na PBF Energy, por exemplo, ocorreu quando as ações da empresa dispararam mais de 30% em 2026. As ações da PBF foram vendidas por até 268% acima do preço de compra em 2025, refletindo o impacto do conflito em Hormuz e das tensões entre EUA e Irã no mercado de combustíveis. Essa jogada repete o padrão de sucesso de Slim durante a pandemia de Covid-19, quando ele comprou ativos a preços baixos e lucrou enormemente com o choque de oferta causado pela guerra na Ucrânia em 2022.
Apesar das vendas substanciais, Carlos Slim mantém posições combinadas de mais de US$ 1,3 bilhão em PBF e Talos. Simultaneamente, o magnata continua a expandir seus investimentos em ativos de energia no México. Seu grupo, Grupo Carso, já investiu mais de US$ 2,4 bilhões em projetos de petróleo e gás no país, incluindo os campos Zama, Ixachi e Lakach, em parceria com a Pemex. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa estratégia demonstra uma clara rotação do capital, saindo de ações negociadas publicamente com valor inflado por fatores externos e investindo em ativos físicos onde Slim tem maior controle operacional e relações diretas com a estatal mexicana.
A estratégia de comprar na baixa e vender na alta
A estratégia de Carlos Slim no setor de petróleo tem sido marcada pela habilidade de antecipar e capitalizar sobre os ciclos de commodities. A posição na PBF Energy, por exemplo, foi construída durante a pandemia de Covid-19, quando a demanda por gasolina despencou e as ações de refinarias atingiram patamares de liquidação. Com a reabertura da economia global e a interrupção das cadeias de suprimentos de combustíveis refinados após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, Slim colheu lucros expressivos com essas mesmas ações. Ele então reinvestiu cerca de US$ 1 bilhão em ações de petróleo em 2024, aumentando suas participações em PBF e Talos ao longo de 2025.
O recente conflito em Hormuz proporcionou a Slim uma nova oportunidade de lucro. As ações da PBF e Talos apresentaram valorização superior a 30% em 2026, impulsionadas pelas tensões no Oriente Médio que desestabilizaram as cadeias de suprimentos globais. As vendas realizadas em março de 2026, o mês de maior atividade, coincidiram com o pico das ações da PBF, impulsionadas pela expansão das margens de refino. Algumas ações da PBF vendidas em abril atingiram US$ 47,50, um valor aproximadamente 70% superior ao preço do final de 2025 e até 268% acima do que Slim pagou em 2025. Arturo Elías Ayub, genro e porta-voz de Slim, classificou as vendas como oportunas, e não uma mudança estratégica, afirmando que a posição havia crescido demais e era um bom momento para vender a um preço favorável.
Investimento em ativos físicos no México
Em contraste com a venda de ações nos EUA, Carlos Slim tem intensificado seu compromisso com os ativos de energia física dentro do México. Seu Grupo Carso investiu mais de US$ 2,4 bilhões em projetos onshore e offshore mexicanos. Entre os investimentos notáveis estão o acordo de US$ 2 bilhões para o campo de gás Ixachi com a Pemex, o projeto de gás em águas profundas de Lakach e a aquisição dos ativos da Lukoil no México por US$ 600 milhões, quando empresas russas se retiraram do mercado sob pressão de sanções. O Campo Grande NEWS apurou que essa movimentação reflete uma lógica consistente: realizar lucros em ações de energia americanas, que são líquidas e negociadas publicamente, quando prêmios geopolíticos inflacionam seu valor, e, em seguida, realocar o capital em ativos mexicanos de longa duração, onde Slim detém controle operacional e um relacionamento direto com a Pemex.
Carlos Slim, atualmente com um patrimônio estimado em US$ 130 bilhões pela Bloomberg Billionaires Index, e com um aumento de US$ 19 bilhões apenas em 2026, continua a ser um dos maiores acumuladores de riqueza globalmente. A estratégia de vender posições em empresas de energia americanas e focar em ativos físicos no México sinaliza que o magnata não está saindo do setor de energia, mas sim promovendo uma rotação estratégica. Ele transita de investimentos em papel, impulsionados por prêmios geopolíticos, para o controle operacional direto em ativos de longo prazo. Conforme o Campo Grande NEWS destaca, essa habilidade de navegar e capitalizar nos ciclos de mercado é um dos pilares de sua fortuna.
O que a movimentação de Slim sinaliza para o mercado
Mesmo após as vendas significativas, Carlos Slim mantém o controle de posições combinadas avaliadas em mais de US$ 1,3 bilhão em PBF e Talos. Além disso, ele preserva sua participação de 49,9% na unidade mexicana da Talos, que o conecta ao campo de petróleo Zama, uma das descobertas offshore mais importantes do México nos últimos tempos. A mensagem enviada ao mercado é clara: Slim não está abandonando o setor de energia. Pelo contrário, ele está otimizando seu portfólio, migrando de investimentos em ações sujeitas a volatilidade de mercado e prêmios geopolíticos para o controle direto de ativos físicos em regiões estratégicas. Essa manobra reforça sua posição como um dos investidores mais astutos e bem-sucedidos da América Latina, demonstrando uma visão de longo prazo e uma capacidade ímpar de antecipar tendências econômicas e geopolíticas. A expertise de Slim em commodities, como detalhado pelo Campo Grande NEWS, continua a ser um fator determinante em sua trajetória de sucesso financeiro.


