Feminicida de mãe e bebê carbonizados vai a júri em Campo Grande

O julgamento de João Augusto Borges de Almeida, acusado de duplo feminicídio contra a ex-esposa Vanessa Eugênia Medeiros e a filha Sophie Eugênia Borges, teve dois dias reservados para ocorrer na 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande. O caso, que chocou a capital pela brutalidade, tem como data prevista para o julgamento o dia 27 de maio. A expectativa é que o processo se estenda por dois dias, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

Júri reservado para julgamento de feminicida em Campo Grande

João Augusto Borges de Almeida será levado a júri popular no próximo mês, em Campo Grande, onde responderá pela morte de sua ex-esposa e filha. Os corpos de Vanessa Eugênia Medeiros e Sophie Eugênia Borges foram encontrados carbonizados em um terreno baldio no dia 26 de maio do ano passado. A chocante descoberta gerou grande comoção na cidade, especialmente pelo fato de o acusado ter, na época, registrado um boletim de ocorrência de desaparecimento das duas, em uma tentativa de simular inocência.

O magistrado responsável pelo caso é Dr. Aluízio Pereira dos Santos, titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri. A reserva de dois dias para o julgamento visa garantir a completa oitiva de testemunhas, a apresentação de provas e os debates entre acusação e defesa, permitindo que a justiça seja feita com a devida atenção aos detalhes deste crime hediondo. O Campo Grande NEWS acompanhou os desdobramentos do caso desde o início.

A motivação do crime, segundo relatos anteriores do próprio acusado, teria envolvido discussões familiares e um suposto surto. Durante a primeira audiência de instrução e julgamento, em agosto, João alegou estar arrependido e disse ter agido em um momento de descontrole. Ele confessou ter matado a esposa e a filha estranguladas e, posteriormente, carbonizado os corpos para se livrar das evidências, como detalhado em reportagem do Campo Grande NEWS.

Alegado surto e ódio pela filha marcam depoimento

Em seu depoimento inicial à polícia, João Augusto chegou a afirmar que não pagaria pensão para duas mulheres, indicando uma possível motivação financeira. No entanto, durante a audiência, ele negou que o crime tivesse essa causa, mudando sua versão. Ele relatou que, após uma discussão com Vanessa, que teria lhe dado um tapa no rosto, ele entrou em um suposto surto, mesmo sem ter histórico de problemas psiquiátricos constatados.

Nesse estado, ele teria matado primeiro a esposa e, em seguida, a filha. A confissão sobre a carbonização dos corpos foi para, segundo ele, “se livrar”. Em outra parte de seu depoimento ao delegado Rodolfo Daltro, titular da DHPP (Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa), João expressou um profundo ódio pela filha Sophie. Ele revelou que começou a sentir raiva da bebê quando ela completou dois meses de vida.

“Eu odiava a Sophie”, chegou a dizer o pai, acrescentando que, caso não a tivesse matado, a teria doado. Apesar de negar estar sob efeito de drogas, o acusado não demonstrou remorso aparente durante seus depoimentos. Ele também mencionou que Vanessa desejava se separar após o nascimento da filha, mas ele não aceitava, temendo o alto valor da pensão alimentícia. João relatou que Vanessa ameaçou ir embora com a filha e fazer Sophie odiá-lo.

Busca por ajuda e canais de denúncia

Em Mato Grosso do Sul, existem diversos canais de apoio para mulheres em situação de violência. A Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, funciona 24 horas e oferece acolhimento, orientação e diversos serviços, como Defensoria Pública, Ministério Público e atendimento psicossocial. O número de emergência é o 190.

A Central de Atendimento à Mulher – 180, que garante o anonimato, funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, e serve para acolhimento, orientação e encaminhamento. Para casos de emergência, o número 190 deve ser acionado. Em casos de má conduta policial, é possível denunciar à Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone (67) 3314-1896 ou ao MPMS pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.

O caso de feminicídio de Vanessa e Sophie serve como um trágico lembrete da gravidade da violência doméstica e da necessidade de denúncia e apoio às vítimas. O julgamento em maio é um passo crucial para a responsabilização do acusado.