A escassez de Rivotril (clonazepam), um medicamento amplamente utilizado no Brasil para o tratamento de ansiedade e epilepsia, está gerando apreensão entre pacientes e farmacêuticos em Campo Grande. A falta do fármaco nas prateleiras das farmácias é um reflexo de um problema de abastecimento em nível nacional que se arrasta desde o final de 2024, impactando diretamente o acesso a um tratamento essencial para milhares de pessoas.
Rivotril em escassez: entenda o desabastecimento
Farmácias de Campo Grande relatam dificuldades significativas para encontrar o Rivotril (clonazepam), um remédio crucial para o manejo de transtornos de ansiedade e condições epilépticas. A situação, que se estende por meses, não é isolada e reflete um desabastecimento em âmbito nacional. A principal causa apontada é a interrupção temporária da produção pela farmacêutica Blanver, responsável pelo medicamento no Brasil.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo e confirmadas pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), a Blanver informou que a produção foi suspensa devido à necessidade de transferir as instalações fabris para a Europa. Essa mudança logística visa otimizar a produção e atender a outros mercados, mas tem como consequência direta a redução drástica do estoque disponível no Brasil.
O desabastecimento, que segundo o CFF teve início em setembro de 2025, tem gerado um cenário de incerteza para os pacientes. A expectativa é que a versão em gotas do Rivotril (2,5 mg/mL) volte a ter sua produção normalizada em abril deste ano. Já para o comprimido sublingual (0,25 mg), a previsão de retorno ao mercado é mais estendida, ao longo do primeiro semestre de 2025.
Estoque zerado e reposição insuficiente nas farmácias
Em redes de farmácias na capital sul-mato-grossense, a falta do Rivotril é uma realidade constante. A Ultrafarma, por exemplo, informou que está há aproximadamente três meses sem o produto ou com estoques extremamente irregulares. A situação se repete em outras redes, como a Drogasil. Em uma unidade localizada na Avenida Zahran, o estoque atual é de apenas duas unidades, enquanto outra filial no bairro Santa Fé relatou que as poucas unidades recebidas se esgotam rapidamente.
Atendentes de farmácias descrevem que as reposições, quando ocorrem, chegam em quantidades mínimas, insuficientes para suprir a alta demanda. “Ontem tinha dois, hoje já não tem”, desabafou uma farmacêutica, ilustrando a dinâmica de esgotamento quase imediato do medicamento. Essa irregularidade na oferta dificulta o planejamento dos pacientes e pode levar à interrupção do tratamento, o que é especialmente preocupante para quem depende do Rivotril para controlar crises epilépticas ou sintomas severos de ansiedade.
Por que o Rivotril é tão importante?
O clonazepam, princípio ativo do Rivotril, pertence à classe dos benzodiazepínicos e atua no sistema nervoso central. Ele é amplamente prescrito por médicos para o tratamento de diversas condições, incluindo transtornos epilépticos, ataques de pânico, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno do pânico e fobias sociais. Sua eficácia em aliviar sintomas como tremores, convulsões e crises de ansiedade o torna um medicamento de uso contínuo para muitos pacientes.
A interrupção do tratamento com clonazepam pode acarretar o retorno ou agravamento dos sintomas, gerando sofrimento e comprometendo a qualidade de vida dos pacientes. Em casos de epilepsia, a descontinuidade do medicamento pode levar a crises mais frequentes e severas, com riscos à saúde e segurança do indivíduo. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta prolongada de medicamentos essenciais como o Rivotril pode ter impactos significativos na saúde pública.
Produção transferida para Europa: o que muda?
A Blanver, farmacêutica responsável pela produção do Rivotril no Brasil, confirmou que a interrupção temporária se deve à transferência de sua linha de produção para a Europa. A solução oral em gotas passará a ser fabricada na Itália, enquanto a versão sublingual será produzida na Espanha. Essa mudança, embora planejada pela empresa, impacta diretamente o abastecimento do mercado brasileiro, que agora aguarda o retorno gradual da produção.
O Conselho Federal de Farmácia (CFF) tem monitorado a situação e mantido contato com a fabricante para buscar soluções e informações precisas sobre o retorno do medicamento. A expectativa é que, com a regularização da produção europeia, os estoques no Brasil comecem a ser normalizados. No entanto, o tempo de adaptação da logística internacional e a priorização de outros mercados podem influenciar o ritmo desse reabastecimento.
A situação reforça a importância de um planejamento estratégico por parte das autoridades de saúde e das indústrias farmacêuticas para garantir o suprimento contínuo de medicamentos essenciais. Pacientes que utilizam Rivotril devem manter contato com seus médicos para discutir alternativas de tratamento ou estratégias para lidar com a escassez temporária. O Campo Grande NEWS segue acompanhando o desenrolar desta questão, buscando trazer informações atualizadas sobre o retorno do Rivotril às farmácias.
É fundamental que os pacientes não interrompam o uso do medicamento por conta própria, mas sim busquem orientação médica. O desabastecimento de um fármaco tão relevante como o Rivotril evidencia a fragilidade da cadeia de suprimentos e a necessidade de medidas que assegurem o acesso ininterrupto aos tratamentos médicos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o impacto desse desabastecimento afeta diretamente a rotina e o bem-estar de muitos cidadãos.
Atrasos na importação, problemas na fabricação ou mudanças logísticas globais podem ter repercussões severas no acesso a medicamentos básicos. A situação do Rivotril serve como um alerta para a necessidade de maior resiliência no setor farmacêutico. O Campo Grande NEWS continuará a investigar e informar a população sobre os avanços na normalização do estoque deste importante medicamento.

