Juiz quer detalhes sobre imóvel de Bernal e cobra laudos do Imol

O juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, solicitou informações adicionais sobre a propriedade e posse da casa localizada na Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim das Posses, palco da morte de Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. A decisão do magistrado visa obter mais clareza antes de aceitar a denúncia contra o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, 60 anos, que confessou ser o autor dos disparos que vitimaram o fiscal tributário estadual. Além disso, o juiz cobrou laudos pendentes do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol).

Bernal denunciado por homicídio qualificado e porte ilegal de arma

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) apresentou denúncia contra Alcides Bernal por homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo, pedindo que ele seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. Na última sexta-feira, dia 10 de abril, o juiz Garcete, em despacho proferido nesta segunda-feira (13), detalhou suas exigências para prosseguir com o caso. Conforme as informações divulgadas pelo Campo Grande NEWS, o juiz busca esclarecer pontos cruciais para a aceitação da peça acusatória.

O magistrado determinou que o Ministério Público esclareça melhor a questão da propriedade e posse do imóvel, uma vez que, segundo a denúncia, o ex-prefeito teria adentrado o local sem ter mais a posse ou propriedade. Essa apuração é fundamental para o recebimento da denúncia. O juiz estabeleceu um prazo de 5 dias para que o Imol envie ao juízo todos os laudos periciais que ainda estejam pendentes de apresentação.

Adicionalmente, o juiz Garcete solicitou que o advogado Tiago Martinho, que representa a viúva e os filhos da vítima, apresente a documentação necessária para que sua habilitação como assistente da acusação seja formalizada, caso seja aceita. A família da vítima busca assim participar ativamente do processo judicial.

Detalhes do crime e laudos pendentes

O inquérito policial referente ao caso foi concluído e encaminhado à Justiça no dia 2 de abril, porém, ainda dependia da finalização de laudos periciais. Um relatório da perícia, posteriormente apresentado, detalhou a trajetória dos tiros que atingiram Roberto Carlos Mazzini, indicando que o segundo disparo foi efetuado à queima-roupa pelo ex-prefeito. A conclusão da perícia reforça a gravidade do crime.

Segundo a Polícia Civil, Alcides Bernal atirou para matar na tarde do dia 24 de março. O delegado Danilo Mansur indiciou Bernal por homicídio qualificado, devido ao recurso que dificultou a defesa da vítima, além de porte ilegal de arma de fogo. A arma utilizada, um revólver calibre 38, possuía registro e autorização de porte vencidos, o que agrava a situação do ex-prefeito. O MPMS acatou o mesmo entendimento na denúncia apresentada.

As investigações apontam que a vítima, Roberto Carlos Mazzini, chegou ao imóvel acompanhada de um chaveiro e obteve acesso à residência após a abertura do portão. Aproximadamente 40 minutos depois, Alcides Bernal chegou ao local, pegou um revólver em sua caminhonete e adentrou o imóvel já portando a arma. Em poucos segundos, após avançar em direção à área interna da casa, efetuou o primeiro disparo.

Defesa alega legítima defesa e divergências no depoimento

A defesa de Alcides Bernal sustenta que o ex-prefeito agiu em legítima defesa, alegando ter se sentido ameaçado no momento do ocorrido. Em seu interrogatório, Bernal afirmou que os disparos foram efetuados após ele se sentir em perigo. Essa versão, no entanto, diverge do relato do chaveiro presente no local e das imagens analisadas pela polícia, que indicam que a vítima não teve tempo de reagir à ação.

O Campo Grande NEWS apurou que a discrepância entre os depoimentos e as evidências coletadas é um dos pontos que o juiz busca esclarecer. A análise detalhada das circunstâncias e a confirmação da propriedade do imóvel são passos cruciais para a continuidade do processo. A justiça busca a verdade dos fatos para que os responsáveis sejam devidamente punidos, conforme a lei.

A comunidade aguarda com expectativa os desdobramentos deste caso que chocou a cidade. A atuação do Poder Judiciário e a apuração rigorosa dos fatos são essenciais para garantir a justiça e a ordem pública. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando o caso de perto, trazendo todas as atualizações relevantes para seus leitores.