Dívida colombiana dispara 54% sob Petro, alcançando pico histórico

A dívida pública da Colômbia atingiu um patamar alarmante sob a gestão do presidente Gustavo Petro, apresentando um crescimento de 54% desde que ele assumiu o cargo em agosto de 2022. Em fevereiro de 2026, o endividamento bruto do governo central alcançou o recorde de 1,238 trilhão de pesos (aproximadamente R$ 290 bilhões), o maior valor já registrado para o mês desde o início da série histórica em 2002. Esse aumento expressivo, que soma 433 trilhões de pesos (R$ 101 bilhões) em pouco mais de três anos, levanta sérias preocupações sobre a sustentabilidade fiscal do país e sua exposição a riscos externos.

Conforme divulgado pelo escritório de Relações com Investidores da Colômbia, o Ministério das Finanças, o cenário fiscal colombiano tem sido desafiador. O recorde de endividamento ocorreu mesmo com a iniciativa do governo de cancelar um contrato de Total Return Swap em francos suíços, operação que, segundo o diretor de crédito público, Javier Cuéllar, reduziu a dívida bruta em cerca de 100 trilhões de pesos (R$ 23,4 bilhões). Sem essa medida, a trajetória de crescimento da dívida seria ainda mais acentuada, evidenciando a pressão constante sobre as contas públicas.

O aumento acelerado da dívida reflete uma combinação de fatores complexos. A rejeição da Lei de Financiamento pelo Congresso, despesas decorrentes de decretos de emergência e um ambiente de altas taxas de juros, que encarecem o custo de rolagem dos títulos domésticos, contribuíram significativamente para o quadro atual. Além disso, os efeitos cambiais sobre a porção externa da dívida amplificam o problema, tornando a Colômbia mais vulnerável a flutuações na taxa de câmbio.

Composição da Dívida: Interna e Externa em Destaque

Do montante total de 1,238 trilhão de pesos, 865 trilhões de pesos (R$ 202 bilhões) correspondem à dívida interna. Essa parcela é composta principalmente por títulos do governo (TES) detidos por bancos locais, fundos de pensão e pelo banco central. A dívida externa, por sua vez, totaliza 372 trilhões de pesos (R$ 87 bilhões), representando 30,1% do total. Essa exposição ao mercado internacional é um ponto crítico, especialmente devido à sua composição cambial.

A análise da dívida externa revela uma significativa concentração em moeda estrangeira. Cerca de 59,5% das obrigações externas estão denominadas em dólares americanos. Essa forte exposição à moeda dos EUA deixa a Colômbia em posição vulnerável a qualquer nova desvalorização do peso colombiano. Outras moedas relevantes na composição incluem o franco suíço (24,5%), reflexo de posições legadas em TRS, e o euro (14,3%). Apenas 1,6% da dívida externa está atrelada diretamente ao peso colombiano.

Em termos de fontes de financiamento externo, os títulos internacionais representam 51% do total. Instituições multilaterais compõem a maior parte restante, com destaque para o Banco Mundial (IBRD) com 17%, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) com 11%, e a CAF com 4%. Agências como a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e a alemã KfW detêm cada uma 2%.

Impacto para Investidores e Cenário Econômico

A trajetória ascendente da dívida reforça as pressões fiscais que já vinham impulsionando a expectativa de uma alta de 100 pontos base na taxa de juros básica da Colômbia, para 11,25%. Taxas de juros mais elevadas aumentam o custo de carregar e rolar os títulos do governo (TES), criando um ciclo vicioso onde a deterioração fiscal alimenta o aperto monetário, que, por sua vez, eleva os custos de serviço da dívida. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa dinâmica pode gerar instabilidade nos mercados financeiros.

A exposição de 59,5% da dívida externa ao dólar significa que qualquer desvalorização adicional do peso colombiano amplifica o valor nominal total da dívida de forma mecânica, mesmo sem a contração de novos empréstimos. Com as receitas da Ecopetrol sob pressão devido à volatilidade do preço do petróleo no mercado internacional e com a meta de receita do governo de 26,3 trilhões de pesos dependendo de sobretaxas emergenciais, o fosso entre as ambições fiscais da Colômbia e sua capacidade real de financiamento continua a se alargar, um cenário que exige atenção redobrada dos investidores, como aponta a análise do Campo Grande NEWS.

A situação fiscal da Colômbia, detalhada pelo Campo Grande NEWS, exige medidas contundentes para reequilibrar as contas públicas e mitigar riscos. A gestão da dívida e a busca por fontes de receita sustentáveis tornam-se cruciais para garantir a estabilidade econômica e a confiança dos mercados em médio e longo prazo. A crescente dívida pública sob a gestão de Petro é um sinal de alerta que não pode ser ignorado.