Ouro despenca para US$ 4.120: pior queda desde 1983 e pânico nos mercados

O preço do ouro sofreu uma derrocada histórica, atingindo o menor patamar em meses e registrando sua pior semana desde 1983. A commodity, vista tradicionalmente como um porto seguro em tempos de incerteza, despencou para US$ 4.120 na manhã desta segunda-feira, rompendo um importante suporte técnico e acendendo o alerta vermelho nos mercados financeiros globais. A prata, por sua vez, também sentiu o impacto, com uma queda de 45% em relação ao pico de janeiro.

Ouro e prata em queda livre: o que está acontecendo?

A queda acentuada do ouro, que já acumula nove sessões consecutivas de perdas, é um reflexo direto de um cenário macroeconômico complexo. Conforme divulgado pelo Gold & Silver Daily Report, o metal precioso fechou a semana em US$ 4.494, uma desvalorização semanal de 10,4%, a maior desde o início de março de 1983. A perda de US$ 441 em uma única semana é um feito sem precedentes.

Essa desvalorização ocorre em um momento paradoxal, com um conflito ativo no Oriente Médio e o petróleo superando os US$ 112. Teoricamente, esses fatores deveriam impulsionar o ouro como um ativo de refúgio. No entanto, as consequências inflacionárias desses eventos forçaram o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos a adotar uma postura mais dura, mantendo os juros elevados e afastando a perspectiva de cortes em breve.

O dólar americano emergiu como o verdadeiro vencedor dessa corrida por segurança. A ferramenta CME FedWatch indicou uma probabilidade de 50% de aumento nas taxas de juros até outubro, levando o rendimento dos Treasuries de 10 anos a 4,39% e o índice DXY (que mede a força do dólar contra uma cesta de moedas) a 99,50. Analistas do TD Bank, como Daniel Ghali, destacam que o dólar substituiu o ouro como o principal refúgio seguro.

A desvalorização da prata e a fuga de capital especulativo

A prata não saiu ilesa dessa turbulência. Com uma queda de 45% desde o pico de janeiro, o metal branco atingiu seu pior desempenho desde 2011. De US$ 121,65 no final de janeiro, a prata caiu para US$ 67,94 na sexta-feira. Essa devastação é atribuída à sua dupla vulnerabilidade, tanto industrial quanto monetária.

O fundo SLV ETF, que acompanha o preço da prata, já registrou uma saída de mais de US$ 3,6 bilhões em 2026. Arthur Parish, analista de metais da SP Angel, aponta que o capital