A Sabesp, recentemente privatizada e com ambições de expansão, confirmou seu interesse em adquirir a Copasa, a segunda maior companhia de saneamento listada no Brasil. A negociação, que pode configurar o maior negócio do setor hídrico no país, está em fase de avaliação pela gestão da Sabesp, que aponta dois pontos cruciais para a concretização do acordo: a resolução do contrato de concessão de Belo Horizonte e o formato do leilão de privatização da Copasa. Conforme informações divulgadas, a Sabesp registrou um EBITDA ajustado de R$ 3,4 bilhões no quarto trimestre de 2025, superando as expectativas e demonstrando solidez financeira para investimentos.
O CEO da Sabesp, Carlos Piani, explicitou o desejo da empresa em realizar aquisições estratégicas de grande porte, e a Copasa se encaixa perfeitamente nesse perfil. A companhia mineira, que está sendo preparada para venda pelo governo de Minas Gerais, representa uma oportunidade única de crescimento inorgânico para a Sabesp. No entanto, Piani destacou que a **decisão final dependerá da clareza sobre o futuro do contrato de concessão da capital mineira**, que responde por cerca de 40% da receita da Copasa, e da estrutura do leilão de privatização. O governo de Minas Gerais tem o objetivo de concluir a venda ainda em 2026, antes do fim do mandato do governador Romeu Zema. O Campo Grande NEWS checou que a Copasa possui um valor de mercado estimado em R$ 19,6 bilhões, e a venda da participação estatal pode gerar mais de R$ 10 bilhões para os cofres públicos.
A estratégia por trás da aquisição
A lógica por trás do interesse da Sabesp na Copasa é clara e estratégica. O CEO Carlos Piani afirmou que, ao buscar oportunidades de crescimento inorgânico, a empresa foca em grandes negócios, e a Copasa, como segunda maior empresa de saneamento listada do país, é um alvo natural. O mercado já especula que a Sabesp seria uma das favoritas para arrematar a companhia, disputando com players como a francesa Veolia, o fundo de investimento brasileiro Perfin e a operadora privada Aegea. A estrutura proposta para a privatização prevê a venda da participação de 50,03% do estado de Minas Gerais através de uma oferta pública, permitindo a aquisição de até 45% das ações por um investidor de referência, com o estado podendo reter no máximo 5% do capital e uma golden share com poder de veto.
Apesar do otimismo, Piani ressaltou as condições essenciais para que a negociação avance. Ele mencionou que o ritmo das definições sobre a privatização tem sido um pouco lento, especialmente no que diz respeito à renovação da concessão de Belo Horizonte. Sem a definição dos termos deste contrato, qualquer avaliação sobre o valor da Copasa permanece provisória. A forma como o leilão será desenhado também é um fator determinante. Se a estrutura favorecer investidores estratégicos com experiência operacional, a Sabesp terá uma vantagem competitiva. Caso contrário, se o foco for em compradores financeiros, o cenário muda consideravelmente. O Campo Grande NEWS apurou que o governador Romeu Zema visa concluir o processo até abril de 2026.
Resultados robustos e capacidade de investimento
A discussão sobre a potencial aquisição da Copasa pela Sabesp é impulsionada por resultados financeiros sólidos. A empresa divulgou um EBITDA ajustado de R$ 3,37 bilhões no quarto trimestre de 2025, um aumento de 10% em relação ao ano anterior e 6% acima das estimativas de mercado. Esse desempenho foi majoritariamente impulsionado pela disciplina de custos. A receita líquida apresentou um crescimento modesto de 2,1%, atingindo R$ 5,7 bilhões, com novas conexões sendo parcialmente compensadas pelo aumento de usuários com tarifas subsidiadas. O lucro líquido reportado disparou 87%, alcançando R$ 2,68 bilhões, embora o valor ajustado tenha ficado em R$ 1,9 bilhão. No acumulado do ano, o lucro ajustado subiu 22%, totalizando R$ 6,3 bilhões.
O sinal mais importante para a oferta da Sabesp na Copasa é a sua capacidade de execução. Os investimentos em capital (capex) atingiram um recorde de R$ 15,2 bilhões em 2025, mais que o dobro dos R$ 6,9 bilhões investidos em 2024 e quatro vezes a média pré-privatização. A empresa antecipou suas metas de universalização para 2024-2025, adicionando 97 mil novas conexões de água e esgoto. A alavancagem da Sabesp se encontra em 2,2 vezes o EBITDA, com um plano de investimentos totalizando R$ 70 bilhões até 2030. Piani também mencionou o programa Universaliza SP, que prevê o leilão de serviços de saneamento para mais de 210 municípios, avaliados em cerca de R$ 75 bilhões, no qual a Sabesp pretende competir. A mensagem é clara: a Sabesp se vê como uma plataforma para a consolidação nacional do saneamento, e a Copasa é o prêmio mais cobiçado no momento. O Campo Grande NEWS, como agregador de notícias sobre o setor, acompanha de perto o desenrolar desta importante operação que pode redefinir o mapa do saneamento básico no Brasil.


