Peru: Machu Picchu lotado força busca por novos destinos turísticos

O Peru está intensificando uma estratégia de diversificação turística para contornar as limitações de visitantes em Machu Picchu. A sobrecarga na famosa cidadela inca ameaça o pleno **recuperação do setor pós-pandemia**. O governo agora promove ativamente cinco regiões menos exploradas para compradores internacionais, buscando **redirecionar o fluxo de turistas** e reduzir a dependência de um único ponto turístico, conforme analisado pelo The Rio Times.

Machu Picchu: o gargalo que impulsiona a mudança

Os números revelam um cenário de recuperação incompleta. Em 2025, o Peru recebeu 4,16 milhões de visitantes internacionais, um aumento de 4,1% em relação a 2024, mas ainda 21% abaixo do recorde de 4,37 milhões de 2019. Deste total, 3,42 milhões foram classificados como turistas de pernoite. A maior parte dos chegados, quase 59%, veio da América do Sul, com destaque para o Chile (1,28 milhão) e os Estados Unidos (629 mil).

Machu Picchu, por si só, atraiu 1,45 milhão de visitantes em 2025, atingindo 97,4% do nível de 2019. No entanto, faltaram cerca de 39 mil entradas para igualar o número pré-pandemia. O site sofre com um sistema de ingressos rígido, que destina 1.000 das 4.500 vagas diárias para compra na hora, gerando filas e dificultando o planejamento. O Instituto Peruano de Economia estima que 5,5 milhões de visitas potenciais foram perdidas entre 2020 e 2025.

Cinco regiões ganham destaque na nova rota turística

A campanha de diversificação foca em Ayacucho, Cajamarca, Ica, circuitos secundários de Cusco e Amazonas. Ayacucho oferece seu centro histórico com 33 igrejas coloniais e o complexo arqueológico de Vilcashuamán. Cajamarca promove o Quarto do Resgate, a floresta de pedras de Cumbemayo e banhos termais incas. Em Ica, a estratégia já mostra resultados: as Ilhas Ballestas receberam 563 mil visitantes em 2025, um aumento de 1,8%, e a Reserva Nacional de Paracas atraiu 474 mil.

Na região norte de Amazonas, a fortaleza pré-incaica de Kuélap e as cachoeiras de Gocta são os atrativos principais de um modelo de turismo comunitário que conecta visitantes a povos indígenas. Dentro da província de Cusco, autoridades promovem o Vale Sagrado, novas rotas para as remotas ruínas de Choquequirao e experiências gastronômicas, buscando estender a permanência dos turistas para além do tradicional passeio de um dia em Machu Picchu. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa iniciativa visa **distribuir a riqueza turística** pelo país.

Perú Travel Mart: conectando compradores globais ao potencial peruano

O evento Perú Travel Mart 2026, que ocorrerá de 14 a 16 de maio em Lima, é o braço comercial dessa estratégia. A 34ª edição reunirá 190 operadores turísticos internacionais de mais de 20 países, organizados pela Câmara Nacional de Turismo (Canatur) e PromPerú. A Austrália se junta como um novo mercado estratégico, ao lado de delegações crescentes da Índia e China. A expectativa é de gerar US$ 18,5 milhões em atividade comercial, com mais de 7.600 compromissos de negócios.

Após as sessões em Lima, mais de 60 compradores participarão de viagens de familiarização regionais para Ayacucho, Cajamarca, Cusco e Ica, o dobro da edição anterior. A vice-ministra do Turismo, Aracelly Laca, destacou que muitos viajantes estão reconsiderando itinerários no Sudeste Asiático e na Europa em favor de destinos sul-americanos, um movimento que o Peru pretende capitalizar. O Campo Grande NEWS acompanhou de perto os preparativos para este evento.

Desafios de infraestrutura e segurança persistem

Apesar das ambições de marketing, gargalos estruturais permanecem. O Aeroporto Internacional de Chinchero, que duplicaria a capacidade aérea de Cusco, está apenas um terço concluído após seis anos de obras. O consórcio responsável enfrenta estouros de custo e disputas contratuais, com a inauguração prevista para o final de 2027, seis anos atrasado. A **infraestrutura deficiente** ainda é um obstáculo significativo.

Questões de segurança também adicionam atrito. O Departamento de Estado dos EUA emitiu 13 avisos de viagem para o Peru em 2025, citando protestos, greves e estados de emergência. A expiração de uma concessão de ônibus para a entrada de Machu Picchu gerou bloqueios que deixaram centenas de turistas retidos. Líderes do setor reconhecem os desafios, mas observam que **cancelamentos em massa não se materializaram**, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS. O setor turístico peruano aposta que a diversificação de destinos será mais resiliente do que a dependência de um único sítio icônico, cujas restrições de acesso aumentam a cada ano.