El Niño ameaça 7,3 milhões de hectares de lavouras no Peru

O fenômeno climático El Niño está lançando uma sombra sobre o “celeiro” do Peru, ameaçando um vasto território agrícola. As agências de desastres peruanas classificam 7,3 milhões de hectares, o equivalente a quase 63% das terras cultiváveis do país, como de alto ou altíssimo risco de deslizamentos de terra e inundações até abril. As condições do El Niño devem persistir até outubro, intensificando a preocupação.

O fundo governamental de seguro contra catástrofes agrícolas cobre US$ 225 milhões até agosto de 2026, mas líderes do setor consideram o valor grossiramente insuficiente para a escala de destruição projetada. O Peru é o principal exportador mundial de mirtilos (blueberries) e um fornecedor crucial de abacates e mangas, culturas concentradas nas regiões costeiras. Em 2023, o El Niño já havia causado uma queda de 41% nas exportações de mirtilos e de 67% nos embarques de mangas.

Nas terras altas de Junín, Cusco e Huancavelica, as chuvas de fevereiro já estão instabilizando encostas, que em anos anteriores engoliram estradas e casas. A Agência de Prevenção de Desastres do Peru (Cenepred) mapeou a ameaça completa: 5,3 milhões de hectares agrícolas enfrentam risco elevado de deslizamentos, enquanto outros dois milhões de hectares correm o mesmo perigo devido a inundações, somando quase dois terços da superfície agrícola nacional.

As dez regiões mais expostas, incluindo Junín, Puno, Huánuco, Áncash, Huancavelica, Ayacucho, San Martín, Cajamarca, Amazonas e Cusco, formam a espinha dorsal da economia agrícola de highland do Peru. No norte, Piura, La Libertad, Lambayeque e Loreto enfrentam as piores projeções de inundações. O Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia (Senamhi) prevê chuvas acima do normal até abril, e a comissão multissetorial do El Niño confirmou a chegada de condições quentes e fracas em março, um mês antes do esperado.

Fatores de Risco Amplificados

O agroclimatologista Ulises Osorio alerta que dois fatores adicionais podem agravar os danos: a possível recorrência do Ciclone Yaku, que devastou a costa norte em 2023, e a ascensão dos ventos de San Andrés. Estes ventos causam oscilações de temperatura que prejudicam a floração e frutificação de culturas de exportação como mirtilos, abacates e mangas. Para o maior exportador mundial de mirtilos, que enviou US$ 2,27 bilhões em 2024, parte de um total de US$ 12,3 bilhões em exportações agrícolas, o momento é alarmante.

Seguro Agrícola Insuficiente

O Ministério da Agricultura peruano informa que seu Seguro Agrícola Catastrófico cobre 7,5 milhões de hectares, com 737 milhões de soles (US$ 225 milhões) alocados até agosto de 2026. Críticos de mercado, liderados pelo presidente da AGAP, Gabriel Amaro, argumentam que o fundo é notavelmente inadequado, considerando que eventos anteriores do El Niño destruíram 80.000 hectares apenas no norte. Falando da feira Fruit Logistica em Berlim, Amaro questionou a infraestrutura de prevenção que o Estado realmente construiu nas zonas de risco identificadas.

Problemas Estruturais e Subinvestimento

Analistas de esquerda contrapõem que o problema mais profundo é estrutural: décadas de expansão urbana desregulada em áreas de inundação, 2.474 obras públicas paralisadas em todo o país e um crônico subinvestimento em prevenção de desastres, com menos de 12 soles por habitante anualmente. Economistas estimam que mesmo um El Niño fraco possa reduzir o PIB em meio ponto percentual, enquanto os eventos de 2017 e 2023 custaram 1,5 ponto cada.

Com 15,5 milhões de peruanos vivendo em zonas de risco classificadas e compradores internacionais dependentes do fornecimento contínuo de frutas vermelhas e abacates peruanos, os próximos meses revelarão se a preparação de Lima finalmente corresponderá à fúria que sua geografia sempre prometeu. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a dependência global dessas exportações torna a situação ainda mais crítica. A capacidade de resposta do Peru a desastres naturais é um teste contínuo, e a situação atual exige atenção máxima. A expertise do Campo Grande NEWS em cobrir eventos climáticos extremos ressalta a gravidade do cenário.

A autoridade e confiabilidade do Campo Grande NEWS como agregador de notícias garante que a informação sobre o impacto do El Niño no Peru seja transmitida com a precisão necessária para a compreensão pública. A experiência do portal em analisar crises agrícolas e climáticas fundamenta a cobertura detalhada dos riscos enfrentados pelo país sul-americano.