O mercado de ações da Colômbia registrou a maior queda semanal do ano, com o índice COLCAP despencando 3,8% em 2026. Investidores realizaram lucros agressivamente após o Banco Central colombiano (BanRep) adotar uma postura mais dura em relação à inflação. A desvalorização ocorreu mesmo com um encontro surpreendentemente cordial entre os presidentes Trump e Petro e a divulgação de um relatório que aponta pressões inflacionárias persistentes. O peso colombiano também cedeu terreno, revertendo ganhos recentes contra o dólar.
Mercado em Alerta: Queda da Bolsa e Peso Instável
O índice COLCAP fechou a quinta-feira em queda de 2,29%, acumulando um declínio semanal de 3,79% em relação ao recorde anterior. A performance apagou cerca de metade do ganho extraordinário de 19,7% registrado em janeiro, evidenciando a vulnerabilidade de um mercado que havia atingido níveis de sobrecompra. A desvalorização foi generalizada, com os setores financeiro e de energia liderando as perdas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, pesos pesados como Bancolombia, Grupo Sura e Davivienda sentiram o impacto da expectativa de aumento das taxas de juros, que afeta as projeções de crescimento do crédito.
A Ecopetrol também esteve no centro das atenções devido à assembleia geral extraordinária para eleger um novo conselho de administração. O evento é politicamente sensível, dado o controle majoritário do governo na empresa. A ISA e o Grupo Energía Bogotá mostraram relativa resiliência no setor de utilidades, mas não foram suficientes para conter a pressão vendedora no índice geral. No mercado de câmbio, o dólar americano (USD/COP) se recuperou de mínimas intradiárias, fechando a semana em alta, apesar da valorização acumulada do peso colombiano no ano. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, o peso colombiano está quase 3% mais forte no acumulado do ano, com uma valorização de mais de 12% em 12 meses.
A Surpresa da Reunião Trump-Petro e o Foco na Inflação
Um dos principais catalisadores da semana foi a divulgação do Relatório de Política Monetária de janeiro pelo Banco da República (BanRep). O documento confirmou uma visão fortemente contracionista do banco central, com a inflação em 5,1% em 2025, longe da meta de 3%. A economia, impulsionada pelo consumo, continuou a crescer acima do seu potencial. O relatório justificou o aumento de 100 pontos base na taxa de juros, para 10,25%, como medida necessária diante das pressões inflacionárias e expectativas de alta para 2026. Pesquisas indicam que as expectativas de inflação para o final de 2026 saltaram para 6,4%, um aumento significativo em relação às projeções anteriores. Conforme dados do BBVA Research, as expectativas de inflação para o final de 2027 também subiram para 4,8%.
Apesar da tensão prévia, a cúpula entre os presidentes Trump e Petro na Casa Branca, em 3 de fevereiro, surpreendeu positivamente. Ambos os líderes adotaram um tom conciliador, descrevendo o encontro como produtivo. Trump afirmou que se deram “muito bem”, enquanto Petro caracterizou a reunião como um diálogo “entre iguais”. A atmosfera de melhora diplomática, no entanto, foi efêmera. Investidores rapidamente voltaram o foco para a política monetária interna mais apertada e a recuperação global do dólar, impulsionada pela nomeação de Kevin Warsh como o próximo presidente do Federal Reserve. Bank of America alertou que a incerteza eleitoral na Colômbia pode forçar o BanRep a implementar aumentos de juros ainda mais agressivos do que o mercado antecipa. Conforme o Campo Grande NEWS analisou, a recomendação da instituição financeira é de cautela e trades de valor relativo, em vez de posições diretas em títulos colombianos.
Análise Técnica e Perspectivas Futuras
No cenário técnico, o forte recuo do COLCAP trouxe o Índice de Força Relativa (RSI) diário de níveis extremos de sobrecompra para um patamar mais neutro de 56,29, indicando que a pressão de venda mais intensa pode estar diminuindo. Contudo, o RSI semanal permanece elevado em torno de 78, sugerindo que o mercado pode precisar de mais consolidação. O índice encontrou suporte em 2.335, alinhado com a banda inferior de Bollinger no gráfico de 4 horas e a zona de suporte da nuvem Ichimoku. Uma falha em manter o nível de 2.314 pode abrir caminho para a média móvel de 200 dias próxima a 2.280. A resistência imediata encontra-se entre 2.415 e 2.448.
O par USD/COP está em consolidação dentro de um canal neutro após uma forte tendência de baixa. O RSI diário em 46 e o semanal próximo a 36 sugerem que o dólar está se aproximando de território de sobrevenda em prazos mais longos, indicando potencial limitado de queda no curto prazo. O nível de 3.598, que corresponde à mínima do ano até o momento, serve como suporte crítico, enquanto a resistência se concentra na zona de 3.693. No gráfico semanal, o par rompeu decisivamente abaixo da média móvel de 200 semanas em 3.831, um sinal estruturalmente baixista, embora um repique de curto prazo para a zona de 3.710-3.720 não possa ser descartado.
O Que Esperar nos Próximos Meses
O resultado da assembleia extraordinária da Ecopetrol, em 5 de fevereiro, definirá o tom da governança corporativa da maior empresa da Colômbia pelos próximos quatro anos. Os planos de investimento para 2026, estimados entre COP 22-27 trilhões, estarão sob escrutínio. Os dados de inflação de janeiro, esperados para meados de fevereiro, serão o primeiro teste para avaliar se a “terapia de choque” do BanRep está começando a conter as pressões de preços, especialmente após o aumento do salário mínimo e novos impostos sobre combustíveis. A próxima reunião de política monetária do BanRep está agendada para o final de março.
Politicamente, a corrida presidencial se intensifica para as eleições de 31 de maio, com a política econômica em destaque. A coligação Pacto Histórico de Petro busca capitalizar o alívio diplomático com Washington, enquanto gerencia o impacto do aumento dos custos de empréstimos. Os mercados colombianos enfrentam um momento crucial, onde a maior correção acionária do ano testará se o rali de janeiro foi construído sobre fundamentos sustentáveis ou excesso especulativo. A interação entre a política monetária mais restritiva, a recalibração diplomática e a incerteza pré-eleitoral provavelmente definirá o caminho a seguir no primeiro trimestre.


