Campo Grande, Rio de Janeiro: Um Gigante Urbano com Alma Rural e Natureza Exuberante
O Brasil, com sua vasta diversidade, possui bairros que se assemelham a cidades inteiras. Um deles, o bairro de Campo Grande, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, ostenta o título de mais populoso do país. Com números impressionantes, ele revela a complexidade da urbanização brasileira e guarda um tesouro natural de valor inestimável.
Segundo dados do Censo Demográfico de 2022, Campo Grande concentra 352.356 habitantes em uma área de 104,9 quilômetros quadrados. Esses números o colocam à frente de muitos municípios brasileiros em termos de população e extensão territorial, evidenciando sua magnitude como um polo urbano.
Mas o que torna Campo Grande ainda mais especial é a coexistência de sua densidade populacional com um vasto patrimônio natural. O bairro é lar do Parque Estadual da Pedra Branca, reconhecido como a maior floresta urbana do mundo, ocupando impressionantes 12.500 hectares. Essa característica única o transforma em um espaço onde a vida urbana intensa se entrelaça com extensas áreas verdes e um rico legado histórico, conforme informações divulgadas pelo IBGE.
História e Desenvolvimento de um Gigante Carioca
A história de Campo Grande remonta ao século XVII, com origens ligadas aos povos indígenas Picinguaba e à atuação dos jesuítas. A fundação formal da Paróquia de Nossa Senhora do Desterro, em 1673, marca o início do povoamento local. O desenvolvimento dos transportes foi crucial para a transformação do bairro, com a chegada da ferrovia em 1878 impulsionando o crescimento econômico e populacional.
Posteriormente, o bonde elétrico em 1925 e, mais recentemente, o sistema BRT em 2014, consolidaram a integração de Campo Grande com o restante da cidade. Curiosamente, em 1968, o bairro chegou a ter sua independência decretada, mas a extinção do estado da Guanabara em 1975 reverteu essa decisão, reintegrando-o ao município do Rio de Janeiro.
Raízes Rurais em Meio à Metrópole
Apesar da oficialização da eliminação das áreas rurais no Plano Diretor de 2011, Campo Grande ainda preserva fortes traços de sua identidade rural. Feiras agroecológicas e de produtores urbanos são um testemunho vivo dessa tradição, mantendo viva a essência do campo em um dos bairros mais dinâmicos e populosos do país.
A Complexidade das Divisões Urbanas e o Caso de Grajaú
É importante notar que a definição de bairro segue critérios técnicos e institucionais, com limites oficiais estabelecidos pelo IBGE. Essa organização explica por que o Grajaú, em São Paulo, com seus 384.873 habitantes, não aparece na lista dos bairros mais populosos do país. Ele é considerado um distrito, e a capital paulista é dividida em 96 distritos, não em bairros como Campo Grande. A população do Grajaú supera a de 97,7% dos municípios brasileiros, demonstrando a disparidade na concentração urbana.
O Top 10 dos Bairros Mais Populosos do Brasil
Campo Grande lidera o ranking com folga. Em segundo lugar, também no Rio de Janeiro, está Santa Cruz, com 249.130 residentes. Jacarepaguá (217.462), Bangu (209.302) e a Cidade Industrial de Curitiba (172.510) completam o top 5. Pimentas, em Guarulhos (SP), aparece em sexto lugar com 168.232 moradores, seguido por Realengo (167.027), Guaratiba (159.888), Barra da Tijuca (151.603) e Tijuca (142.909), todas no Rio de Janeiro. Essa lista reforça a predominância do Rio de Janeiro na concentração populacional urbana do Brasil.
Manaus e a Ausência na Lista Nacional
Leitores questionaram a ausência de bairros de Manaus, como São José Operário e Cidade Nova. Embora densamente povoados dentro da capital amazonense, seus números não alcançam o patamar nacional. São José Operário possui 63.455 habitantes, Cidade Nova 124.935 e Jorge Teixeira, o mais populoso de Manaus, tem 133.448 residentes. Estes dados, embora expressivos localmente, ficam abaixo do décimo colocado no ranking nacional, que é a Tijuca, no Rio de Janeiro, com 142.909 habitantes.

