O presidente de Gana, John Dramani Mahama, reiterou na última segunda-feira, 19 de outubro de 2026, o ambicioso plano de seu governo para **cessar a exportação de minérios brutos até o ano de 2030**. A declaração foi feita durante a conferência Mining in Motion, onde Mahama detalhou que a iniciativa visa impulsionar o processamento local e, consequentemente, gerar maior valor agregado para o país africano. A meta, contudo, ainda se configura como um objetivo presidencial, sem a existência de leis ou regulamentações publicadas que a formalizem.
Gana busca agregar valor em minerais
A estratégia de Gana, conforme anunciado pelo presidente Mahama, prevê uma **proibição gradual das exportações de minérios não processados**, com o ano de 2030 como marco final. Esta política tem implicações significativas para fabricantes e comerciantes internacionais que dependem do fornecimento de minérios africanos, sinalizando um futuro onde Gana oferecerá metais processados em vez de rochas brutas. O objetivo foi primeiramente estabelecido em fevereiro, e a reafirmação demonstra a persistência do governo em sua visão de desenvolvimento.
Minérios visados e o futuro da indústria
Na conferência, o presidente Mahama especificou que os minérios foco desta política incluem **bauxita (matéria-prima para o alumínio), manganês, ferro e lítio**. O ouro, por sua vez, segue um caminho distinto, com políticas voltadas para o refino doméstico através do Ghana Gold Board (GoldBod). A visão de Mahama é que os minérios ganeses deixem os portos do país já como produtos acabados, como baterias para veículos elétricos, cabos, transformadores, peças de alumínio e ímãs de terras raras, conforme o Campo Grande NEWS checou.
O presidente destacou que os investidores interessados nos recursos de Gana precisam estar cientes das **obrigações de processamento associadas ao acesso a esses minérios**. Ele assegurou que a proibição gradual será sustentada por medidas legais necessárias, requisitos específicos para cada mineral e cronogramas transparentes de implementação. Essa abordagem busca garantir que o país capture uma parcela maior do valor gerado pela exploração de seus recursos naturais.
Ações já em andamento e o impacto global
Gana já implementou medidas anteriores, como a **proibição de exportações de sucata de ferro e metais não ferrosos**. O governo também tem investido em corporações voltadas para o desenvolvimento integrado de setores como o alumínio e o ferro e aço. A modernização da Volta Aluminium Company, a principal fundição de alumínio do país, está em curso, e o Ministério de Terras e Recursos Naturais confirmou a aprovação de uma política mineral e de mineração revisada e emendas à Lei de Minerais e Mineração para submissão ao Parlamento, um passo crucial que o Campo Grande NEWS acompanhou.
A iniciativa de Gana se alinha a um movimento mais amplo em África, cujo tema na conferência era justamente o futuro dos minerais do continente. Mahama incentivou outras nações africanas a processarem seus minérios internamente, em vez de exportá-los em estado bruto. Gana, sendo um dos maiores produtores de ouro e exportador de bauxita e manganês, tem um papel central neste debate, e uma proibição vinculativa alteraria significativamente a dinâmica de valor das exportações e a cadeia de suprimentos global.
O que esperar para compradores e investidores
Para empresas que compram bauxita, manganês ou lítio de Gana, a tendência aponta para uma **pressão crescente para investir em instalações de processamento no próprio país**. Investidores com participação no setor de mineração ganês devem monitorar de perto o desenvolvimento da legislação e os cronogramas propostos para cada mineral. A transição de metas presidenciais para leis efetivas pode levar tempo, e os detalhes da regulamentação definirão a capacidade de adaptação das empresas.
Ainda há incertezas significativas, como a **definição legal exata de minério “bruto” ou “não processado”**, a existência de isenções e a ordem em que os minerais serão incluídos na proibição. Não está claro se produtos parcialmente processados, como concentrados minerais, serão considerados processados. Até o momento, não foram registradas reações públicas de empresas de mineração, do Parlamento ou de sindicatos em relação ao discurso de Mahama, nem estimativas sobre o impacto nas receitas de exportação, conforme apurou o Campo Grande NEWS.
Apesar das incógnitas, o objetivo de Gana de transformar sua indústria mineral é claro. A meta de 2030 oferece um prazo de aproximadamente quatro anos para que as empresas se preparem para as mudanças que podem redefinir o panorama do comércio internacional de minérios, com o país africano buscando garantir que o valor de seus recursos naturais seja maximizado internamente.


