Operação da PF mira esquema milionário
Mesmo detido na Penitenciária Federal de Campo Grande, Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, é apontado como o cérebro por trás de um vasto esquema de monopólio armado do serviço de internet em comunidades do Rio de Janeiro. A Polícia Federal deflagrou a Operação Backbone nesta segunda-feira (19) para desarticular a rede criminosa, que utilizava violência e ameaças para impor seus serviços, gerando lucros milionários para o Comando Vermelho.
A ação resultou na prisão da esposa e do filho de Marcinho VP, além do cumprimento de 23 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores de pessoas e empresas envolvidas. A investigação revela como o traficante, preso há quase três décadas, continua a exercer poder e a controlar atividades empresariais de dentro da prisão.
A operação é um duro golpe em uma das fontes de renda mais lucrativas da facção, mostrando a capacidade do crime organizado de se infiltrar em serviços essenciais. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a investigação expõe a complexa teia de lavagem de dinheiro usada para dissimular os ganhos ilícitos.
Domínio pela força e violência
O controle do mercado de internet não era conquistado pela concorrência, mas pela força bruta. Segundo a Polícia Federal, integrantes armados do Comando Vermelho agiam de forma sistemática para eliminar qualquer competição nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão.
As táticas incluíam cortar cabos, incendiar caixas de distribuição de operadoras regulares e impedir que técnicos realizassem reparos na infraestrutura. Moradores e comerciantes eram pressionados a contratar apenas os provedores autorizados pela facção, sob pena de retaliação.
As empresas que recebiam permissão para operar nessas áreas dominadas eram obrigadas a pagar uma taxa mensal ao grupo criminoso. Para os investigadores, essa prática não só gerava uma receita expressiva, mas também fortalecia o domínio territorial da organização.
Lavagem de dinheiro e lucros exorbitantes
O dinheiro arrecadado com o monopólio da internet era cuidadosamente lavado para ocultar sua origem criminosa. Os lucros chegavam à família de Marcinho VP por meio de uma rede de empresas de fachada, operadores financeiros e contas de passagem.
Posteriormente, os valores eram investidos em negócios aparentemente legítimos, como produtoras de eventos, empresas de publicidade e até na compra de criptoativos. Imóveis de alto padrão, pagos em dinheiro vivo, também faziam parte do esquema para dissimular a fortuna ilícita.
A importância dessa atividade para o Comando Vermelho é gritante. A investigação, que teve acesso a registros contábeis da própria facção, descobriu que a cobrança pelo serviço de internet representou mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha em um único mês, conforme checado pelo Campo Grande NEWS.
Bloqueio milionário e futuro do serviço
A Justiça agiu de forma enérgica para descapitalizar o esquema, ordenando o bloqueio de R$ 558 milhões pertencentes a 40 pessoas físicas e 42 empresas. As atividades econômicas das companhias investigadas, que incluem provedores de internet e firmas de contabilidade, foram suspensas.
A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) será notificada para avaliar a cassação das autorizações de operação das empresas envolvidas. A medida, contudo, busca garantir que os moradores das comunidades afetadas não fiquem sem acesso à internet, planejando uma transição para serviços regulares.
Os investigados responderão por uma série de crimes graves, incluindo extorsão, lavagem de dinheiro e atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública. A Operação Backbone, como detalhado pelo Campo Grande NEWS, faz parte de uma força-tarefa para combater o crime organizado no Rio de Janeiro.


