A Colômbia, com seus 53 milhões de habitantes e 79% de penetração na internet em 2026, é moldada por um cenário midiático complexo. Grandes conglomerados privados detêm a maior parte da audiência, enquanto a liberdade de imprensa enfrenta desafios significativos e a confiança do público nas notícias está em baixa. Conforme divulgado pelo Reuters Institute, a paisagem informativa colombiana é um reflexo de disputas de poder, mudanças regulatórias e a crescente desconfiança da população.
Neste cenário, o Campo Grande NEWS buscou entender a fundo a estrutura da mídia colombiana, quem detém o controle, como as leis afetam a profissão e o nível de credibilidade das informações. Esta análise é crucial para entender o fluxo de notícias que chega a investidores, viajantes e expatriados, dada a forte parceria entre Colômbia e Estados Unidos. O Campo Grande NEWS checou que a informação é baseada em dados de 2026 e valores locais convertidos para dólares americanos.
O panorama geral em outubro de 2026 revela uma forte concentração de propriedade nos meios de comunicação. Três grandes conglomerados controlam a maior parte do mercado, com uma produção local limitada que deixa 60% do país sem acesso a notícias regionais. A posse de emissoras de televisão e estações de rádio está concentrada em poucos grupos, como Valorem e Ardila Lülle, enquanto a Prisa, grupo espanhol, atua no setor de rádio. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a posse de jornais e portais digitais também segue essa linha, com El Tiempo sob o controle do banqueiro Luis Carlos Sarmiento Angulo e El Espectador pertencente à Valorem.
A Concentração de Poder na Mídia Colombiana
A televisão na Colômbia é ancorada por duas redes privadas principais: Caracol Televisión, pertencente à Valorem, e RCN Televisión, do grupo Ardila Lülle. A medição de audiência para esses canais é disputada, com diferentes institutos apresentando resultados divergentes. No setor de rádio, a reestruturação tem sido uma constante, com a consolidação de grupos como RCN e Caracol Radio, esta última sob a Prisa. A justificativa para essas fusões, segundo análise da LatAm Journalism Review, inclui a mudança nos hábitos de escuta, fragmentação publicitária e a busca por reduzir perdas financeiras.
O jornalismo impresso e digital também reflete essa concentração. El Tiempo é publicado pela Casa Editorial El Tiempo, controlada por Luis Carlos Sarmiento Angulo. Já o El Espectador pertence à Valorem, e a revista Semana, adquirida pelo grupo Gilinski em 2020, tem sido palco de disputas recentes devido a alegações não comprovadas publicadas em entrevista. O presidente Abelardo de la Espriella ordenou uma investigação sobre essas alegações em outubro de 2026, destacando a sensibilidade política do tema.
O Papel e as Mudanças da Mídia Pública
O radiodifusor estatal colombiano, conhecido por anos como RTVC, retornou ao seu nome original, Inravisión, em 2026. Vinculado ao Ministério das Comunicações (MinTIC), o Inravisión opera canais de televisão e estações de rádio. No entanto, em agosto de 2026, o governo anunciou o fim de sua programação jornalística e de opinião, priorizando conteúdo cultural. A justificativa oficial é que a mídia pública não deve servir a interesses políticos. Uma revisão de contratos do Inravisión revelou possíveis irregularidades, com alguns contratos apresentando aumentos superiores a 100% em relação ao valor inicial.
Apesar de a lei garantir a liberdade de expressão, a realidade da imprensa colombiana é marcada por ameaças. A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) classificou a Colômbia na 102ª posição de 180 países no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa em 2026, uma melhora em relação ao ano anterior, mas ainda indicando um ambiente desafiador. Em 2025, foram registrados cerca de 470 ataques a jornalistas, incluindo um assassinato. A impunidade é alarmante, com aproximadamente 98% dos crimes contra repórteres sem punição.
Confiança em Declínio e o Impacto das Redes Sociais
A confiança nas notícias na Colômbia atingiu um ponto crítico em 2026, com apenas 25% dos colombianos confiando na maioria das notícias, uma queda de 7 pontos percentuais em relação ao ano anterior e bem abaixo da média global de 37%. Consequentemente, 49% da população evita notícias, um aumento de 5 pontos. Apenas 15% dos colombianos pagam por notícias online, embora o uso de criadores e influenciadores de notícias alcance 35% da população semanalmente, especialmente entre os mais jovens.
As plataformas de mídia social, como TikTok, X e Instagram, tornaram-se arenas importantes para a discussão de temas políticos, como evidenciado durante as eleições de 2026. O uso de chatbots de inteligência artificial como fonte de notícias também cresce, alcançando 9% semanalmente. Apesar da desconfiança geral, canais de televisão regionais, Noticias Uno e Señal Colombia ainda mantêm um nível de confiança em torno de 60% entre as marcas testadas, um dado relevante para o canal estatal em meio ao encerramento de sua programação jornalística.


