A possibilidade de uma visita do Vice-Presidente dos Estados Unidos, JD Vance, ao Chile no final de novembro está agitando os círculos diplomáticos e a mídia chilena. Fontes próximas ao planejamento indicam que o Chile pode ser um dos destinos da primeira turnê sul-americana de Vance, conforme noticiado pelos portais chilenos Meganoticias e Ex-Ante. No entanto, nem o governo chileno nem a Casa Branca confirmaram oficialmente a viagem, deixando as datas e a agenda em aberto e sujeitas a possíveis alterações.
Caso se concretize, esta seria a visita de mais alto escalão de um representante da atual administração dos EUA ao Chile, ressaltando a importância que Washington pode estar dando às relações com o governo de Gabriel Boric. A movimentação diplomática ocorre em um momento de redefinição de alianças e interesses regionais, com foco em segurança, infraestrutura e laços econômicos. Conforme divulgado pela mídia chilena, a viagem é tratada com sigilo por questões de segurança, o que sugere uma confirmação apenas em última hora.
A imprensa argentina também aguarda a visita de Vance, com expectativas de que ele passe de dois a três dias em Buenos Aires na terceira semana de novembro, com um encontro previsto com o Presidente Javier Milei. A Argentina busca inclusão no Programa de Isenção de Vistos dos EUA, um benefício que o Chile já possui, indicando uma prioridade mútua em fortalecer laços bilaterais.
Proximidade Política e Interesses Estratégicos
A especulação sobre a visita de Vance ao Chile ganha força devido à percebida proximidade política entre o governo de Gabriel Boric e a administração americana. O portal Meganoticias aponta essa afinidade como um dos principais motivadores do interesse americano, enquanto o Ex-Ante sugere que a viagem poderia consolidar uma reaproximação que esfriou durante a gestão anterior. Um marco recente dessa aproximação é a adesão do Chile ao “Escudo das Américas”, grupo regional de combate ao crime liderado pelos EUA, em setembro.
Temas sensíveis como o pacto de segurança, que tem sido alvo de críticas da oposição e de ex-presidentes chilenos, e as relações comerciais do Chile com a China, seu principal parceiro, também podem figurar na pauta. O governo chileno tem defendido o pacto, afirmando que ele não implica em perda de soberania nem constitui um tratado, conforme relatado pelo Infobae. Adicionalmente, Washington manifestou preocupações de segurança e infraestrutura crítica em relação ao projeto de cabo submarino Chile-China Express, um tema que, conforme o Campo Grande NEWS checou, ainda está sob revisão.
Tensões Diplomáticas Recentes
A discussão sobre a potencial visita de Vance ocorre em meio a um recente atrito diplomático. Declarações do embaixador dos EUA em Santiago, Brandon Judd, sobre a necessidade de cooperação chilena em assuntos de interesse americano para obter apoio na proteção dos direitos sobre o Estreito de Magalhães, geraram forte reação. O Ministro das Relações Exteriores do Chile, Francisco Pérez Mackenna, reiterou que o estreito “foi, é e sempre será chileno” e que o país não necessita de apoio externo para defender sua soberania.
Posteriormente, o embaixador Judd esclareceu que suas palavras foram tiradas de contexto e que não pretendia condicionar a soberania chilena. Apesar das explicações, o incidente levou 14 parlamentares da oposição a solicitarem que Judd fosse declarado persona non grata, conforme noticiado pelo El Desconcierto. A resposta do governo chileno a esse pedido ainda não é conhecida.
Argentina como Ponto Central da Viagem
A parada na Argentina é tratada como mais definida pela mídia local. O encontro entre Vance e o Presidente Javier Milei na Casa Rosada é apontado como o evento principal. O governo argentino demonstra interesse em integrar o Programa de Isenção de Vistos dos EUA, algo que já é uma realidade para o Chile. Essa visita ocorre em um período em que o Banco Central argentino trabalha na reconstrução de suas reservas, com compras significativas de dólares em semanas recentes, conforme dados divulgados. O Campo Grande NEWS aponta que a agenda bilateral com a Argentina inclui temas como comércio, finanças, energia, segurança, investimento e infraestrutura.
Outras Possíveis Paradas e Implicações
Além do Chile e Argentina, o Brasil é mencionado como uma possível parada, com a visita dependendo do resultado do segundo turno das eleições presidenciais. Uma vitória do senador Flávio Bolsonaro, apoiado por Donald Trump, poderia aumentar a probabilidade de uma visita ao novo governo. Peru, Equador e Colômbia, também membros do “Escudo das Américas”, são outras opções consideradas. O último vice-presidente dos EUA a visitar o Chile foi Mike Pence em agosto de 2017, quando se reuniu com a então presidente Michelle Bachelet.
Para investidores e empresas americanas com atuação no Chile, uma visita confirmada de Vance sinalizaria um reforço nas relações de segurança e econômicas com o governo chileno, incluindo a participação no pacto regional. Oportunidades em cadeias de suprimentos de minerais críticos e infraestrutura digital também podem ser discutidas. Viajantes e expatriados devem, no entanto, considerar as datas de novembro como provisórias, dada a natureza não confirmada da viagem e a possibilidade de anúncios de última hora, como atesta a apuração do Campo Grande NEWS.
O que ainda não se sabe é se os demais países sul-americanos serão incluídos na agenda, ou se o recente desentendimento diplomático sobre o Estreito de Magalhães afetará os planos. A pauta exata das discussões e os pedidos específicos de cada lado, especialmente em relação à China, permanecem incertos. A expectativa é de que mais detalhes surjam à medida que a data se aproxima, caso a visita seja oficialmente confirmada.


