Granja em Ivinhema é investigada por infestação de moscas e larvas

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um inquérito civil para investigar uma granja na zona rural de Ivinhema, localizada a 291 quilômetros de Campo Grande. A apuração visa esclarecer possíveis irregularidades ambientais e sanitárias decorrentes de uma severa infestação de moscas e larvas que tem afetado a região, conforme informações divulgadas pelo MPMS.

A investigação teve início após diversas denúncias de moradores sobre a invasão de insetos em suas residências e os riscos associados à saúde pública. Fotografias anexadas às reclamações chocam ao mostrar utensílios domésticos, embalagens de alimentos e até estruturas residenciais completamente tomados por moscas, evidenciando a gravidade do problema.

Vistorias realizadas por órgãos de fiscalização, como a Vigilância Sanitária Municipal e a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), identificaram falhas significativas no manejo de resíduos e no controle de pragas na propriedade avícola. Um relatório detalhado apontou problemas como a aplicação ineficaz de inseticidas sobre as fezes das aves, acúmulo de dejetos a céu aberto, telas danificadas nos galpões, portas abertas na composteira e a presença de entulhos de construção no local.

Falhas graves no manejo de resíduos e controle de pragas

Em inspeção realizada no final de 2025, a Vigilância Sanitária Municipal já havia solicitado à empresa um Plano de Controle e Manejo de Pragas e Moscas, mas o documento não foi apresentado na ocasião. A situação se agravou em uma fiscalização em 20 de agosto de 2026, quando técnicos da Iagro encontraram larvas vivas em diferentes estágios de desenvolvimento, incluindo o L3, o que indica uma **reprodução ativa e descontrolada**.

Diante das constatações, as instalações da granja foram interditadas sanitariamente. O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) também notificou o empreendimento para que sejam realizadas adequações urgentes. Entre as exigências estão a reforma da composteira, a construção de um leito impermeabilizado para a secagem de dejetos com sistema de contenção de chorume, a regularização da captação de água subterrânea e a apresentação de um cronograma para a reforma dos barracões.

A defesa técnica do estabelecimento alegou que a empresa está em processo de transição do sistema tradicional de criação em gaiolas para o modelo de galinhas soltas sobre cama de maravalha, o que poderia, em tese, auxiliar no manejo.

Melhora temporária e persistência da infestação

Em uma nova vistoria realizada no final de agosto de 2026, a Iagro constatou uma melhora significativa nas condições dos galpões e uma interrupção temporária do ciclo reprodutivo das larvas, após as adequações emergenciais. Contudo, apesar desses avanços, novas manifestações de moradores do bairro Eco Park indicaram que a infestação continuava afetando as residências vizinhas, demonstrando a **complexidade do problema e a necessidade de soluções mais robustas e contínuas**.

Este caso em Ivinhema reflete uma preocupação crescente com a gestão ambiental e sanitária em propriedades rurais, e o MPMS busca garantir que as responsabilidades sejam apuradas e que medidas eficazes sejam implementadas para proteger a saúde pública e o meio ambiente. O acompanhamento jornalístico do Campo Grande NEWS tem destacado a importância da fiscalização e da atuação ministerial em casos como este, que afetam diretamente a qualidade de vida da população.

Outro caso em Angélica: Usina é investigada por proliferação de moscas

Um caso semelhante de possível proliferação de moscas também está sob investigação do Ministério Público em Angélica, município vizinho a Ivinhema. A Promotoria de Justiça local instaurou inquérito civil para apurar irregularidades ambientais e riscos à saúde pública associados à presença de moscas do estábulo. A investigação busca determinar se há relação entre o aumento desses insetos e as atividades de uma usina de açúcar e álcool localizada na zona rural.

Moradores e produtores rurais da região de Angélica também relataram prejuízos significativos devido à infestação. Entre os problemas mencionados estão a perda de animais domésticos e danos à criação de gado e à produção de leite. Uma das hipóteses em apuração é que o manejo de resíduos orgânicos da atividade sucroenergética, como a vinhaça, possa estar favorecendo a reprodução dos insetos, embora essa relação ainda precise ser comprovada.

O procedimento ministerial em Angélica considera informações de fiscalizações da Polícia Militar Ambiental sobre o pátio de compostagem e os reservatórios de vinhaça da usina. Documentos técnicos e registros das atividades da empresa também serão analisados. Embora o empreendimento possua licença de operação válida até outubro de 2031, o licenciamento ambiental não impede a apuração de eventuais impactos negativos ou danos à saúde pública. O Campo Grande NEWS acompanha de perto essas investigações, ressaltando a importância da vigilância constante sobre as atividades industriais e rurais.

Em ambos os municípios, o Ministério Público atua com o objetivo de esclarecer as causas das infestações e verificar se as atividades dos empreendimentos estão diretamente ligadas aos problemas relatados pela população. A atuação do MPMS, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, é fundamental para assegurar o cumprimento das leis ambientais e a proteção dos cidadãos.