A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) decretou luto oficial de três dias pela morte do ex-deputado estadual Roberto Razuk, aos 85 anos, ocorrida nesta quinta-feira (15). A medida, oficializada pelo Ato nº 20/2026, visa reconhecer a trajetória e as contribuições do ex-parlamentar para a política e as instituições do Estado. O luto, no entanto, não interfere nas atividades e no expediente do Legislativo.
Roberto Razuk, que estava internado em São Paulo para tratar uma infecção pulmonar, não terá velório, conforme desejo expresso em vida. Seu corpo será cremado na capital paulista. A notícia de seu falecimento, divulgada pelo Campo Grande NEWS, ressalta a importância de sua atuação parlamentar e empresarial em Mato Grosso do Sul, especialmente em Dourados.
Nascido em Campo Grande em 7 de março de 1941, Razuk teve uma carreira política marcada por dois mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa, entre 1987 e 1995. Durante seu período no parlamento, foi peça fundamental na Assembleia Estadual Constituinte, responsável pela elaboração da Constituição de Mato Grosso do Sul, promulgada em 1989.
Defensor da UEMS e com forte ligação com Dourados
Entre as bandeiras defendidas por Roberto Razuk, destaca-se o apoio à criação da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e a instalação de sua sede em Dourados. A cidade de Dourados foi palco de grande parte de sua trajetória política e empresarial, consolidando o nome Razuk na região.
A influência política da família Razuk em Dourados é notória. Sua esposa, Délia Razuk, atuou como vereadora e prefeita do município. O filho do casal, Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk, também seguiu os passos do pai, exercendo mandato de deputado estadual.
Trajetória marcada por polêmica e investigações
Além de sua atuação parlamentar, Roberto Razuk era conhecido por sua influência nos negócios e por ligações com a exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul, com foco nas cidades de Dourados e na região de fronteira com o Paraguai. Ele também presidiu o Ubiratan Esporte Clube, agremiação tradicional do futebol douradense.
A vida pública de Razuk foi pontuada por confrontos com a Justiça. Ele foi preso em diferentes ocasiões: em 2002, em 2007 durante a Operação Xeque-Mate, que investigava a exploração de jogos ilegais e máquinas caça-níqueis, e em novembro de 2025, na quarta fase da Operação Successione. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a última prisão ocorreu em meio a investigações de uma organização criminosa suspeita de envolvimento com jogos ilegais e corrupção.
Em 2003, Razuk foi condenado pela Justiça Federal por acusações relacionadas ao uso de documentos falsos para obter um empréstimo de R$ 3,5 milhões do Banco do Brasil, utilizando a Fazenda Nabileque como garantia. Ele cumpriu pena em regime semiaberto. Em 2014, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul anulou as provas da Operação Xeque-Mate.
Na sua última prisão em novembro de 2025, o Ministério Público investigava uma organização criminosa suspeita de envolvimento com jogos ilegais, corrupção e episódios de violência. Na ocasião, a defesa de Razuk alegou problemas graves de saúde, com o ex-deputado acamado e dependente de oxigênio. No dia seguinte, a Justiça autorizou a substituição da prisão preventiva por domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica e restrições de contato com outros investigados, como noticiado pelo Campo Grande NEWS.
A morte de Roberto Razuk encerra a trajetória de uma figura que, por décadas, ocupou espaço significativo na política e nos negócios em Mato Grosso do Sul, deixando um legado complexo e marcante, especialmente em Dourados, onde o sobrenome Razuk permaneceu atrelado à vida pública por gerações.

