O cenário político brasileiro ganhou novos contornos com declarações polêmicas de Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato presidencial Flávio Bolsonaro. Em evento nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro pediu o afastamento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificando-o como um “câncer”. A declaração, feita em Washington, adiciona uma camada internacional à disputa eleitoral e às tensões institucionais no Brasil.
A fala de Eduardo Bolsonaro ocorre em um momento delicado, com o Brasil às vésperas de um segundo turno presidencial. Alexandre de Moraes, figura central em investigações sobre atos antidemocráticos, já foi alvo de sanções do Tesouro americano em 2025, mas estas foram posteriormente suspensas. Eduardo Bolsonaro, que reside nos EUA e enfrenta uma condenação judicial no Brasil, parece ter direcionado suas críticas diretamente ao sistema judicial brasileiro a partir de solo americano.
As declarações foram divulgadas pela imprensa brasileira, como o jornal Folha de S.Paulo, e repercutiram rapidamente. A situação levanta questionamentos sobre a interferência externa e a retórica utilizada por figuras políticas brasileiras em palcos internacionais. Acompanhe os detalhes e as implicações dessa declaração que pode impactar a percepção sobre a estabilidade democrática do país.
Eduardo Bolsonaro critica Alexandre de Moraes em evento nos EUA
Eduardo Bolsonaro, ex-congressista e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, fez um apelo direto para a “purga” do ministro Alexandre de Moraes da Suprema Corte brasileira. A declaração foi proferida em Washington, durante um evento que celebrava a cultura hispânica, conforme relatado pelo jornal Folha de S.Paulo. “Primeiro, teremos que expurgar este câncer chamado Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal”, afirmou Eduardo a repórteres, em uma fala que gerou grande repercussão.
Para o público americano, a fala de Eduardo Bolsonaro soou como um ataque a um juiz que, ironicamente, já esteve sob sanções do governo dos Estados Unidos. O Tesouro americano impôs sanções a Moraes em julho de 2025, alegando “detenções arbitrárias e supressão da liberdade de expressão”, mas retirou as penalidades em dezembro do mesmo ano. Eduardo Bolsonaro, por sua vez, reside nos EUA desde 2025 e declarou publicamente que não retornará ao Brasil para cumprir uma pena de prisão.
A relação pessoal e a política de Flávio Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro também expressou que a governabilidade de seu irmão, Flávio Bolsonaro, seria comprometida com Alexandre de Moraes no STF. “Eu também não vejo Flávio Bolsonaro como presidente sendo capaz de governar com Moraes no Supremo Tribunal Federal”, disse ele. Em conversa com um colunista do site UOL, Eduardo admitiu que a questão era “muito pessoal”, segundo o site Poder360.
O ex-congressista ainda alegou que o ministro do STF teria “vindo rastejando após um acordo” e que ficou satisfeito com a recusa do Partido Liberal (PL) em aceitar tal acordo. O PL é o partido conservador de Flávio Bolsonaro, que é senador e candidato à presidência, e de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Eduardo prometeu que uma vitória de Flávio “finalmente libertaria o nosso país, começando pelo meu pai”, conforme reportado pelo Poder360. Jair Bolsonaro cumpre uma pena de 27 anos em prisão domiciliar por suposta conspiração para um golpe de Estado após perder as eleições de 2022.
Alexandre de Moraes: o juiz sob ataque e o histórico com os EUA
Alexandre de Moraes, nomeado para o STF pelo ex-presidente Michel Temer, foi o juiz responsável pelo caso que levou à condenação de Jair Bolsonaro por conspirar contra a democracia. Conforme a Folha de S.Paulo, Moraes está previsto para assumir a presidência do STF em setembro de 2027. A relação com os Estados Unidos é notável, com as sanções impostas e posteriormente retiradas, um fato que Eduardo Bolsonaro parece usar em seus argumentos.
O Tesouro dos EUA, em 30 de julho de 2025, sancionou Alexandre de Moraes sob o programa Global Magnitsky de direitos humanos, citando seu uso da posição para autorizar detenções arbitrárias e suprimir a liberdade de expressão. Contudo, em 12 de dezembro de 2025, as sanções foram levantadas, retirando Moraes, sua esposa e uma empresa associada da lista. A Suprema Corte brasileira, por outro lado, condenou Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão por coação, por ter usado sua estadia nos EUA para pressionar juízes brasileiros. Eduardo alega perseguição política, conforme noticiado pelo Poder360.
A possibilidade de remoção de um ministro do STF
A Constituição brasileira prevê que o Senado Federal tem o poder de julgar e remover ministros do Supremo Tribunal Federal. Para que a remoção ocorra, é necessária a aprovação de 54 dos 81 senadores. O novo Senado, formado após as eleições de 4 de outubro, contará com pelo menos 49 senadores que se posicionam a favor do impeachment de ministros, segundo a Folha de S.Paulo. Há um temor entre os ministros do STF de processos de impeachment com a posse do novo Senado em 2027, segundo o jornal.
Alguns ministros estariam buscando diálogo com senadores mais moderados do PL para garantir proteção. Moraes seria o primeiro na linha de impeachment caso Flávio Bolsonaro vença a eleição, conforme uma coluna do jornal O Estado de S. Paulo. Ministros da Corte comentam em privado que Michel Temer, que agora apoia Flávio, estaria atuando para proteger seu antigo amigo. Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio e senador do PL, negou qualquer acordo político para proteger ministros como Moraes. É importante notar que nenhum ministro do STF jamais foi removido por impeachment no Brasil, e pedidos contra Moraes se acumulam há anos no Senado.
Para investidores americanos em ações brasileiras e na moeda local, um conflito entre o novo governo e o STF representaria um risco político adicional. As declarações de Eduardo Bolsonaro, feitas na capital americana, colocam Washington novamente no centro de uma disputa sobre o judiciário brasileiro. Para empresas e turistas, nada muda imediatamente, pois a potencial pressão por impeachment depende do novo Senado, com posse prevista para fevereiro de 2027. As falas de Eduardo ocorreram na mesma noite em que o presidente argentino, Javier Milei, chamou o presidente Lula de “ditador” em Washington.
Os mercados de previsão, como a Polymarket, indicavam em 15 de outubro, às 3h42 ET, uma probabilidade de 83% para a vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno, com Lula tendo 16,5%. O preço de Flávio havia caído cerca de 3 pontos em 24 horas, em um mercado com aproximadamente US$ 182 milhões negociados. Até a manhã desta quinta-feira no Brasil, nem a campanha de Flávio Bolsonaro, nem a de Lula, nem o STF haviam respondido publicamente às declarações de Eduardo. O escritório de Eduardo Bolsonaro também não respondeu às perguntas do Poder360 antes da publicação.
Ainda não está claro a que “acordo” Eduardo se referia ao dizer que o ministro “veio rastejando”. Tampouco se sabe se um governo Flávio Bolsonaro apoiaria um processo de impeachment ou buscaria uma anistia para permitir o retorno de Eduardo ao Brasil. O Campo Grande NEWS checou que, apesar das declarações internacionais, a situação legal de Eduardo Bolsonaro permanece a mesma por enquanto, com um mandado de prisão emitido e seu passaporte cancelado, mas com ele residindo nos EUA.


