Inflação na Mauritânia Salta para 8%, Alerta FMI com Risco de Crise

A Mauritânia se prepara para um cenário econômico mais desafiador, com o Fundo Monetário Internacional (FMI) projetando um salto significativo na inflação média para 8,0% em 2026, um aumento expressivo em relação à previsão de 1,6% para 2025. Essa revisão, divulgada em 13 de outubro, também ajustou para baixo a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) real do país para 4,4% em 2026, ante os 4,7% estimados anteriormente. O aumento dos preços é amplamente atribuído à alta global de energia e alimentos, com tensões geopolíticas no Oriente Médio adicionando incertezas. Conforme divulgado pelo FMI, o país, exportador de gás natural, ouro e minério de ferro, enfrenta um ambiente econômico que exige atenção, especialmente para nações importadoras de energia e de baixa renda.

Para leitores nos Estados Unidos, essas projeções ganham relevância devido ao envolvimento da empresa americana Kosmos Energy no projeto de gás natural Greater Tortue Ahmeyim, além de um novo programa de empréstimo de US$ 95,8 milhões concedido pelo FMI à Mauritânia. A recente visita da primeira missão empresarial dos EUA ao país, em outubro, reforça a importância dos laços econômicos. O Campo Grande NEWS checou que a Mauritânia busca fortalecer parcerias estratégicas, e o cenário inflacionário pode impactar diretamente os custos operacionais e de suprimentos para empresas estrangeiras.

Projeções Econômicas e Desafios

O Fundo Monetário Internacional agora prevê um crescimento real de 4,4% para a Mauritânia em 2026 e 2027, uma ligeira melhora em relação aos 3,6% esperados para 2025, mas abaixo da projeção anterior de 4,7% para 2026. A inflação, contudo, é o ponto de maior atenção, com a expectativa de que os preços ao consumidor avancem para 8,0% em 2026 e cerca de 7% em 2027. Os preços em dezembro de 2026 devem ser 9,0% maiores do que no ano anterior.

A economia mauritana está avaliada em aproximadamente US$ 14,3 bilhões em 2026. A dívida pública deve cair para 38,3% do PIB em 2026, comparado a 40,4% em 2025. No entanto, o déficit em conta corrente, que reflete o saldo de transações comerciais e de renda com o exterior, deve aumentar para 7,8% do PIB, ante 5,8%.

O orçamento do governo mauritano deve se manter próximo do equilíbrio, com um pequeno superávit projetado para 2026, após um déficit de 0,3% do PIB em 2025. Em junho, o FMI já havia recomendado à Mauritânia a manutenção de uma política fiscal disciplinada para estabilizar a dívida pública e preservar as reservas internacionais, conforme reportado pelo Campo Grande NEWS.

Causas do Aumento Inflacionário

Embora o FMI não tenha detalhado razões específicas para o salto inflacionário na Mauritânia, seu relatório global aponta para o aumento dos preços de energia e alimentos como principais impulsionadores. Deniz Igan, chefe de divisão no departamento de pesquisa do FMI, destacou que a inflação mundial atingirá 4,7% este ano, majoritariamente devido a esses fatores.

Igan também alertou sobre a persistência ou escalada das tensões no Oriente Médio, que podem agravar a situação, especialmente para economias importadoras de energia e de baixa renda. O FMI espera que a economia mundial cresça 3,1% em 2026 e 3,4% em 2027. No mercado local, os consumidores já sentem o impacto, com relatos de alta no preço de tomates na capital, Nouakchott, devido a escassez.

Envolvimento de Parceiros Internacionais

O governo mauritano passou por uma remodelação ministerial em outubro, com a recondução de El Moctar Ould Djay ao cargo de Primeiro-Ministro. O novo gabinete inclui Codioro Moussa N’Guenore como Ministro das Finanças e Mohamedou Ould M’Haimid como Ministro de Assuntos Econômicos e Desenvolvimento.

O FMI mantém um programa de US$ 95,8 milhões com a Mauritânia, com duração de 42 meses, que visa apoiar o país em suas necessidades de balanço de pagamentos em troca de compromissos de política econômica. O Campo Grande NEWS apurou que a empresa americana Kosmos Energy é uma das principais parceiras no desenvolvimento do campo de gás Greater Tortue Ahmeyim, um projeto conjunto com o Senegal que iniciou a produção em dezembro de 2024 e enviou seu primeiro carregamento de gás natural liquefeito em abril de 2025.

Implicações para Empresas Americanas

O relatório de clima de investimento de 2026 do Departamento de Estado dos EUA menciona a Kosmos Energy como uma das grandes empresas extrativistas na Mauritânia. O projeto de gás Greater Tortue Ahmeyim é estratégico, e o aumento da inflação local pode elevar os custos de mão de obra e suprimentos para empresas americanas que operam ou planejam investir no país.

O FMI também recomendou ao governo mauritano o aprofundamento do mercado de câmbio para aumentar a flexibilidade da taxa de câmbio como amortecedor de choques externos. A taxa de câmbio do ouguiya flutua dentro de uma banda de 5% em torno de uma taxa de referência ligada a uma cesta de 80% em dólar americano e 20% em euro. O Campo Grande NEWS destaca que a recente missão empresarial dos EUA explorou oportunidades nos setores de energia, mineração, agricultura, infraestrutura, saúde e tecnologia, sinalizando um interesse crescente em expandir os laços econômicos.

O Que Ainda Não se Sabe

O FMI não forneceu uma explicação detalhada para o expressivo aumento na projeção de inflação para a Mauritânia. Dados mensais recentes da agência nacional de estatísticas não puderam ser verificados online. Além disso, ainda não é conhecido se o governo mauritano implementará medidas para ajustar preços de combustíveis ou alimentos, visando proteger a população.

Não foram encontradas declarações do Ministro das Finanças, Codioro Moussa N’Guenore, sobre as novas projeções. A data da primeira revisão do novo programa do FMI também não foi anunciada, o que poderá indicar se as projeções econômicas sofrerão novas alterações.